Ao longo de cerca de 50 mil quilômetros, o ex-militar passou por 29 países, atravessou florestas, montanhas e desertos, cruzou o Estreito de Bering e chegou a atravessar o Canal da Mancha a nado.
“Não fiz isso sozinho. Havia uma grande equipe, a maior equipe: a Terra. Foi isso que foi necessário para que eu pudesse retornar”, disse Bushby diante de cerca de 500 pessoas reunidas no centro de Hull.
A jornada, iniciada no sul do Chile em 1998, enfrentou longas interrupções provocadas por problemas com vistos, pela crise financeira de 2008 e pela pandemia de Covid-19.
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Bushby estabeleceu duas regras quando começou o desafio: não usar nenhum meio de transporte e não voltar para casa antes de completá-lo.
O ex-paraquedista do Exército britânico percorreu as Américas, cruzou o Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, e depois seguiu pela Ásia Central até a Europa.
Após a cerimônia organizada nesta segunda-feira pela prefeitura de Hull, o explorador, hoje com 57 anos, seguiria para a última etapa da jornada, até a casa de sua mãe, Angela. Lá, reencontraria o filho Adam, de 32 anos, e conheceria pessoalmente a neta, de 12.
O ex-militar afirmou estar “absolutamente impressionado” com a recepção.
“Muitas pessoas acompanharam a aventura épica de Karl. Todos nós nos sentimos inspirados por seu espírito, sua tenacidade e sua determinação férrea”, declarou a prefeita de Hull, Maria Coward. Segundo ela, a cidade sente “um enorme orgulho por sua incrível façanha”.
Muitos obstáculos
Bushby iniciou a aventura aos 29 anos, depois do fim de seu casamento e da mudança da ex-mulher para a Irlanda do Norte com o filho do casal.
Ao longo de quase três décadas, a jornada precisou ser interrompida várias vezes.
A Rússia negou visto ao britânico durante anos, e a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19 também provocaram longas interrupções. Segundo Bushby afirmou à AFP no fim de setembro, os períodos em que não pôde avançar somaram 14 dos 28 anos da jornada.
Durante essas interrupções, Bushby viveu temporariamente em diferentes lugares, entre eles o México.
Quando conseguia retomar o percurso, Bushby voltava exatamente ao ponto onde havia parado.
Bushby chegou ao Reino Unido no início de outubro, depois de atravessar a nado o Canal da Mancha, partindo do norte da França.
Um pequeno grupo de amigos e familiares, incluindo o pai, o recebeu em uma praia perto de Dover, no sul da Inglaterra.
Documentário
“É maravilhoso voltar a sentir o solo britânico sob meus pés depois de tantos anos”, declarou Bushby em comunicado.
“Não tem sido fácil, mas este era justamente o objetivo: demonstrar que eu podia fazer mais do que acreditava ser capaz de fazer. Todos podemos alcançar muito mais do que imaginamos”, acrescentou.
O cineasta alemão Werner Herzog e uma equipe de filmagem acompanharam Bushby na etapa final da jornada, de volta para casa.
O diretor prepara um documentário sobre a jornada de Bushby, intitulado “Walk of Life”.
A produtora do documentário deu apoio financeiro e logístico à jornada de Bushby durante os últimos 16 anos.
Em entrevista à AFP no mês passado, no norte da França, Bushby admitiu estar apreensivo com a perspectiva de voltar a uma vida normal no Reino Unido.
“Vou ter que tentar me reintegrar ao mundo dos adultos”, afirmou.
Source: G1
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