Alessandra estava presa preventivamente desde setembro de 2025, quando foi alvo da Operação Sharpe, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP e pela Polícia Militar. Na época, investigadores a apontaram como uma das lideranças de um esquema ligado ao PCC na Favela do Moinho, no Centro da capital. Outras nove pessoas foram presas na ação, entre elas o marido de Alessandra, Roberto Gonçalves da Cruz, e a filha dela, Yasmin Moja.
Na decisão, o magistrado afirmou que, embora o processo ainda esteja em andamento e envolva uma investigação complexa, a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas cautelares. O juiz destacou que Alessandra é mãe de uma adolescente e de um filho com transtorno do espectro autista que demanda cuidados específicos. Segundo ele, razões humanitárias ligadas à situação dos filhos justificam, neste momento, que ela responda ao processo em liberdade.
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A liberdade foi condicionada ao cumprimento de restrições. Alessandra não poderá deixar a comarca onde reside sem autorização judicial, deverá comparecer à Justiça a cada dois meses, está proibida de se aproximar da região central de São Paulo e de manter contato com outros réus do processo, exceto familiares ou com quem mantenha vínculo conjugal.
Quando a operação foi deflagrada, promotores afirmaram que a Favela do Moinho funcionava como base operacional do PCC e que o grupo exigia pagamentos de famílias que aderiam ao atendimento habitacional para deixar a comunidade. A investigação também apontou que moradores eram ameaçados de perder acesso aos benefícios caso não efetuassem os pagamentos exigidos pela organização criminosa.
Moradores da Favela do Moinho antes de evento com Lula para assinatura de atos relativos à solução habitacional — Foto: João de Mari/g1
A defesa de Alessandra, realizada de forma pro bono pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), pelo Projeto Ale Szafir, do Toron Advogados, e pelo escritório Tofic Advogados, sustenta que as acusações não são respaldadas por provas concretas e que a denúncia se baseia principalmente em relações familiares para atribuir vínculos com atividades criminosas.
Alessandra é irmã do traficante Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho. Apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças do PCC na antiga favela da região central, ele foi condenado a 21 anos de prisão neste mês por organização criminosa e crimes relacionados ao tráfico de drogas.
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A defesa também argumenta que a denúncia não identifica vítimas específicas nem descreve episódios concretos de extorsão. Em relação às acusações de receptação e funcionamento irregular de um ferro-velho, os advogados afirmam que a acusação não aponta quais objetos teriam sido receptados e ressaltam que pessoas apontadas como coautoras desses fatos já foram absolvidas.
Os defensores ainda afirmam que a operação policial ocorreu sem câmeras corporais, registros fotográficos ou acompanhamento presencial de autoridades da Polícia Civil e do Ministério Público durante o cumprimento do mandado de prisão.
A defesa sustenta ainda que Alessandra foi vítima de agressões, tortura e de um flagrante forjado durante a ação policial. Segundo os advogados, as denúncias levaram à abertura de um inquérito policial militar para apurar eventual prática de tortura e violência arbitrária. Eles afirmam que testemunhas ouvidas durante o processo relataram ter ouvido gritos de Alessandra e visto um policial encapuzado circulando pela comunidade com uma bolsa preta durante a operação.
Favela do Moinho antes e depois da desocupação — Foto: Rafael Barbosa - TV Globo
Por fim, os advogados afirmam que a prisão teve motivação política e buscou silenciar uma liderança comunitária que participou das negociações para o reassentamento dos moradores da Favela do Moinho. A defesa sustenta que Alessandra atuou como interlocutora entre a comunidade e o poder público durante o processo de desocupação e pretende demonstrar sua inocência ao longo da ação penal.
O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo sobre as alegações de tortura, agressões e suposto flagrante forjado durante a prisão de Alessandra, bem como sobre a existência e o andamento de eventual investigação envolvendo a atuação dos policiais responsáveis pela operação. Até a última atualização desta reportagem, a pasta não havia se manifestado.
Source: G1
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