🔎 O termo de posse trata-se do registro formal de que o candidato eleito, de fato, assume a Presidência da República.
Ao g1, a moradora de Iepê (SP) relembra como foi o processo de transcrever à mão o termo de posse presidencial de 2023. Agora, após quatro anos, fala sobre a expectativa de voltar a Brasília para fazer o processo novamente.
“É uma emoção muito grande, porque eu lembro também do termo de posse anterior e de toda a emoção daquele momento.”
Professora de Iepê (SP) é selecionada para transcrever termo de posse presidencial em Brasília — Foto: Ana Cláudia Palacio/TV TEM
Documento histórico
Ana Paula descreve que o local onde o termo de posse fica também também guarda os registros de todos os outros presidentes da República, desde Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil, de 1889 até 1891, além de centenas de documentos históricos do Império.
O ambiente é totalmente controlado, considerando temperatura e iluminação externa, com profissionais que cuidam especialmente desses documentos, segundo a moradora de Iepê. “Inclusive de materiais que não podem ser retirados dali porque não suportariam as condições externas. Então, eles ficam ali para sobreviver, permanecer por muito tempo.”
“É a responsabilidade da transcrição, mas também o prestígio de participar de um evento com essa relação histórica e saber que faço parte desse momento, que vai ficar nos arquivos do Senado Federal.”
Antes de ser oficialmente selecionada, Ana Paula participou de um processo com outros calígrafos. Segundo a professora, é necessário seguir critérios específicos de como o material deve ser feito.
Para isso, foi necessário enviar um texto como amostra, que já é considerada uma parte do termo de posse. “É trecho inicial que eles querem avaliar. Depois, sai a seleção. Esse processo demora alguns meses, até a divulgação do resultado, mas tudo acontece antes mesmo do resultado das eleições.”
“Antes do termo de posse do presidente atual, fui convidada e enviei o material. Depois, aguardei a seleção e recebi o e-mail informando que tinha sido selecionada. Dessa vez, aconteceu a mesma coisa”, continua.
Professora de Iepê (SP) é selecionada para transcrever termo de posse presidencial em Brasília — Foto: Ana Cláudia Palacio/TV TEM
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Segunda vez selecionada
Na primeira vez, em 2023, Ana Paula relembra que ficou sete dias em Brasília, com todos os custos pagos pelo governo federal, até a cerimônia de posse presidencial, que, em 2027, está prevista para 5 de janeiro.
“Em um dia marcado, fazemos toda a transcrição do documento para o livro de posse. Depois, ficamos lá mais alguns dias, até o dia da posse. Na cerimônia, aguardamos dentro do Senado, enquanto todos os integrantes da mesa assinam”, descreve.
Depois desse rito, o livro volta para a calígrafa, para que ela possa identificar a assinatura de cada pessoa que compôs aquela mesa, do presidente ao secretário, por exemplo.
Ana Paula Alves Barros transcreveu o termo de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília (DF) — Foto: Aquivo pessoal
“A vida segue normalmente com os funcionários do Senado e outros profissionais, mas não participei de nenhuma outra cerimônia. Como são sete dias, aproveitamos para visitar o Museu JK e outros locais históricos de Brasília, para conhecer aquilo que vemos apenas nos livros de história.”
Com anos de experiência na escrita à mão, Ana Paula afirma que o interesse pela caligrafia surgiu quando mais nova, ainda na adolescência. Desde então, pratica diariamente para conseguir o feito esperado.
“A caligrafia não é como a escrita do dia a dia, em que você precisa entregar algo rapidamente. É um material artístico que exige muita lentidão para ficar o mais perfeito possível. Então, sim, treino todos os dias e tenho treinado diariamente.”
Professora de Iepê (SP) é selecionada para transcrever termo de posse presidencial em Brasília — Foto: Ana Cláudia Palacio/TV TEM
Técnica e precisão
No caso do termo de posse, sendo necessária técnica e precisão, a professora afirma que levou praticamente cinco horas na produção, garantindo outro feito: ser a primeira a escrever no terceiro volume do livro.
“Da última vez, passei uma tarde inteira. Se não me engano, comecei por volta das 14h e terminei às 19h. Eu não fiz apenas o termo de posse. Também fiz o termo de abertura do terceiro livro.”
O segundo livro foi encerrado com o presidente Jair Bolsonaro, na eleição anterior. “Com o presidente Lula [2023], tive a responsabilidade de abrir o próximo livro, no qual estarão os registros dos próximos presidentes. Fiz o termo de abertura, que fica na primeira página, e depois o termo de posse do então presidente.”
Este momento ficará marcado para Ana Paula, assim como aconteceu no primeiro convite. “Acho que esse é o maior legado. Sempre pensei muito sobre isso, especialmente ultimamente: o que a gente pode deixar para as pessoas quando não estiver mais aqui?”
“Acho que vivemos muito na memória das pessoas… Quando a gente se vai, continua vivo na memória delas. Na minha visão, esse trabalho vai ficar ali por centenas de anos. É o meu legado enquanto professora de caligrafia, e vou continuar vivendo por meio do termo de posse que transcrevi, que está ali, resguardado e muito bem cuidado no arquivo do Senado Federal.”
Professora de Iepê (SP) é selecionada para transcrever termo de posse presidencial em Brasília — Foto: Ana Cláudia Palacio/TV TEM
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Source: G1
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