“As questões se caracterizam pela exigência da leitura de fontes”, explica. Textos, charges, gráficos e imagens devem ser analisados em relação à economia, à sociedade e à política. Essa leitura ajuda a identificar relações de poder, formas de organização do trabalho e mudanças nos espaços geográficos.

O café como motor da economia

A expansão da cafeicultura no Vale do Paraíba e, posteriormente, no Oeste Paulista é um dos eixos destacados por Sandro. O café passou a ocupar o lugar do açúcar como principal produto de exportação, acompanhando o deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Centro-Sul.

Segundo o professor, o estudo desse processo deve considerar a relação entre a riqueza cafeeira, o poder político dos chamados barões do café e a sustentação da monarquia. Também é importante observar como as lavouras se organizaram em torno de diferentes formas de mão de obra.

Da escravidão ao trabalho livre

Outro eixo é o processo de transição do trabalho escravizado para o trabalho livre. Sandro recomenda relacionar a pressão inglesa, expressa no Bill Aberdeen de 1845, à Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que proibiu o tráfico de africanos escravizados para o Brasil.

O fim desse tráfico também deve ser associado à liberação de capitais antes empregados nessa atividade e ao tráfico interprovincial, que transferiu pessoas escravizadas do Nordeste para as lavouras cafeeiras do Sudeste.

Na sequência, o professor destaca as leis do Ventre Livre, de 1871, dos Sexagenários, de 1885, e Áurea, de 1888. A orientação é compreender os limites das medidas graduais e o caráter lento e controlado do processo de abolição.

Fugas, quilombos, movimentos abolicionistas e outras formas de resistência também precisam integrar a análise. Segundo Sandro, reconhecer o protagonismo das pessoas escravizadas é fundamental para compreender a atuação dos diferentes agentes envolvidos na abolição.

Imigração e acesso à terra

A chegada de imigrantes europeus, como italianos e alemães, e experiências como o sistema de parceria devem ser estudadas em relação às mudanças no trabalho. Para o professor, esses processos precisam ser compreendidos em sua complexidade, sem uma sequência automática entre o fim da escravidão, a imigração e a industrialização.

“O Enem valoriza a complexidade e a gradualidade do processo”, ressalta.

Nesse contexto, merece atenção a Lei de Terras de 1850, que estabeleceu, como regra, a compra para a aquisição de terras devolutas. Sandro relaciona essa medida às dificuldades de acesso à propriedade para imigrantes pobres e, posteriormente, para pessoas libertas, reforçando a concentração fundiária.

Como interpretar as fontes

Trechos de leis, relatos de viajantes, discursos parlamentares, pinturas e charges, como as de Angelo Agostini, são exemplos de fontes indicadas pelo professor. Na leitura, o estudante deve relacionar os documentos à economia cafeeira, às pressões pelo fim da escravidão e ao enfraquecimento do Império.

Também vale comparar mudanças e permanências em relação à economia colonial e estabelecer conexões com Geografia e Sociologia. Concentração fundiária, migrações, urbanização, desigualdade racial e herança escravista ajudam a ampliar essa interpretação.

Pontos de atenção na revisão

Sandro recomenda organizar a cronologia e compreender as relações entre os acontecimentos. Entre os marcos para revisar estão a Tarifa Alves Branco, de 1844; o Bill Aberdeen, de 1845; as leis de 1850; a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870; as leis abolicionistas de 1871, 1885 e 1888; e a Proclamação da República, de 1889.

Por fim, o professor orienta relacionar a ausência de políticas de inserção dos libertos após a abolição ao debate contemporâneo sobre desigualdade racial. Essa conexão contribui para compreender como as transformações do período se relacionam com questões sociais que permanecem em discussão.

Source: G1

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