Parte dessa história está ligada à própria característica da indústria do couro, que é transformar um subproduto da cadeia da carne em uma matéria-prima durável e utilizada em segmentos como o automotivo, moveleiro, de moda e calçados.

Da origem familiar à atuação internacional

Fundada em 1954 em Caçador, Santa Catarina, a Viposa deu seus primeiros passos de sua história de décadas a partir de uma estrutura familiar modesta. A virada veio com a liderança de Elias Seleme Neto, que estabeleceu as bases e a visão necessárias para promover o crescimento, profissionalizar a gestão, expandir as fronteiras da empresa e transformá-la em uma organização com presença no mercado internacional.

A Viposa construiu sua trajetória preservando os valores de uma empresa de origem familiar e, ao mesmo tempo, profissionalizando continuamente sua gestão. Crescemos entendendo que tradição não significa fazer as coisas sempre da mesma forma. Significa preservar valores importantes - relações de confiança, compromisso, visão de longo prazo e respeito às pessoas - enquanto processos, tecnologia, controles e modelos de gestão precisam evoluir", conta Eduardo Seleme, CEO da empresa.

Segundo Eduardo, essa combinação foi fundamental para a internacionalização da companhia. Hoje, aproximadamente 70% da produção é destinada ao mercado externo, atendendo a clientes e segmentos que exigem altos padrões de qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e consistência.

A atuação internacional também exige adaptação contínua dos processos, da tecnologia e dos controles adotados pela empresa.

"A experiência construída nesses mais de 70 anos nos dá uma base sólida, enquanto a inovação e a profissionalização nos permitem olhar para o futuro. É essa combinação que sustenta nossa visão de sermos uma parceira para o futuro", pontua Eduardo Seleme.

Escala de produção e impacto econômico

Atualmente, a companhia mantém três unidades industriais - localizadas em Caçador (SC), Várzea Grande (MT) e Nova Andradina (MS) - e processa aproximadamente 3 milhões de peles por ano. A operação reúne mais de 1.500 colaboradores e movimenta uma cadeia que se estende além das próprias fábricas.

Em Santa Catarina, segundo a empresa, a presença da Viposa contribui para a geração de empregos, o desenvolvimento de conhecimento técnico, a qualificação da mão de obra e o fortalecimento da indústria regional.

A indústria do couro catarinense também está inserida em uma lógica de circularidade ao transformar um subproduto da cadeia da carne, que precisaria ter outra destinação, em uma matéria-prima durável e de maior valor agregado.

"Quando falamos em uma empresa com mais de 1.500 colaboradores, três unidades industriais e processamento de aproximadamente 3 milhões de peles por ano, estamos falando de um impacto que vai muito além dos nossos portões. A indústria do couro tem também uma característica muito importante: é essencialmente uma indústria recicladora, pois transforma um subproduto da cadeia da carne, que precisaria ter outra destinação, em uma matéria-prima nobre, durável e de alto valor agregado", afirma o CEO.

Cada pele possui características próprias, o que exige conhecimento técnico, tecnologia e processos industriais para transformá-la em couro destinado a diferentes aplicações. O resultado, além de abastecer mercados no Brasil e no exterior, também movimenta uma cadeia formada por frigoríficos, transportadores, fornecedores de insumos, manutenção, equipamentos e serviços especializados.

"Por isso, fortalecer a cadeia do couro significa também agregar valor a uma matéria-prima que já existe, promovendo circularidade, sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento econômico", pontua.

Do couro aos calçados de segurança

A atuação da Viposa é diversificada e se estende por diferentes etapas da cadeia do couro. Além da matéria-prima destinada a vários setores industriais, a empresa desenvolve cabedais e mantém uma frente de calçados de segurança.

Para Eduardo, "a Viposa atua em diferentes elos e mercados da cadeia do couro. O couro produzido pela empresa atende aplicações como automotivo, móveis, moda, calçados e outros segmentos industriais. Os cabedais representam outro mercado importante, agregando desenvolvimento e transformação à matéria-prima e atendendo clientes no exterior. Já os calçados de segurança aproximam a marca do usuário final e representam uma frente específica de atuação, voltada à proteção, conforto e desempenho em diferentes ambientes profissionais".

A diversificação da operação ajuda a explicar como uma empresa de origem familiar passou a atuar em diferentes etapas da cadeia, em mercados dentro e fora do Brasil.

"Essa diversificação permite combinar a experiência adquirida em mercados internacionais altamente exigentes com a capacidade de desenvolver soluções de maior valor agregado. Mais do que um portfólio amplo, buscamos ter conhecimento e competência em diferentes etapas da cadeia", conclui o CEO, Eduardo Seleme.

Source: G1

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