Paraguaios que vivem em Pedro Juan Caballero, cidade na fronteira do Paraguai com o Brasil, tiveram prejuízos após a crise envolvendo o banco digital Ueno, que possui cerca de 3 milhões de clientes no país. A instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações.

Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco, que mede sua capacidade de honrar compromissos financeiros, caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas autoridades.

Peña foi acionista do grupo controlador da instituição. A oposição, por sua vez, acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades.

Clientes relatam perdas e falta de informações

A estudante universitária Yeniffer Mendoza tinha um investimento de 1 milhão de guaranis, equivalente à cerca de R$ 900, mas o saldo desapareceu do aplicativo do banco.

"Eu tenho 1 milhão. Tinha, né? Meu pai trabalha no banco, aí ele avisou para mim e para minha mãe. Quando eu acordei, eu olhei o celular e o aplicativo não funcionava e o saldo que a gente tinha desapareceu", contou ao g1.

Segundo Yeniffer, a mãe também perdeu o dinheiro investido e tinha um valor superior ao dela.

"A gente espera poder recuperar o dinheiro. A gente que tem pouca quantidade, vai recuperar. Mas quem tem mais de 500 milhões vai perder uns 50%, como falaram", ressaltou.

O auxiliar administrativo Elias Ruiz mantém investimentos no banco há dois anos. Ele trabalha em uma universidade localizada em frente a uma agência da instituição, e acompanhou a movimentação de clientes nos dias que antecederam o fechamento.

Na segunda-feira (2), ele observou a presença de muitas pessoas na agência. Na terça-feira (3), presenciou o fechamento da unidade, por volta das 7h.

Em entrevista ao g1, Elias afirmou que não esperava que a situação chegasse a esse ponto. Ele disse que teve prejuízos com o fechamento e que não recebeu orientações do banco sobre como proceder. Segundo ele, foi informado sobre um prazo de 15 dias para tentar recuperar parte do valor investido.

O trabalhador de almoxarifado Marco Antônio Vilhalba, que não possui conta no Ueno, também acompanhou os desdobramentos da crise. Ele disse que a população paraguaia foi surpreendida pela situação, principalmente porque, uma semana antes, o presidente havia afirmado que estava tudo bem e que os clientes poderiam confiar na instituição.

Investigações e medidas para proteger os depositantes

Diante da situação, o Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar possíveis impactos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público também solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno.

Nos últimos meses, o banco já estava sob maior fiscalização. Órgãos reguladores investigavam se a instituição havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do banco. A instituição negava a operação.

O caso também provocou desgaste para o governo de Peña e levantou questionamentos sobre a reputação do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros na América do Sul, especialmente de recursos provenientes do Brasil.

Nesse contexto, o então presidente paraguaio pediu a renúncia de Carvallo. O chefe do Banco Central comandou o próprio Ueno até agosto de 2023. Tanto ele quanto a autoridade monetária vinham sendo criticados por parlamentares em relação à fiscalização da instituição.

Peña também manteve vínculo com o grupo controlador do Ueno, do qual foi sócio até março de 2025.

O banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Na terça-feira (3), clientes procuraram agências da instituição, mas encontraram as portas fechadas.

Em resposta à crise, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para realizar pagamentos aos depositantes.

Ele afirmou ainda que a medida deverá assegurar a devolução de recursos públicos, incluindo valores mantidos pelo Instituto de Previdência Social (IPS) e por outros fundos públicos de previdência.

A estudante universitária Yeniffer Mendoza tinha um investimento de 1 milhão de guaranis no banco Ueno. — Foto: Mauro Almeida/TV Morena

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Source: G1

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