O maior crescimento foi constatado no Rio Camanducaia, em Amparo (SP), onde a vazão média foi de 22 mil litros por segundo no mês passado. Em outubro de 2025, a média foi de 2,2 mil litros por segundo.
Já o Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas, registrou no período aumento de 11,3 mil litros por segundo para 38,7 mil litros por segundo — confira o levantamento completo da região abaixo.
Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas (SP) — Foto: Reprodução/EPTV
Os crescimentos são motivados pelas chuvas que atingem tanto as cabeceiras desses mananciais quanto a própria região.
Segundo Aguinaldo Brito Junior, coordenador de projetos do Consórcio PCJ, a tendência é que as cidades não sofram com falta de água em 2026, já que a maior vazão dos rios permite uma maior reservação da água usada no abastecimento.
"Tudo indica que vai ser um ano com abastecimento mais tranquilo do que foi o ano passado, por exemplo. Pelos meses subsequentes, né? A se manter a normalidade, pelo menos", comentou.
O g1 consultou a base de dados do sistema de monitoramento de rios do Consórcio das Bacias PCJ e da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica. Foram levantadas as vazões médias em oito pontos de mananciais que abastecem a região:
Vazões médias registradas em outubro nos rios da região
| Ponto de medição | Vazão média em outubro de 2025 | Vazão média em outubro de 2026 | Aumento |
| Rio Atibaia - captação Valinhos/Campinas | 11,3 mil litros por segundo | 38,7 mil litros por segundo | 3 vezes mais |
| Rio Atibaia - em Paulínia | 12,5 mil litros por segundo | 57 mil litros por segundo | 4 vezes mais |
| Rio Jaguari - em Morungaba | 3,6 mil litros por segundo | 19 mil litros por segundo | 5 vezes mais |
| Rio Jaguari - em Jaguariúna | 4,2 mil litros por segundo | 23,2 mil litros por segundo | 5 vezes mais |
| Rio Camanducaia - em Amparo | 2,2 mil litros por segundo | 22 mil litros por segundo | 10 vezes mais |
| Rio Piracicaba - em Americana | 26,5 mil litros por segundo | 140,2 mil litros por segundo | 5 vezes mais |
| Rio Capivari - em Monte Mor | 4,3 mil litros por segundo | 21,8 mil litros por segundo | 5 vezes mais |
| Rio Jundiaí - em Indaiatuba | 3,9 mil litros por segundo | 20,6 mil litros por segundo | 5 vezes mais |
Confira abaixo o mapa dos pontos de medição na região:
Mais chuvas e segurança no abastecimento
De acordo com Aguinaldo, os aumentos nas vazões dos rios estão relacionados ao maior volume de chuvas na região.
Em alguns dias de outubro, por exemplo, alguns mananciais contabilizaram volumes atípicos, como o Rio Piracicaba, em Americana (SP), que chegou a 481 litros por segundo em 26 de outubro de 2026 — impactado por precipitações volumosas por dias seguidos.
"Quando a gente tem chuvas intensas assim, ocorre uma vazão de pico dos rios, porque existe um volume muito alto de água que vai em um período muito curto de tempo para dentro dos rios. E, com isso, há um aumento atípico das vazões", explicou.
Rio Piracicaba, em ponto próximo à captação de água em Americana (SP) — Foto: Reprodução/EPTV
Além do volume elevado, outubro foi marcado pela frequência das precipitações. Tal cenário foi observado não só em Campinas, mas em outras cidades da região, de acordo com o meteorologista Bruno Bainy.
"Parcialmente o El Niño tem essa influência. A gente tem ventos fortes nos níveis mais elevados da troposfera e esses ventos podem ajudar a modular e favorecer a ocorrência de chuvas", disse.
Aguinaldo afirmou que o cenário traz segurança para o abastecimento das cidades. "As vazões, embora estejam baixando, estão baixando para um patamar mais estável, principalmente para os municípios que estão sob influência do sistema Cantareira, onde está chovendo bastante para o período e a água tende a ficar armazenada como garantia", ponderou.
Da situação de emergência à tranquilidade
Na época, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) explicou que o problema era decorrente da má qualidade da água do Rio Piracicaba, que ocorre quando a vazão do manancial é muito baixa.
Quando a qualidade do rio cai, são necessárias mais etapas de tratamento para garantir a potabilidade da água. Além disso, a limpeza de reservatórios se torna mais frequente.
O contraste com a vazão do Rio Piracicaba neste ano, que teve vazão média de 140,2 mil litros por segundo em outubro, trouxe mais tranquilidade para o abastecimento, segundo Fábio Renato Oliveira, superintendente do DAE de Americana.
"A gente tinha de diminuir a velocidade da tratabilidade, porque com algas que tinha davam impacto no esgotamento dos filtros, tinha de fazer aquelas retrolavagens. Foi aquele impacto que ficou um bom tempo sem chover. Agora está chovendo bastante, né? Em comparação ao ano passado", comemorou.
A mudança foi sentida por moradores que sofreram com a falta d'água em 2025. O empresário Luiz Cláudio Izidoro contou que mora no bairro Praia dos Namorados e, no ano passado, chegou a ficar sem água por 10 dias.
"Esse ano, graças a Deus, não faltou água. A qualidade está boa, né? E essa chuvarada encheu os reservatórios todos. É ficar assim, se Deus quiser", relatou.
Por sua vez, o advogado Jailton Ribeiro Chagas destacou que, quando havia seca, a falta de água era constante e anteriormente até mesmo o excesso de água era desculpa. Algumas obras do DAE para corrigir o abastecimento resultaram em melhorias na região onde ele mora, o Parque Novo Mundo.
"Embora as obras atrapalhem o trânsito constantemente, me parece muito mais que essa administração conseguiu organizar melhor as obras e corrigir a falta de água independentemente de chuvas ou não", comentou.
A falta d'água do ano passado fez Americana criar um plano emergencial de investimentos. Entre as medidas adotadas estão a construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) modular de 150 litros por segundo e reformas em filtros e válvulas.
"A gente conseguiu fazer isso durante esse ano. As ETAs estão passando por uma modernização, porque eram equipamentos da década de 50", contou.
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Source: G1
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