O irmão da vítima, Procópio José Brito de Oliveira, de 80 anos, foi preso em flagrante pelo crime. O g1 tenta contato com a defesa do suspeito.
A audiência de custódia de Procópio na Justiça estava marcada para a manhã desta sexta-feira (30), mas foi adiada, pois ele passou mal enquanto estava detido na delegacia e precisou ser levado às pressas para o hospital do município. Ele aguarda alta médica para concluir o procedimento.
As marcas de sangue achadas pela polícia indicam que a violência começou dentro da residência de Justino. O corpo dele foi achado com machucados e queimaduras a cerca de 80 metros da casa, na plantação de cacau da família.
Ao lado do corpo, a perícia recolheu a tampa de um galão de combustível. Familiares reconheceram que o recipiente pertencia à casa de farinha da própria chácara.
Após testemunhas serem ouvidas, o caso, inicialmente registrado como homicídio simples, passou a ser tratado como homicídio qualificado com emprego de fogo, meio insidioso ou cruel. Entenda mais abaixo.
Possível homicídio qualificado
O filho da vítima, de 47 anos, relatou à Polícia Militar que o pai havia sido ameaçado pelo irmão na terça-feira (27), um dia antes de ser encontrado morto. Ele também contou que Procópio já havia avisado aos familiares que cometeria o crime, mas as ameaças não foram levadas a sério.
Outras testemunhas disseram que Procópio apresentava comportamento agressivo e falas desconexas há cerca de três meses. Ele dizia aos moradores da região que andava com uma arma cortante e chegou a ameaçar um vizinho, afirmando que o mataria caso ele "olhasse para a cara dele".
As testemunhas reforçaram que, ao contrário do irmão, Justino era um morador pacífico e vivia na região há 10 anos sem desavenças com nenhum outro morador.
Dias antes do crime, durante uma reunião familiar, o suspeito ameaçou matar fiscais do Ibama caso aparecessem na chácara. Ao ser repreendido por um sobrinho, filho da vítima, Procópio se irritou e disse que mataria o irmão Justino.
Apesar da idade avançada, os parentes relataram à polícia que Procópio possui vigor físico para ter cometido o crime. Isso porque ele trabalhava diariamente em serviços pesados de roça, fazendo o corte e a derrubada de madeira com machado e foice.
Prisão
Quando foi preso, Procópio apresentava sinais de embriaguez e tinha um corte nos dedos da mão. Aos policiais, ele alegou que escorregou em uma ladeira enquanto ia pedir dinheiro emprestado ao sobrinho, e acabou se cortando acidentalmente no próprio facão.
A versão foi desmentida pelo próprio sobrinho, que garantiu à polícia que o idoso não passou perto da casa dele naquele horário. A família já suspeitava do crime porque o genro de Justino cruzou com Procópio na estrada na manhã de quarta-feira. Ele caminhava em direção à chácara com um facão na mão e não respondeu ao ser cumprimentado.
Ao voltar do trabalho no fim do dia, o genro encontrou a casa de Justino com as luzes apagadas, alimentos intocados no quintal e mato cortado no terreno. Ele usou uma lanterna e teve ajuda de uma cadela da propriedade para achar o corpo de Justino.
Os investigadores apreenderam o facão de 40 centímetros, uma camisa azul e uma bermuda que Procópio usava no dia do crime. As roupas foram enviadas para perícia para identificar se há vestígios de sangue da vítima.
Agora no g1
Source: G1
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