A estrutura, implantada em 2001 e modernizada em 2006, é responsável por tratar a água utilizada tanto no processo industrial quanto nos banheiros e refeitórios. Segundo o gerente de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente, Tiago Sanchez, o sistema combina processos físicos e biológicos para remover os poluentes antes que a água tratada seja devolvida ao meio ambiente.

Indústrias investem em soluções sustentáveis no interior de SP — Foto: TV TEM/ Reprodução

"A estação está desde 2001 e sofreu mudanças em 2006. Trata água tanto do processo industrial como dos banheiros e refeitório. A água sofre um tratamento biológico e físico. A água limpa volta para a cidade, e os resíduos vão para empresas especializadas", explica.

A estação consegue recuperar até um milhão de litros de água por mês. Todo o processo é acompanhado de perto por profissionais que monitoram as etapas do tratamento e realizam análises para garantir que os parâmetros de qualidade sejam respeitados.

O técnico químico Antônio Marcos Máximo é um dos responsáveis por esse trabalho. Ele explica que o tratamento envolve tanto os resíduos líquidos gerados na produção quanto aqueles provenientes das instalações sanitárias. A análise segue critérios para garantia dos padrões ambientais.

"Fazemos o tratamento do efluente industrial e sanitário. A gente recebe pela tubulação e faz o processo por batelada, com análises, parâmetros e controle de quantidade", conta.

Além do cuidado com a água, a indústria também investe na destinação correta dos resíduos sólidos gerados durante a fabricação dos produtos. Sobras de papel, arames e plásticos utilizados na produção de cadernos, por exemplo, são separados, compactados e encaminhados para reciclagem.

A prática segue o conceito de economia circular, em que materiais que seriam descartados podem retornar à cadeia produtiva e se transformar em novos produtos.

A empresa também utiliza papel com certificação FSC, que garante a origem responsável da matéria-prima e permite a rastreabilidade da produção.

Indústria do setor de papelarias faz o reaproveitamento de milhões de litros de água em Bauru — Foto: TV TEM/ Reprodução

Energia renovável a partir da produção de celulose

Já em Lençóis Paulista, outra indústria do setor de papel e celulose aposta na geração de energia renovável a partir da biomassa de eucalipto. A iniciativa permite abastecer toda a operação da fábrica e ainda gerar excedente para comercialização no mercado nacional.

A produção começa com o processamento da madeira de eucalipto, transformada em pequenos pedaços chamados cavacos. Esse material passa por um processo de cozimento, lavagem e branqueamento até dar origem à celulose.

De acordo com a gerente de Recuperação e Utilidades, Priscila de Almeida Chuffa, o processo começa com a preparação da madeira e a separação dos componentes que serão aproveitados na fabricação da celulose.

" A primeira etapa acontece no preparo de cavaco, das madeiras de eucalipto. Esse cavaco tem celulose e lignina. Depois, ele vai para o digestor, para ser cozido com vapor. A celulose passa por uma etapa de lavagem, seguida pelo branqueamento. Daí a gente tem fardos desse material", explica.

Empresas investem no reaproveitamento de materiais no interior de SP — Foto: TV TEM/ Reprodução

Na unidade, são produzidos três tipos de celulose, utilizados na fabricação de itens presentes no cotidiano, como papel-toalha, papel higiênico, guardanapos, fraldas infantis e até fibras destinadas à indústria têxtil.

Parte da produção abastece o mercado brasileiro, enquanto outra parcela é exportada para países da Ásia, Europa e Estados Unidos. Mas é também durante o processo industrial que surge uma das principais iniciativas ambientais da empresa: a geração de eletricidade a partir da biomassa.

A fábrica utiliza o chamado licor preto, subproduto resultante da produção de celulose e rico em lignina, além de outros componentes químicos. O material passa por um processo de recuperação e é utilizado na geração de vapor, que movimenta os turbogeradores e transforma energia térmica em elétrica.

Segundo Priscila, a capacidade de geração chega a 320 megawatts, volume utilizado para abastecer a própria indústria. O que sobra de energia é comercializado com companhias de abastecimento. A operação da usina termoelétrica é acompanhada por uma central de controle, onde profissionais monitoram a geração e a distribuição da eletricidade.

O operador de Utilidades de Energia, Rodrigo Hernandes, explica que a quantidade de energia disponibilizada para o mercado depende das condições de funcionamento da caldeira.

"Eu sou responsável por monitorar a distribuição, o controle e a geração de energia. A gente tem alguns parâmetros, e a exportação depende da caldeira", relata.

A iniciativa conta com reconhecimento internacional por meio de um selo voltado à produção de energia renovável. Com cerca de oito mil funcionários, a indústria mantém a geração de eletricidade ao longo de todo o ano.

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Source: G1

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