Mas a certificação é apenas uma parte da jornada.
Mudar de setor exige entender como o mercado funciona, desenvolver repertório e aprender a conectar conhecimentos anteriores à realidade do agro.
E essa transição pode acontecer a partir de diferentes formações.
Preciso ser agrônomo para trabalhar no agro?
Não.
A formação técnica em Agronomia é essencial para muitas funções ligadas diretamente à produção, mas o agronegócio é muito mais amplo.
Ao redor de uma safra existem profissionais trabalhando com:
- comercialização;
- finanças;
- crédito;
- análise de mercado;
- logística;
- gestão de risco;
- originação;
- tecnologia;
- corretagem;
- relacionamento com clientes;
- consultoria;
- operações.
Isso abre espaço para profissionais vindos de Administração, Economia, Engenharia, Comércio Exterior, mercado financeiro, áreas comerciais e muitas outras formações.
Em alguns casos, a pessoa não precisa necessariamente começar uma carreira do zero.
Ela pode trazer uma competência que já possui e aprender a aplicá-la ao contexto do agronegócio.
Um profissional financeiro, por exemplo, já conhece crédito, investimentos e análise.
Quem vem de vendas já traz habilidades de negociação e relacionamento.
Um profissional de dados pode aplicar sua experiência à inteligência de mercado.
A mudança acontece quando esse conhecimento começa a conversar com as particularidades do setor.
O primeiro desafio é aprender a linguagem do mercado
Toda transição de carreira tem uma curva de aprendizado.
No agro, uma das primeiras barreiras costuma ser a quantidade de conceitos específicos.
Quem começa a acompanhar uma conversa sobre comercialização de soja pode ouvir, em poucos minutos:
Chicago caiu, o dólar subiu, o prêmio mudou e o basis melhorou.
Para quem já está no setor, essa frase pode fazer parte da rotina.
Para quem está chegando, parece outro idioma.
Por isso, antes de pensar apenas em uma vaga, vale construir uma base.
Alguns temas ajudam a entender a lógica do mercado:
- como soja e milho são precificados;
- qual é o papel da Bolsa de Chicago;
- como o câmbio interfere nos preços;
- o que é prêmio;
- o que é basis;
- como funciona o mercado físico;
- para que servem futuros e opções;
- o que é hedge;
- como produtores e empresas gerenciam risco.
Não é necessário dominar tudo antes de enviar o primeiro currículo.
Mas demonstrar familiaridade com esses conceitos ajuda a diminuir a distância entre sua experiência anterior e o novo setor.
Quer começar por essa base?
Não estude apenas commodities. Entenda o negócio do agro.
Outro erro comum é imaginar que trabalhar com commodities significa apenas acompanhar preços.
Quem deseja construir uma carreira consistente precisa entender a cadeia.
Uma saca de soja não nasce em uma tela de trading.
Existe uma propriedade rural que precisa financiar o plantio, comprar insumos, produzir, armazenar, transportar e comercializar.
Depois aparecem cooperativas, cerealistas, corretoras, tradings, indústrias, exportadores, bancos e diferentes prestadores de serviço.
Cada agente olha para o mercado de uma perspectiva diferente.
O produtor pode estar preocupado em proteger margem.
Uma indústria pode precisar garantir matéria-prima.
Uma trading pode administrar posições e logística.
Uma instituição financeira pode estruturar crédito ou soluções para clientes do setor.
Compreender essas diferenças ajuda quem está chegando a identificar onde sua experiência anterior pode gerar mais valor.
Mercado financeiro e agronegócio estão cada vez mais próximos
Uma das transições mais naturais acontece entre mercado financeiro e agro.
Crédito rural, CPRs, contratos futuros, opções, câmbio e gestão de risco são alguns exemplos de pontos em que esses dois universos se encontram.
A própria ANCORD direciona a Agro-100 tanto a profissionais do agronegócio quanto do mercado financeiro. A entidade destaca conhecimentos ligados à formação de preços dos grãos, hedge, estratégias de comercialização e análise de mercado.
Para quem já trabalha com finanças, portanto, o desafio pode não ser aprender novamente conceitos financeiros.
Pode ser entender como eles se aplicam à realidade de um produtor rural ou de uma empresa de commodities.
Essa especialização pode fazer diferença principalmente em funções que atendem clientes ligados ao agro.
E onde existem oportunidades?
Não existe apenas uma “carreira no agro”.
Existem diferentes portas de entrada.
Cooperativas
Podem oferecer oportunidades em comercialização, relacionamento com produtores, inteligência de mercado, crédito, originação e áreas administrativas.
Tradings
Reúnem funções ligadas a originação, trading, operações, logística, exportação, risco e análise de mercado.
Corretoras
Profissionais atuam conectando compradores e vendedores e acompanhando preços, disponibilidade de produto e oportunidades de negociação.
Consultorias
Podem envolver análise de mercado, estratégia comercial e apoio à tomada de decisão.
Instituições financeiras
Bancos, cooperativas de crédito, assessorias e outras instituições precisam de profissionais capazes de compreender as particularidades econômicas e financeiras do agronegócio.
Quer conhecer melhor esses caminhos?
O que as empresas avaliam em quem está fazendo uma transição?
Conhecimento técnico ajuda, mas raramente é o único critério.
Quem está mudando de setor pode ter uma vantagem importante: já traz experiência profissional.
O desafio é mostrar como ela se conecta à nova função.
Algumas competências tendem a atravessar diferentes carreiras:
- capacidade analítica;
- raciocínio comercial;
- negociação;
- comunicação;
- relacionamento;
- organização;
- curiosidade;
- disposição para aprender;
- entendimento de risco.
Também existe valor em mostrar interesse real pelo setor.
Acompanhar mercado, estudar a cadeia, participar de eventos e conhecer as principais empresas demonstra que a transição não nasceu apenas de uma oportunidade de vaga.
Existe um projeto profissional por trás dela.
Onde a Agro-100 entra nessa mudança de carreira?
Segundo a própria ANCORD, a certificação trabalha conhecimentos relacionados a hedge de grãos, formação de preços, estratégias de comercialização e capacidade analítica de mercado. Ela é direcionada a profissionais do mercado financeiro, do agronegócio e a consultores ligados ao setor.
Para quem está migrando de área, isso pode ajudar em três pontos.
1. Criar uma trilha de estudo
Em vez de consumir conteúdos dispersos, o profissional passa a ter uma referência de temas que fazem parte do universo da comercialização agrícola.
2. Aprender a linguagem do setor
Conceitos que inicialmente parecem distantes começam a fazer parte do repertório.
3. Demonstrar desenvolvimento técnico
A certificação pode complementar o currículo e mostrar que o profissional investiu em conhecimento específico sobre o mercado de grãos.
Mas existe um cuidado importante:
certificação não substitui experiência profissional.
Ela também não garante contratação e não é requisito obrigatório para todas as funções do agronegócio.
Seu papel é outro.
Ela ajuda a construir e validar uma base de conhecimento que pode fazer parte de uma estratégia maior de transição de carreira.
Como começar sua transição para o agro?
Se você está pensando em mudar de setor, uma trilha possível é:
☐ 1. Defina onde quer atuar
Trading? Comercial? Mercado financeiro? Consultoria? Cooperativa?
Quanto mais claro o objetivo, mais direcionado será o estudo.
☐ 2. Entenda a cadeia
Conheça produtores, compradores, tradings, cooperativas e instituições financeiras.
☐ 3. Aprenda os fundamentos
Formação de preços, comercialização, risco e dinâmica do mercado de grãos formam uma boa base.
☐ 4. Acompanhe mercado diariamente
Relatórios, notícias e análises ajudam a desenvolver repertório.
☐ 5. Converse com quem já trabalha no setor
Networking também serve para entender funções e descobrir caminhos que você talvez ainda não conheça.
☐ 6. Conecte sua experiência anterior
Não descarte sua trajetória.
Pergunte:
o que eu já sei fazer que também tem valor no agro?
☐ 7. Estruture sua formação
Cursos e certificações podem ajudar a acelerar a construção de conhecimento específico.
Uma transição de carreira não significa começar do zero
Esse talvez seja o ponto mais importante.
Quem migra para o agronegócio não precisa apagar a própria trajetória.
Muitas vezes, a experiência anterior é justamente o diferencial.
O profissional financeiro aprende a falar a linguagem do produtor.
O comercial aprende os fundamentos das commodities.
O analista de dados passa a entender as variáveis que movimentam o mercado.
O gestor aprende as particularidades de uma cadeia ligada a clima, safra e ciclos longos de produção.
A nova carreira surge da combinação entre o que você já sabe e o que ainda precisa aprender.
Prepare-se para a Agro-100 com a Grão Guru School
Para quem decidiu aprofundar o conhecimento sobre comercialização de grãos, a Grão Guru School possui uma jornada preparatória voltada à Certificação ANCORD Agro-100.
A proposta é organizar os principais conteúdos em uma trilha de estudos e ajudar o aluno a desenvolver uma base mais estruturada sobre o mercado.
Quer construir sua base para atuar no mercado de commodities? Prepare-se para a Certificação ANCORD Agro-100 com a Grão Guru School.
Quer conhecer antes de começar?
Você também pode acessar duas aulas gratuitas da Grão Guru School e conhecer a metodologia antes de escolher sua jornada.
Continue acompanhando o mercado
Siga a Grão Guru School no Instagram e acompanhe conteúdos sobre carreira, comercialização, commodities e Certificação ANCORD Agro-100.
Source: G1
At a glance
- Topic
- World
- Country
- 🇧🇷 BR
- Publisher language
- PT
- Added to Allnira