Em uma das gravações, as duas onças aparecem próximas ao muro do imóvel, enquanto as aves caminham logo atrás. A movimentação chega a dar a impressão de que as galinhas estão tentando 'expulsar' os visitantes da área.
Apesar da cena curiosa, o flagrante também chama a atenção para a convivência entre a fauna silvestre e as áreas ocupadas pelo ser humano, que avançam sobre ambientes naturais.
Segundo Ercole, os animais vistos nas imagens são jovens. Ele acredita que sejam filhotes de uma fêmea que também circulou pelo local, mas a identificação dos indivíduos e o possível parentesco entre eles não foram confirmados.
“Esses dois que apareceram beirando o muro já são mais sossegados. Acho que são filhotões. A mãe é grandona e muito mais arisca, se abaixa quando percebe alguma coisa”, conta o morador.
Duas onças são flagradas em condomínio — Foto: Ercole José Bononi
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Onças podem aparecer sozinhas ou acompanhadas dos filhotes
Para Yara Barros, bióloga e pesquisadora do Projeto Onças do Iguaçu, as imagens mostram dois indivíduos de onça-parda, mas não permitem afirmar se são mãe e filhote ou dois filhotes.
A especialista explica que as onças-pardas têm hábitos solitários. Por isso, a presença de dois animais juntos não significa necessariamente que formem um casal.
“Onças não andam em casais. Isso acontece apenas durante o cio da fêmea, que pode durar de seis a 16 dias”, explica Yara.
No caso registrado em Novo Horizonte, a hipótese de que os animais sejam mãe e filhote é uma possibilidade levantada pelo morador, mas que precisa ser confirmada.
Morador relata ataques a galinhas-d’angola
Morador começou a perceber a presença das onças depois de encontrar galinhas-d’angola atacadas — Foto: Ercole José Bononi
Ercole conta que começou a perceber a presença das onças depois de encontrar galinhas-d’angola atacadas durante a madrugada. Ao todo, segundo ele, nove aves foram mortas pelos felinos.
O morador relata que os ataques aconteciam principalmente entre três e quatro horas da manhã. A gravação das duas onças próximas ao muro, no entanto, foi feita por volta das quatro horas da tarde, horário que o surpreendeu.
“Eu só sei que tem as onças aqui devido às angolas, que fazem aquele 'tropé'. Senão, a gente não ia saber que tem a onça”, relata.
Ele também afirma ter acompanhado os pontos por onde os animais entravam no condomínio e reforçado uma abertura na tela de alambrado que separa a área de uma mata próxima. Depois do reparo, deixou de avistar as onças do lado de dentro do condomínio, embora acredite que elas continuem circulando nas redondezas.
Além das galinhas, Ercole menciona outros animais silvestres na região, como capivaras, bugios, antas, tamanduás-bandeira e lobos-guarás. Ele também relata ter observado um pônei atacado nas proximidades, em uma propriedade vizinha. Esses episódios, porém, não foram confirmados de forma independente.
Avanço sobre áreas naturais aumenta encontros com a fauna
A presença de animais silvestres perto de casas, chácaras e condomínios precisa ser entendida também a partir das transformações nos ambientes naturais.
A expansão das áreas ocupadas pelo ser humano, o desmatamento e a fragmentação dos habitats reduzem e alteram os espaços utilizados pela fauna, aumentando as possibilidades de encontros com as pessoas.
Em regiões próximas a fragmentos de mata, a presença de animais domésticos também pode favorecer conflitos. Galinhas mantidas em espaços desprotegidos, por exemplo, podem se tornar presas acessíveis para predadores silvestres.
Yara explica que, quando as onças estão na borda da mata e as aves não contam com proteção adequada, como galinheiros reforçados, ataques a galinhas podem acontecer.
Por isso, a recomendação é investir em estruturas que mantenham os animais domésticos protegidos, especialmente durante a noite, e evitar que a presença de presas fáceis atraia os felinos para perto das residências.
Onças-pardas não devem ser perseguidas ou acuadas
Apesar do porte e da força, as onças-pardas geralmente evitam o contato com seres humanos. Quando respeitadas e mantidas a uma distância segura, não costumam representar perigo às pessoas. Ainda assim, são animais silvestres e podem reagir de forma defensiva se forem acuados, perseguidos ou surpreendidos de perto.
Ao encontrar um felino, a orientação é manter distância, não tentar se aproximar para fotografar ou filmar, não oferecer alimento e não bloquear a rota de fuga do animal.
Em situações como a registrada em Novo Horizonte, é importante comunicar os responsáveis pela conservação da fauna, como o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que pode orientar sobre a ocorrência e as medidas adequadas para prevenir conflitos entre a fauna silvestre e os moradores.
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Source: G1
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