A condenação foi determinada pela Justiça de São Paulo nesta quinta-feira (29), após dois dias de julgamento no Tribunal do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou a inabilitação de Fernando para dirigir veículos automotores. O empresário não poderá recorrer em liberdade.

Fernando Sastre de Andrade Filho (foto) é o motorista do Porsche envolvido no acidente que matou um motorista por aplicativo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Relembre o caso

Na ocasião, o Porsche conduzido por Fernando bateu na traseira de um Renault Sandero dirigido por Ornaldo da Silva Viana, que morreu em decorrência dos ferimentos.

Segundo a perícia, o Porsche trafegava a cerca de 136 km/h no momento do impacto, em um trecho da avenida onde o limite de velocidade era de 50 km/h.

De acordo com a acusação, Fernando havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir. Durante o julgamento, na quinta-feira (29), o empresário admitiu pela primeira vez ter ingerido álcool naquela noite. Até então, ele negava ter bebido antes de assumir a direção do veículo.

Um amigo de Fernando, que estava no banco do passageiro do Porsche, também ficou ferido no acidente.

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Julgamento

O julgamento começou na quarta-feira (28) e terminou na quinta-feira (29). Ao todo, 14 testemunhas foram arroladas no processo, das quais 11 foram ouvidas durante os dois dias de julgamento.

Entre elas estavam pessoas que relataram o consumo de bebida alcoólica por Fernando antes do acidente. O amigo que estava no Porsche também confirmou que o empresário havia bebido.

Durante o interrogatório, Fernando chorou e pediu perdão às vítimas e aos familiares. Ele afirmou que nunca teve a intenção de provocar o acidente e disse sofrer com o ocorrido.

"Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica", declarou o empresário durante o julgamento.

A defesa contestou as acusações. O advogado Jonas Marzagão afirmou que Fernando permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades e alegou que o empresário não realizou o teste do bafômetro porque os policiais não tinham o equipamento disponível naquele momento.

Penitenciária II de Potim — Foto: TV Vanguarda/Arquivo

Saída do local do acidente

Outro ponto discutido durante o julgamento foi a saída de Fernando do local da colisão sem realizar o teste do bafômetro.

A policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que atendeu à ocorrência, afirmou em depoimento que a mãe do empresário disse que levaria o filho ao hospital por causa de um pequeno sangramento no nariz. Segundo a policial, porém, os dois foram para casa, e não para uma unidade de saúde.

Daisy afirmou que autorizou a saída porque acreditava que Fernando receberia atendimento médico. Ela também declarou que a viatura não tinha um aparelho para realizar o teste do bafômetro naquele momento.

O Ministério Público questionou a atuação dos policiais durante o atendimento da ocorrência. Os agentes que liberaram Fernando se tornaram réus na Justiça Militar.

O que diz a defesa

Durante o julgamento, o advogado Jonas Marzagão afirmou que Fernando é o único motorista envolvido em um acidente com morte que continua preso em São Paulo em um caso semelhante.

A defesa também argumentou que o empresário não deixou o local por iniciativa própria, mas saiu após ser liberado pelas autoridades.

Fernando, por sua vez, afirmou durante o interrogatório que nunca quis provocar o acidente e pediu perdão aos familiares das vítimas.

Apesar dos argumentos apresentados pela defesa, os jurados reconheceram a responsabilidade criminal do empresário, que foi condenado a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão, inicialmente em regime fechado.

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Source: G1

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