O levantamento do FNCP aponta ainda que empresas e integrantes da família aparecem associados aos mesmos débitos por responsabilidade solidária. Por isso, segundo o fórum, os valores registrados individualmente não devem ser somados. Depois de eliminar as duplicidades, o FNCP chegou ao total de R$ 2.929.182.175,11.
O g1 questionou a defesa de Poncio sobre o dossiê e aguarda resposta.
Márcio Poncio com os filhos, o cantor Saulo Poncio e a deputada estadual Sarah Poncio — Foto: Reprodução
Novas buscas esta semana
Na operação, agentes saíram para cumprir 4 mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A PF afirmou ter identificado indícios de uma rede patrimonial que inclui imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nomes de familiares, colaboradores e terceiros.
Dívida bilionária
Segundo o FNCP, a dívida de R$ 2,9 bilhões compreende tributos federais como IPI, PIS, Cofins, CSLL e IRPJ, além de FGTS, multas e juros. O relatório afirma que o grupo acumula débitos desde o início dos anos 2000 e aponta um forte aumento das dívidas em 2011.
Entre as empresas e pessoas relacionadas no relatório estão Clean Indústria e Comércio de Cigarros; Distribuidora Gudang Brasil; New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros Importação e Exportação; Win Distribuidora de Cigarros; M1 Distribuidora de Cigarros; UM44K Produções e Eventos Artísticos, banda da qual Saulo, o filho, foi integrante; Simone Poncio Silva de Souza, a mulher, e Sarah Poncio Silva de Souza, filha e deputada estadual.
O FNCP ressalta que os débitos aparecem repetidos entre empresas e pessoas por causa da responsabilidade solidária e, portanto, não representam dívidas independentes que possam ser somadas.
Imóveis
O FNCP afirma ter feito uma pesquisa documental envolvendo 84 pessoas jurídicas e físicas em registros de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Aparecida de Goiânia. O levantamento encontrou 292 registros de documentos e analisou, entre outros materiais, matrículas imobiliárias e documentos empresariais.
Segundo o fórum, os imóveis adquiridos pela família e por empresas relacionadas somam R$ 49.286.345,50. O relatório diz ainda que 13 imóveis tinham anotação de indisponibilidade ou arrolamento de bens por causa de dívidas tributárias.
Entre 2018 e 2023, de acordo com o FNCP, empresas relacionadas no levantamento adquiriram 16 imóveis, avaliados no documento em um total de R$ 44,2 milhões. Entre eles, o fórum destaca uma casa em Mangaratiba, comprada por R$ 9 milhões pela TSB Administradora, e um apartamento na Avenida Lúcio Costa, no Rio, adquirido por R$ 22 milhões pela SMP ADM.
O relatório afirma também que, em 2025, Sarah Poncio adquiriu uma sala comercial na Avenida das Américas por R$ 723.883,50.
Cobranças de ICMS no Rio
O FNCP também pesquisou execuções fiscais relacionadas a ICMS no Estado do Rio. Segundo o relatório, foram localizados pelo menos 5 processos da Fazenda estadual que somavam R$ 10,6 milhões e que, de acordo com o documento, chegariam atualmente a R$ 13 milhões após atualização.
Em um desses processos, segundo o FNCP, 3 imóveis no Recife foram localizados para servir de garantia a uma dívida. O relatório afirma que houve determinação de penhora, mas que, até a consulta feita para o levantamento, não havia confirmação nos autos da efetivação da medida.
Mercado ilegal de cigarros
O relatório do FNCP também traça um panorama do mercado ilegal de cigarros no país. Segundo o fórum, 31% dos cigarros comercializados no Brasil vêm do mercado ilegal. Pesquisa Ipsos Ipec citada no documento aponta que, em 2025, esse mercado movimentou 32 bilhões de unidades.
De acordo com o FNCP, a evasão atribuída ao mercado ilegal chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025, enquanto o setor formal de tabaco arrecadou R$ 26,5 bilhões em IPI, PIS/Cofins e ICMS. O fórum estima em R$ 110 bilhões as perdas acumuladas nos últimos 12 anos.
Edson Vismona, presidente do FNCP, afirma no relatório que o avanço do crime organizado sobre esse mercado está relacionado à alta lucratividade e ao controle territorial do comércio.
Ligação com Adilsinho
Na 9ª fase, deflagrada nesta quinta, um dos alvos foi Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho e apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema investigado.
Segundo a Polícia Federal, a análise do celular de Márcio Poncio revelou novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais que teriam sido usados pelo grupo investigado na administração, ocultação e movimentação de recursos.
Source: G1
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