Uma das principais bandeiras de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o projeto prevê a transferência da sede administrativa do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo de prédios no entorno da Praça Princesa Isabel.

A construção será feita por meio de uma concessão de 30 anos. O governo estadual entrará com aproximadamente R$ 3,4 bilhões em recursos do Tesouro, enquanto a empresa privada ficará responsável pelas obras e, durante o período da concessão, pela operação e manutenção do complexo. A remuneração estará vinculada ao desempenho e ao cumprimento dos parâmetros estabelecidos no contrato.

Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista — Foto: Divulgação/GESP

Cronograma das obras

Segundo o cronograma divulgado pelo governo, a primeira etapa após a assinatura do contrato será dedicada à elaboração dos planos da concessão, ao desenvolvimento dos projetos básico e executivo e à obtenção das licenças necessárias para a implantação do empreendimento.

Ainda no primeiro ano, estão previstos o início das intervenções no Terminal Luz e as desapropriações. No segundo ano, o cronograma contempla a conclusão dos estudos e projetos executivos, a entrega do terminal e o término das desapropriações e do reassentamento das famílias.

A partir do terceiro ano, devem começar as obras das quadras 24 e 25, da área de urbanização e praça e das quadras 34, 46, 48 e 52. As primeiras entregas estão previstas para o quarto ano, quando também está programado o restauro dos imóveis tombados. A conclusão das demais quadras está prevista para o quinto ano.

Consórcio vencedor

Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26)

Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26)

O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão ao oferecer desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública, valor pago mensalmente pelo estado durante os 30 anos de concessão. O teto previsto era de R$ 76,6 milhões por mês. Com o desconto, o pagamento ficará em R$ 69,2 milhões mensais.

O consórcio é formado pelas empresas Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property.

A empresa também terá o direito de explorar comercialmente o espaço por 30 anos, incluindo estacionamentos, lojas, restaurantes e quiosques que serão erguidos no local.

A empresa vencedora é responsável pelas seguintes obras na área:

Atualmente, cerca de 22 mil servidores estaduais estão distribuídos em mais de 40 endereços na capital. A proposta é centralizar as estruturas em um único local, com redução de custos administrativos e modernização da gestão pública.

Mesmo com a mudança, o governador manterá a residência oficial no Palácio dos Bandeirantes.

Como será o novo centro administrativo

Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista — Foto: Divulgação/GESP

A nova estrutura ocupará quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. O complexo terá capacidade para cerca de 22 mil servidores e contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços institucionais.

Os prédios terão fachadas ativas — com comércio e serviços no térreo — e estacionamentos subterrâneos. Ao todo, serão 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços.

O Palácio dos Campos Elíseos, construção centenária que já foi sede do governo no século passado, será restaurado com móveis originais da década de 1930 e servirá como sala de visitas do governo. Um túnel subterrâneo deve conectar diretamente o edifício à nova sede administrativa.

Além dos prédios administrativos, o plano inclui:

  • Construção de mais de 6 mil moradias na região central, sendo 55% destinadas à população de baixa renda;
  • Ampliação e requalificação da Praça Princesa Isabel, que deve se transformar em um boulevard;
  • Alargamento de calçadas e criação de trechos exclusivos para pedestres;
  • Ampliação em mais de 40% da área verde do parque;
  • Instalação de teatro, auditórios e espaços multiuso.

Ruas como Helvetia, Guaianases e Alameda Glete terão trechos destinados exclusivamente a pedestres. O Terminal Princesa Isabel será desativado e substituído pelo Terminal Luz, com conexão à Estação da Luz por meio de túnel em construção pela CPTM.

A estimativa do governo é que as obras gerem cerca de 38 mil empregos durante a fase de construção, prevista para terminar até 2030.

Comissão escolhe projeto do novo centro administrativo

Comissão escolhe projeto do novo centro administrativo

Desapropriações e impacto social

Para viabilizar o projeto, cerca de 230 imóveis residenciais deverão ser desapropriados. Aproximadamente 600 famílias foram mapeadas na área de intervenção, e parte delas já está cadastrada para indenização ou inclusão em projetos habitacionais.

A estimativa de gastos com desapropriações é de cerca de R$ 500 milhões. Parte da área é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), o que exige a previsão de habitação popular.

Source: G1

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