Com medo de novos ataques, uma das moradoras decidiu deixar o sítio, localizado às margens da rodovia Ramão Gomes, que dá acesso à fronteira entre Brasil e Bolívia. As imagens de uma câmera de segurança mostram a onça-pintada se aproximando lentamente da residência. Em determinado momento, o animal chega a se deitar próximo à casa.

Segundo Gerson de Souza Alves, morador da propriedade, a onça chegou a avançar em direção aos cães de estimação da família, que estavam protegidos na varanda. O animal só foi embora depois que os moradores utilizaram uma buzina distribuída na região justamente para afugentar os felinos em situações como essa.

“Escutamos os latidos desesperados dos cachorros. Acordamos e vimos que ela estava rondando a casa, perto da nossa varanda. Os cachorros ficam nesse espaço, que cercamos justamente por esse motivo. Apertamos a buzina para afugentá-la, e ela correu para o mato, mas só depois de muita insistência”, relatou Gerson.
“Desde junho, nós não temos liberdade. Às 17h é o nosso toque de recolher, e ficamos presos até o outro dia. Nós nos sentimos muito abalados, inseguros, com medo e desamparados, pois sabemos que existem órgãos competentes para esse tipo de situação. Porém, nada foi feito”, acrescentou.

O morador também critica a atuação dos órgãos ambientais e cobra medidas mais efetivas para evitar a aproximação das onças das residências. Entre as soluções apontadas pelos moradores está a captura e a transferência dos animais para regiões mais afastadas de Corumbá.

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“Monitorar por câmeras e vir aqui em casa fazer visitas ou rondas depois que ela aparece não é o que nós, como cidadãos, esperávamos como solução”, criticou.

Com medo de um possível ataque, a esposa de Gerson decidiu se mudar para a casa da filha e levou parte dos pertences e os cães da família.

Onça-pintada próxima à residência em Corumbá. — Foto: Arquivo pessoal.

“Ela viu que, depois de todos esses meses, nada foi resolvido. Então, como sempre dizem nas reportagens que estamos no lugar errado, ela decidiu sair, porque percebeu que não há como disputar o espaço com um animal protegido e intocável. Eu continuo aqui por causa de parte das minhas coisas que ainda estão na propriedade, mas agora estou totalmente sozinho”, lamentou.

O avanço das residências sobre a vegetação nativa de Corumbá, localizada no "coração" do Pantanal comumente ocasiona avistamentos e até mesmo ataques a animais domésticos, além de gerar tensão entre os moradores.

Cuidados recomendados pela PMA

A Polícia Militar Ambiental (PMA) orienta moradores que vivem próximos a áreas habitadas por grandes felinos a adotarem uma série de medidas preventivas para reduzir o risco de encontros com esses animais.

  • Manter cães de pequeno e médio porte e gatos recolhidos à noite, em locais seguros, como recintos reforçados ou dentro de casa.
  • Cães de grande porte ou cães de médio porte mantidos em grupos podem permanecer nas proximidades das residências, como medida de proteção.
  • Evitar deixar alimentos para animais domésticos ao ar livre após o anoitecer.
  • Cuidados com o lixo
  • Reforçar as lixeiras e evitar o acúmulo de restos de alimentos nos quintais.
  • Evitar retirar o lixo doméstico ou comercial ao entardecer. Sempre que possível, colocar os resíduos para coleta próximo ao horário em que o serviço será realizado.
  • Não deixar restos de alimentos ou lixo expostos.
  • Não descartar carcaças de animais em terrenos baldios ou nas proximidades das residências.
  • Manejo do ambiente
  • Cortar a vegetação muito densa em terrenos baldios próximos às casas.
  • Manter os lotes limpos para reduzir possíveis abrigos para grandes felinos.

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Source: G1

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