Segundo a Polícia Civil, a transmissão aconteceu por meio de um aplicativo de mensagens em grupo, o Root. O caso foi descoberto pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça, que enviou as informações à Polícia Civil capixaba.
A partir do documento, a corporação abriu um inquérito no último dia 5. Segundo o delegado Brenno Andrade, chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os dois adolescentes se conheceram em um grupo do próprio aplicativo. Como moravam perto um do outro, passaram a se encontrar pessoalmente e começaram a namorar.
No entanto, o namorado passou a desconfiar de uma suposta traição. Revoltado, ele pulou o muro da casa da menina quando ela estava sozinha e cometeu as agressões e o estupro, que foram gravados e transmitidos em tempo real.
Depois do crime, o adolescente também enviou mensagens para a vítima com ameaças de morte. Em uma delas, divulgada pela Polícia Civil, a menina contava que o irmão havia descoberto alguns hematomas em seu braço. Em resposta, o namorado a ameaçou mais uma vez.
O g1 tentou contato com o aplicativo Root, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Violência ao vivo
A polícia apurou que o grupo em que a transmissão ao vivo foi exibida reúne conteúdo ligado a diversos tipos de violência, como incentivo à automutilação, tortura de animais, racismo, misoginia e abuso e exploração sexual infantil.
O delegado Andrade afirmou que o grupo é "altamente organizado", com lideranças e hierarquia, além de participantes que participam como expectadores.
Além do grupo investigado, outras comunidades do tipo se autodenominam 'panelas' e têm integrantes de todo o país.
No momento do crime registrado em Vila Velha, de sete a nove pessoas coordenavam o chat, além de quem assistia.
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O delegado Andrade alertou ainda que adolescentes podem esconder aplicativos de mensagens disfarçados de calculadora ou bloco de notas, o que dificulta a identificação por pais e responsáveis.
Uma forma de perceber a manobra, segundo Andrade, é consultar nas configurações do celular o tempo de uso de cada aplicativo e verificar em qual o adolescente passa mais tempo.
Espectador pode ser responsabilizado
Advogado explica se quem assiste ou incentiva violência pode ser punido
Ao g1, o advogado Bruno Guerra, especialista em Direito Virtual, explicou que, se a estrutura hierárquica for comprovada, quem comandava o grupo pode responder por organização criminosa e quem assistiu também pode ser responsabilizado.
“Se comprovadas a organização e estrutura hierárquica, essas pessoas podem responder por organização criminosa. Para as que assistiram, o comportamento durante as lives vai ter que ser avaliado caso a caso para identificar quais tipos penais foram praticados”, explicou o especialista.
Ele lembrou ainda que gravar, compartilhar e armazenar conteúdo de exploração sexual é crime.
Os adolescentes envolvidos podem receber medidas socioeducativas, que vão de advertência e trabalho comunitário até internação, e os adultos podem ter penas superiores a 14 anos, conforme o enquadramento.
*Texto produzido por Guilherme Marques, aluno do 29º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação e edição de Carol Leal.
Tortura e abuso de menina em Vila Velha, no Espírito Santo, foram transmitidos ao vivo para mais de 300 menores na internet — Foto: Divulgação/Polícia Civil
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Source: G1
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