Nesta terça-feira (27), os vereadores foram ao plenário para manifestar repúdio à violência política e de gênero. Em seu pronunciamento, Iara Pimentel relembrou as agressões. Ela teve um corte profundo no supercílio, uma fratura no nariz e escoriações, além de ter apresentado convulsões.
"Nós fomos acuados e atacados, isso não é disputa política, é crime. Crime contra a vida, é o ódio ao diferente e a gente não acredita que nossa cidade de Montes Claros possa se curvar a isso. Montes Claros não aceita esse tipo de situação, eu também não aceito e acredito nas instituições. A Polícia Federal está fazendo a devida investigação. Eu passei pelo hospital, eu convulsionei e isso poderia ter tirado a minha vida", disse em entrevista à TV Câmara.
Vereadora Iara Pimentel foi ferida no rosto — Foto: Redes sociais
Durante a reunião, o vereador Daniel Dias (PCdoB) protocolou um ofício solicitando que a Câmara Municipal e a Procuradoria da Mulher adotem as medidas cabíveis em relação à agressão. O documento pede que as instituições acompanhem o andamento das investigações.
"A agressão à vereadora Iara Pimentel poderia ter ceifado a vida dela, a gente não pode achar isso normal, a gente tem que garantir esse direito e nós lutamos muito, vivemos 30 anos em uma ditadura sem o direito à livre expressão política e, quando a gente ganha isso, a gente não pode permitir que episódios como esse possam se repetir", falou à TV Câmara.
A vereadora Maria Helena Lopes, do MDB, que representa a Procuradoria da Mulher, informou que a Procuradoria da Mulher da Câmara vai acompanhar os desdobramentos das investigações.
"Nós já encaminhamos para a assessoria jurídica da Procuradoria da Mulher para acompanhar todo o processo na Polícia Federal, onde foi instaurado inquérito, e estamos buscando o apoio da Delegacia da Mulher com relação à Lei 14.192, que prevê justamente sobre a questão da violência contra a mulher na política. Ela estava num ato político, dentro do seu direito constitucional, e foi agredida."
Relembre a agressão
Na véspera da eleição, a vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros (MG), foi atingida por agressores durante uma carreata de apoio ao candidato à Presidência Lula.
Vídeos que circulam nas redes sociais (veja abaixo) mostram objetos sendo arremessados contra o carro de som onde ela estava. A parlamentar foi ferida no rosto e deixou o local em uma ambulância do Samu.
Vereadora do PT é atacada em carreata pró-Lula em Montes Claros, MG
Em uma nota de repúdio publicada nas redes sociais, Iara Pimentel afirmou que o carro de som foi atingido por garrafas de vidro, tijolos e outros itens.
“É inadmissível que pessoas sejam agredidas por expressarem suas posições políticas. Nenhuma divergência política justifica a violência. A democracia pressupõe liberdade de manifestação, respeito às diferenças e o direito de participar da vida política sem medo de ameaças ou agressões”, diz um trecho da nota.
Os agressores não haviam sido identificados até a última atualização desta reportagem, mas usavam roupas amarelas, com bandeira do Brasil e com o número 22, alusivos à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Veja o posicionamento do partido abaixo.
Em nota, a Polícia Militar informou que o conflito teve início após o encontro de duas carreatas, ocasião em que houve relatos de arremesso de objetos e agressões físicas. Equipes da PM atuaram na contenção do tumulto e no levantamento de informações sobre os fatos.
O que disse o PL
Em nota oficial, a Comissão Provisória Municipal do Partido Liberal (PL) de Montes Claros repudiou os episódios de violência registrados durante manifestações políticas na cidade e afirmou ter compromisso com a democracia e a livre manifestação. O partido destacou que "repudia todo e qualquer tipo de violência, independentemente de sua origem ou motivação político-partidária".
No documento, o PL informou que havia comunicado previamente à Polícia Militar sobre a possibilidade de concentração de apoiadores na Avenida Deputado Esteves Rodrigues.
A legenda também afirmou que "a carreata do Partido dos Trabalhadores (PT), acompanhada de trio elétrico, optou por atravessar o local onde se encontravam concentrados manifestantes de corrente política adversária", apesar da existência de vias alternativas.
Segundo o partido, a decisão demonstrou "falta de bom senso e prudência" e acabou provocando "atritos e conflitos absolutamente desnecessários".
A nota também lamenta as agressões sofridas pela vereadora Iara de Fátima Pimentel Veloso e manifestou solidariedade a um apoiador do PL que relatou ter sido agredido por pessoas que usavam vestimentas associadas ao PT. O documento informa que a Polícia Militar constatou lesões aparentes, como corte no lábio superior e escoriações, além do relato de fratura em três dentes.
Por fim, o PL defendeu a "rigorosa apuração dos acontecimentos", com a identificação e responsabilização dos envolvidos, e reforçou que "a violência jamais poderá substituir o diálogo e o respeito às diferenças".
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Source: G1
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