Os cosméticos foram desenvolvidos a partir do extrato da fruta, que apresentou resultados promissores nos testes realizados pela equipe, com benefícios como aumento do brilho, maciez, alinhamento dos fios e redução da quebra dos cabelos.

O estudo buscou aproveitar as propriedades naturais do cajá para desenvolver novos ingredientes destinados à indústria cosmética. O projeto envolveu estudantes dos cursos de Engenharia Química e Química Industrial, além de professores dos departamentos de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química da universidade.

De acordo com Melânia Cordélio, pesquisadora do Departamento de Engenharia Química da UFPB, a escolha da fruta levou em consideração sua composição química e o potencial de aproveitamento da biodiversidade nordestina na fabricação de produtos com maior valor agregado.

“A espécie escolhida foi Spondias mombin L pertencente à família das Anacardiaceae que no Brasil é encontrada principalmente nos Estados do Norte e Nordeste, onde seus frutos, são conhecidos como cajá, cajá verdadeiro, cajá-mirim ou taperebá (...) A parte da planta pesquisada foram os frutos que possuem uma composição química interessante contendo: carotenóides, vitamina C, Açúcares e sais minerais em sua composição”, disse.

Agora no g1

Agora no g1

Testes apontaram benefícios para os cabelos

Depois da escolha da matéria-prima, os pesquisadores fizeram testes para avaliar as propriedades do extrato de cajá e sua aplicação na formulação dos cosméticos. Segundo Melânia, os resultados indicaram que o ingrediente pode oferecer benefícios aos cabelos quando comparado a outros ativos naturais e sintéticos utilizados em produtos capilares.

Entre os efeitos observados, estão:

  • a melhora da maciez e do brilho;
  • maior facilidade para pentear;
  • alinhamento dos fios;
  • e aumento da resistência capilar.

Segundo a pesquisadora, esses resultados podem ajudar a diminuir a quebra e o aparecimento de pontas duplas.

“O extrato de cajá tem um grande potencial foi capaz de trazer vários benefícios inéditos aos fios de cabelos tratados com o extrato de cajá em relação a outros ativos naturais e sintéticos como: maciez, brilho, facilidade de pentear, alinhamento dos fios e aumento de resistência dos fios reduzindo a quebra dos fios ou surgimento de pontas duplas”, contou.

Gráfico de pesquisa com o Cajá na produção de cosméticos — Foto: Reprodução Melânia Cornélio.

Pesquisa recebe patente e pode gerar oportunidades de negócios

A tecnologia desenvolvida pela UFPB recebeu uma carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhecimento que protege a inovação e abre caminho para possíveis parcerias com empresas interessadas em produzir e comercializar os cosméticos.

Além do desenvolvimento de novos produtos para o mercado de beleza, a pesquisa pode criar oportunidades econômicas para agricultores familiares e cooperativas que trabalham com o cultivo do cajá. A proposta é ampliar o aproveitamento comercial da fruta, que já é utilizada principalmente pela indústria alimentícia.

“O potencial de mercado é diverso é a possibilidade de agricultores familiares ou cooperativas comercializarem esse ativo para indústria de fornecedores de matérias-primas cosméticas ou empresa de produtos acabados de cosméticos agregando maior valor econômico à produção do cajá na região. Não apenas fornecendo a polpa de cajá para indústria de alimentos diversificando novos mercados”, comentou.

Para a pesquisadora, o desenvolvimento de cosméticos com ingredientes encontrados na biodiversidade brasileira também pode ampliar as opções disponíveis aos consumidores e valorizar matérias-primas nacionais.

“Acredito que o desenvolvimento de cosméticos com frutas da região pode trazer oportunidades para o consumidor experimentar novos ativos naturais com eficácia comprovada. É também uma oportunidade de valorizar nossa biodiversidade. Nós brasileiros temos o hábito de valorizar o que é de fora. Pagamos muito caro por ativos de outros países e esquecemos de valorizar nossa riqueza natural”, acrescentou.

Quando os produtos chegam ao mercado?

Apesar da concessão da patente, ainda não há previsão para que o shampoo e o condicionador à base de cajá sejam comercializados.

A universidade busca empresas e empreendedores interessados em firmar parcerias para viabilizar a produção em larga escala e levar a tecnologia ao mercado.

“Não temos ainda previsão de comercialização mas buscamos empresas e empreendedores que tenham interesse em realizar parcerias comerciais para disponibilizar esse ativo natural em produtos cosméticos. Esse ativo tem aplicação inédita em tratamentos para os cabelos”, finalizou a pesquisadora.

*Sob supervisão de Erickson Nogueira

Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Source: G1

At a glance

Topic
World
Country
🇧🇷 BR
Publisher language
PT
Added to Allnira