Flávio Bolsonaro não entregou o documento. O prazo para que apresentasse o passaporte terminou às 11h desta terça-feira (27).


Flávio Bolsonaro em pronunciamento após perder eleição. — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

A Polícia Federal (PF) apontou risco de fuga em pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreender o passaporte do candidato derrotado nas eleições presidenciais Flávio Bolsonaro (PL).

O pedido da PF lembrou de declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país em caso de derrota na disputa ao Palácio do Planalto.

"Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo".

Ainda de acordo com a PF, o posicionamento de Eduardo "não pode ser examinado de forma isolada".

A corporação ressaltou também no documento que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, está fora do país desde 25 de agosto. Para a PF, isso ocorreu mesmo após Moraes ter determinado a proibição de sua saída do país e o cancelamento de todos os seus passaportes.

"Conforme já evidenciado nos autos, WILLER TOMAZ dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje."

A decisão de Moraes, após ter sido acionado pela PF, faz parte do processo em que Flávio Bolsonaro é investigado pela relação com o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e apostas esportivas. O caso segue em sigilo de justiça.

Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No pedido, a PF cita cita ainda a suspeita, em averiguação, de que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido utilizados para a manutenção da estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O deputado cassado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

"Somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que EDUARDO BOLSONARO, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por DANIEL VORCARO, por intermédio do doleiro ANTONIO FREIXO. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense".

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