A ação faz parte de uma força-tarefa da Comissão de Infraestrutura Aérea de Ribeirão Preto (Coinfarp), composta pela Prefeitura, pela concessionária CPFL Paulista e por empresas de telefonia e internet. O objetivo é eliminar riscos de acidentes com pedestres e motociclistas, além de combater a poluição visual urbana.
Na última quinta-feira (5), os trabalhos de limpeza e readequação concentraram-se na Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias da zona Sul da cidade. Somente em 2026, vistorias técnicas mapearam 381 postes com ocupação clandestina e outros 904 pontos com cabos sem a identificação obrigatória das operadoras.
Em nota, a CPFL Paulista informou que cumpre as normas de compartilhamento fixadas pelos órgãos reguladores e que notifica as operadoras para a regularização dos fios. A Conexis Brasil Digital, entidade que representa as maiores operadoras de telecomunicações, afirma que as empresas credenciadas investem continuamente na manutenção e limpeza das redes alugadas.
Operário retira fiação solta de poste em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Serginho Oliveira/EPTV
A consultora de relacionamento da CPFL Paulista, Elidiane Bernardi, destaca que a prioridade das operações é a segurança da população nas vias públicas.
"O real trabalho aqui é focado na questão da segurança. Não é só uma questão de estética. Primeiramente é a segurança, para que os cabos estejam de acordo com o que regem as normas e a regulamentação da Anatel e da Aneel. Depois que estão de forma segura, entra a questão estética e o que for possível reduzir de cabo a gente faz", afirma a consultora.
O que são cabos clandestinos, irregulares e mortos?
A fiscalização divide os problemas encontrados nos postes nas seguintes categorias:
🔍 Ocupação à revelia ou clandestina: instalação de cabos feita por empresas sem contrato assinado com a concessionária detentora dos postes.
🔍 Fiação irregular: ocorre quando a operadora tem contrato de uso com a distribuidora, mas instalou cabos em pontos não autorizados ou fora das normas técnicas.
🔍 Cabo morto ou abandonado: fiação desativada e sem uso que deixou de ser retirada pela operadora, gerando sobrepeso na estrutura e risco de queda.
Funcionários trabalham na organização de fiação em postes de Ribeirão Preto (SP). — Foto: Serginho Oliveira/EPTV
De quem é a responsabilidade?
A responsabilidade sobre a estrutura dos postes é compartilhada entre diferentes agentes públicos e privados, de acordo com regras federais e municipais:
- CPFL Paulista: é a proprietária dos postes. Cabe à concessionária gerenciar o aluguel dos espaços, fiscalizar o cumprimento das normas de segurança e notificar as operadoras em caso de irregularidades.
- Empresas de telefonia e internet: são as donas dos cabos. Elas pagam aluguel à CPFL para utilizar a infraestrutura e têm a obrigação de manter os fios alinhados, identificados com placa contendo nome e telefone, além de retirar cabos desativados.
- Prefeitura de Ribeirão Preto: atua na coordenação do cronograma de limpeza por meio da Coinfarp, fiscaliza o cumprimento da legislação municipal e encaminha as denúncias feitas pelos moradores para a concessionária.
As vistorias são feitas periodicamente por técnicos da CPFL Paulista. Quando uma fiação irregular é detectada, a concessionária emite uma notificação formal estipulando prazo para que a operadora ajuste a fiação.
Se o problema não for corrigido dentro do prazo, a operadora fica sujeita a sanções contratuais, multas e à remoção forçada dos cabos.
Em situações emergenciais, como fios caídos na pista, cabos energizados ou fiações clandestinas sem contrato, a distribuidora tem autorização legal para realizar o corte imediato sem aviso prévio, a fim de evitar tragédias.
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Um dos desafios das operações de limpeza é a fiação clandestina emaranhada às redes regulares.
Em outubro de 2026, a retirada emergencial de fiação irregular no bairro City Ribeirão provocou a interrupção acidental da internet em escritórios e espaços de coworking, paralisando serviços ao longo do dia.
O diretor de tecnologia da provedora Alcans, Cláudio Placa, explica que a presença de empresas clandestinas nos postes dificulta a identificação visual no momento da limpeza.
"Quando os provedores não regularizados ocupam o poste, eles embolam os fios. Na hora da limpeza, a equipe puxa e acaba rompendo cabos regulares junto. Nossas equipes trabalham 24 horas e, quando há rompimento acidental durante o serviço da distribuidora, fazemos o suporte para restabelecer o sinal no menor tempo possível", afirma o diretor.
O empresário Robinson Cardoso, que teve a rotina administrativa paralisada durante o incidente no bairro City Ribeirão, cobra mais transparência nas operações.
"Nossa operação depende 100% da internet. Falta uma comunicação clara entre Prefeitura, CPFL e operadoras para que os empresários e clientes sejam avisados com antecedência quando houver manutenção, evitando prejuízos", ressalta o empresário.
Como os moradores podem denunciar fios soltos ou caídos?
Caso o morador identifique cabos pendurados, caídos na calçada ou com altura abaixo do permitido sobre a rua (mínimo de 5 metros de altura), o registro pode ser feito diretamente pelos canais oficiais:
- Prefeitura de Ribeirão Preto: pelo telefone 156 ou pelo aplicativo SAM (Serviço de Atendimento ao Munícipe). A demanda é registrada e repassada à comissão de fiscalização.
- CPFL Paulista: pelo telefone 0800 010 1010 (central gratuita de atendimento).
As autoridades alertam que a população nunca deve tentar puxar, cortar ou encostar em cabos pendurados nos postes, pois há risco de a fiação de telefonia ter entrado em contato com a rede de alta tensão elétrica.
Emaranhado de fiações polui paisagem urbana e causa transtornos a moradores de Ribeirão Preto (SP). — Foto: Serginho Oliveira/EPTV
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Source: G1
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