PF pede afastamento imediato do prefeito de Jaú por suspeita de 'gabinete paralelo' e corrupção

Relatório final indicia Ivan Cassaro e outras 12 pessoas por corrupção e crimes eleitorais; PF aponta coação de empresário para financiar ataques a adversários e elogios à gestão em Jaú.


  • A Polícia Federal de Bauru pediu o afastamento imediato de Ivan Cassaro, prefeito de Jaú. O pedido faz parte de inquérito sobre corrupção e organização criminosa.

  • A investigação aponta que um esquema na administração municipal pagava comunicadores para elogiar a gestão. O grupo também atacava adversários políticos com desinformação.

  • Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas no relatório. O esquema foi alvo da Operação Mídia Cativa, deflagrada em maio de 2026 com mandados de busca.

  • A Prefeitura de Jaú declarou que o caso corre em segredo de Justiça. A administração e o prefeito se manifestarão exclusivamente no processo judicial.

Ivan Cassaro, prefeito de Jaú (SP) — Foto: Reprodução/Ivan Cassaro/Facebook

A Polícia Federal de Bauru (SP) pediu o afastamento cautelar imediato de Ivan Cassaro (PSD) do cargo de prefeito de Jaú (SP). A solicitação consta no relatório final de um inquérito que apura corrupção, organização criminosa e crimes eleitorais envolvendo o chefe do Executivo e outras 12 pessoas.

Segundo a PF, o afastamento busca evitar retaliações ou intimidação a testemunhas e colaboradores, já que o prefeito mantém poder de influência sobre os servidores públicos. Cassaro foi indiciado por corrupção passiva, organização criminosa e corrupção eleitoral. Esse é o segundo mandato do político, que venceu a disputa nas eleições municipais de 2024.

'Gabinete paralelo' e pagamentos via PIX

  • Rede de páginas e rádio: radialistas, influenciadores e administradores de páginas regionais recebiam remunerações clandestinas em torno de R$ 1,5 mil por mês;
  • Extorsão de fornecedor: o responsável pelas obras do estádio municipal revelou, por meio de ata notarial com 24 áudios, que medições e pagamentos da obra ficavam travados na prefeitura até que ele fizesse repasses via Pix diretamente aos comunicadores indicados pelo gabinete;
  • Beneficiário final: conforme a polícia, todo o esquema funcionava para promover artificialmente a imagem de Cassaro e influenciar o eleitorado local.

Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas no relatório final. São elas:

  • Ivan Cassaro, prefeito de Jaú;
  • Um secretário e um ex-secretário municipal;
  • Dois empresários;
  • Sete comunicadores;
  • A esposa de um dos comunicadores.

Operação Mídia Cativa

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O esquema foi alvo da Operação Mídia Cativa, deflagrada em maio de 2026, quando agentes federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) em Jaú, Dois Córregos (SP) e Nhandeara (SP).

De acordo com o inquérito, um ex-secretário coordenava os repasses financeiros clandestinos e cobrava as publicações. Já um secretário em exercício enviava pautas, vídeos e orientações editoriais sobre quem deveria ser elogiado ou criticado.

A Polícia Federal deflagrou operação que investiga crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa e abuso de poder econômico — Foto: Polícia Federal

O que diz a prefeitura

Em nota oficial, a Prefeitura de Jaú afirmou que o caso corre sob segredo de justiça e que todas as manifestações serão apresentadas exclusivamente no processo judicial. A administração destacou que a nota também representa o posicionamento pessoal do prefeito Ivan Cassaro.

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