O professor Jeferson Lacerda Probo, transplantado de fígado, comemorou nas redes sociais a conclusão da Maratona de Aracaju 2026, realizada no domingo (1º). O docente completou os 42 quilômetros da prova cerca de sete anos após passar pelo transplante.

Jeferson passou pelo transplante de fígado em novembro de 2019, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Antes da cirurgia, ele enfrentou uma doença hepática grave associada à hemocromatose e ao histórico de obesidade.

🔍 A hemocromatose hereditária é uma doença genética caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro que resulta em lesão tecidual.

"Meu quadro de saúde chegou a um estágio em que o transplante se tornou necessário para que eu pudesse continuar vivendo", disse ao g1.

"Receber um órgão foi muito mais do que passar por uma cirurgia, foi ganhar uma segunda oportunidade de vida. Existe uma família que, mesmo em um momento de profunda dor, teve a generosidade de autorizar a doação. Carrego essa responsabilidade e essa gratidão todos os dias. Minha história também é a história de alguém", afirmou.

Jeferson tem 50 anos, mora em Teresina e trabalha no interior do Maranhão. Após o transplante, ele decidiu adotar uma rotina mais ativa e passou a participar de competições esportivas.

Desde então, disputou corridas de rua, provas de 10 quilômetros, meias-maratonas, triatlos e também os Jogos Mundiais para Transplantados, realizados na Austrália, em 2023. Apesar das experiências anteriores, Jeferson diz que a maratona de Aracaju foi diferente.

"Completar uma maratona, percorrendo 42,195 quilômetros, era um desafio diferente. Queria viver essa experiência e, principalmente, mostrar que a vida após um transplante pode ser repleta de projetos, sonhos e conquistas. Corri, caminhei, rezei, chorei e agradeci", disse o maratonista.

A preparação exigiu esforço físico e mental, além de fé e disciplina. Ele mantém acompanhamento médico contínuo, uso de medicamentos imunossupressores, cuidados com a alimentação e exames periódicos.

"Precisei reaprender a respeitar meu corpo e compreender meus limites. Aos poucos, fui recuperando minha autonomia e descobrindo novas possibilidades. Em 2020, comecei a participar de provas de corrida de rua. Depois aprendi a nadar e em 2022, participei do meu primeiro triatlo", detalhou Jeferson.

" Hoje, tenho uma medalha de maratona nas mãos porque uma família, em um momento de dor, permitiu que eu continuasse vivendo [...] Saí de Aracaju com a certeza de que a maior conquista não foi completar uma maratona. Foi estar vivo para vivê-la", finalizou o professor.

Professor piauiense transplantado há 7 anos celebra maratona de 42 km — Foto: Reprodução (Redes sociais/Arquivo pessoal)

Brasil tem 49,7 mil na fila por transplante

Até o mês de outubro, 49.695 pessoas no Brasil esperavam por um órgão compatível, segundo dados do Ministério da Saúde. Já no estado do Piauí, o número de pacientes na fila é 543.

A lista é gerida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é única. Pacientes da rede pública e da privada esperam na mesma fila. A ordem leva em conta o tempo de inscrição, mas também a gravidade de cada caso.

A compatibilidade entre doador e receptor também pesa. Para pulmão e coração, o tamanho do órgão precisa ser adequado ao corpo de quem recebe, o que torna esses órgãos mais difíceis de encontrar.

*Eduarda Barradas, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena.

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Source: G1

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