O fóssil, que seria o fêmur de um titanossauro, foi localizado em julho de 2026, na região de Bagua Grande, a cerca de mil quilômetros de Lima. A descoberta contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
"É mais fácil, às vezes, ganhar na loteria do que achar um fóssil desse tamanho, muito bem preservado", afirmou o geólogo Alessandro Batezelli, da Unicamp.
🦕 Os titanossauros eram dinossauros herbívoros conhecidos pelo pescoço comprido e pelas grandes dimensões. Mas ainda há perguntas a responder sobre o animal ao qual o osso pertenceu.
Esta reportagem faz parte da série “Unicamp 60”, produzida pela EPTV em comemoração às seis décadas da Universidade Estadual de Campinas. Exibida no EPTV 2, a produção reúne cinco episódios que mostram, por meio de pesquisas e histórias de vida, como a universidade transforma a sociedade e contribui para o desenvolvimento do Brasil.
Uma expedição, diferentes descobertas
Possível fêmur de titanossauro encontrado por pesquisadores brasileiros e peruanos durante expedição científica em Bagua Grande, no norte do Peru, em julho de 2026 — Foto: Alessandro Batezelli/Arquivo pessoal
O osso de titanossauro não foi o único achado da expedição. Os cientistas também localizaram fósseis de crocodilos, incluindo um crânio que, segundo Batezelli, nunca havia sido encontrado naquela região.
A descoberta reuniu pesquisadores da Universidad Nacional de Trujillo (UNT), do Serviço Geológico Peruano, da Unicamp e da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP).
Para Batezelli, encontrar o osso de dinossauro na reta final dos trabalhos foi motivo de comemoração. O material foi apresentado publicamente pela primeira vez na reportagem da EPTV.
O que acontece depois de encontrar um fóssil?
Crânio fossilizado de crocodilo encontrado por pesquisadores brasileiros e peruanos durante expedição científica em Bagua Grande, no norte do Peru, em julho de 2026 — Foto: Alessandro Batezelli/Arquivo pessoal
A descoberta no campo é apenas uma etapa do trabalho dos paleontólogos. Antes de ser estudado, o material precisa passar por uma preparação cuidadosa.
Isso porque os fósseis chegam ao laboratório ainda envolvidos pelas rochas nas quais ficaram preservados. É necessário retirar esse material para expor as estruturas que serão examinadas.
"Esse trabalho aqui é retirar a rocha e expor o fóssil para que ele possa ser analisado, identificar se é uma espécie nova ou não, as características anatômicas dele", explicou o paleontólogo Max Cardoso Langer, da USP de Ribeirão Preto.
É essa análise que poderá revelar mais detalhes sobre o dinossauro encontrado no Peru e ajudar os cientistas a compreender a fauna que existiu na região.
🌎 O passado ajuda a entender o futuro
O paleontólogo Max Cardoso Langer, da USP de Ribeirão Preto, trabalha na preparação de um fóssil para análise em laboratório — Foto: Reprodução/EPTV
Para os pesquisadores, estudar os animais que desapareceram da Terra também é uma maneira de compreender as transformações pelas quais o planeta passou.
"O planeta Terra não é desse jeito. O planeta Terra está desse jeito. Ele teve muitas mudanças no passado e ainda vai ter muitas mudanças no futuro", refletiu Langer.
Milhões de anos separam os dinossauros da humanidade. Nesse intervalo, espécies surgiram, desapareceram e deram lugar a outras formas de vida.
O osso encontrado no Peru é mais uma peça desse passado que a ciência tenta reconstruir. E, como lembra Batezelli, ainda há muita coisa para descobrir.
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Source: G1
At a glance
- Topic
- World
- Country
- 🇧🇷 BR
- Publisher language
- PT
- Added to Allnira