A adesão abre caminho para que o município conheça soluções adotadas em outras cidades, capacite servidores e aperfeiçoe políticas públicas de coleta seletiva, reciclagem e compostagem. Porém, a entrada na rede, por si só, não garante mudanças na quantidade de lixo produzida ou descartada: o desafio é transformar o conhecimento adquirido em ações que funcionem no dia a dia da cidade.

Segundo o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Rodrigo Lacerda, a participação representa uma oportunidade de fortalecer as políticas públicas de gestão de resíduos e ampliar a troca de experiências com outras cidades.

A carta de intenção para entrar na rede foi assinada em 25 de agosto, e a aprovação foi comunicada em 28 de setembro. A iniciativa é coordenada pelo Centro Regional da Convenção de Basileia para a Ásia e o Pacífico.

O que significa ser uma cidade Lixo Zero?

O conceito Lixo Zero propõe reduzir a geração de resíduos e aproveitar melhor os materiais antes de encaminhá-los para a destinação final. A proposta prioriza a prevenção do desperdício, a reutilização, a reciclagem e a compostagem dos resíduos orgânicos.

Na prática, isso significa ampliar a quantidade de materiais que podem voltar à cadeia produtiva e diminuir o volume de rejeitos enviado aos aterros sanitários.

Para a população, os possíveis benefícios incluem o melhor aproveitamento dos resíduos, o fortalecimento da coleta seletiva e a valorização do trabalho de catadores e cooperativas. A adoção de práticas adequadas também pode contribuir para reduzir o descarte irregular e seus impactos ambientais.

Esses resultados, no entanto, dependem da qualidade dos serviços públicos, da estrutura disponível para receber e processar os materiais e da participação dos moradores e das empresas.

Responsabilidade compartilhada

Para o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Dmae, Arthur Rosa, um dos principais desafios é fortalecer a responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e população.

De acordo com ele, fazer parte da Rede Internacional Cidades Lixo Zero representa uma oportunidade de aprimorar essas ações, trocar experiências com outras cidades e avançar na construção de soluções cada vez mais eficientes.

Neste cenário, o desafio, segundo ele, é reduzir a geração de resíduos, ampliar o reaproveitamento dos materiais e diminuir o volume encaminhado ao aterro sanitário.

Isso exige mais do que orientar os moradores a separar o lixo. Também depende de estrutura para a coleta, triagem e processamento dos materiais, destinação adequada dos resíduos orgânicos e participação dos setores responsáveis pela produção e comercialização de embalagens e outros produtos.

A entrada na rede pode ajudar a identificar soluções e conhecer experiências de outros municípios, mas a efetividade dessas medidas dependerá da implementação local e do acompanhamento dos resultados.

Como a população pode participar?

A participação dos moradores começa pela redução do desperdício e pela separação adequada dos resíduos, conforme as orientações da coleta municipal.

Entre as medidas estão:

  • Separar os materiais recicláveis dos resíduos orgânicos e dos rejeitos;
  • Encaminhar vidro e outros materiais aos pontos de entrega indicados pelo município;
  • Evitar o descarte irregular de móveis, eletrônicos e outros objetos;
  • Reutilizar materiais sempre que possível e reduzir o consumo de produtos descartáveis;
  • Procurar informações sobre os serviços de coleta seletiva e compostagem disponíveis na cidade.

A adesão de Uberlândia à rede internacional amplia as possibilidades de cooperação e aprendizado. O resultado, porém, dependerá da capacidade de transformar essas experiências em políticas permanentes, com serviços eficientes, participação social e redução efetiva dos resíduos enviados ao aterro sanitário.

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Uberlândia é a primeira cidade de Minas a integrar a Rede Internacional Cidades Lixo Zero, — Foto: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação

Outras ações

A Prefeitura afirma que o município já desenvolve ações relacionadas ao conceito Lixo Zero. Entre elas estão:

  • Coleta seletiva porta a porta: serviço realizado em toda a área urbana;
  • Coleta de vidro: por meio de ecopontos e pontos de entrega voluntária;
  • Compostagem: aproveitamento de resíduos verdes e orgânicos;
  • Cata-Treco: recolhimento de materiais descartados;
  • Cooperativas e associações de catadores: participação na triagem de materiais recicláveis.

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Source: G1

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