Segundo o diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, os investigados confirmaram que gravaram as mensagens, mas afirmaram que não pretendiam colocar as ameaças em prática.

A declaração foi dada neste sábado (31), durante visita do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, ao estado. Os áudios passaram a ser investigados após a divulgação de mensagens que mencionavam o envenenamento da água consumida por indígenas da comunidade, localizada em Tacuru.

De acordo com Humberto Freire, a investigação foi aberta assim que a corporação tomou conhecimento do caso.

"Ontem já foram ouvidas essas pessoas, confirmaram a prática dos áudios, mas reafirmaram que foi questão de bebedeira e uma questão de aquecimento da questão política logo após o resultado da eleição, mas que não tinha intuito de materializar a ameaça."

Segundo o diretor, os investigados também alegaram não ter meios para executar o que foi dito nas gravações.

"Eles disseram que, de fato, não tinham como materializar aquelas ameaças. Uma das ameaças seria em relação ao envenenamento. Eles chegaram a relacionar, dizer que seria uma brincadeira, que foi uma palavra mal colocada, que foi uma besteira dita", relatou Humberto Freire.

Freire ressaltou, porém, que a Polícia Federal não baseará suas conclusões apenas na versão apresentada pelos servidores e continuará reunindo provas.

"Obviamente nós não ficamos a cargo do que eles disseram. Nós estamos investigando e vamos concluir a investigação mostrando todos os elementos que colhermos."

Os dois servidores foram ouvidos e liberados. Conforme a PF, após a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise de eventuais responsabilizações.

"A investigação tem seu curso. A gente conclui a investigação e encaminha para o Sistema de Justiça. Vamos investigar com rigor e com celeridade porque não vamos admitir qualquer tipo de violência contra indígenas ou qualquer tipo de violência contra pessoas com fundo político", finalizou Freire.

Direto da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire. — Foto: Rony Eloy

Ministro contesta tentativa de minimizar ameaças

Durante a visita a Mato Grosso do Sul, o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Wellington César Lima e Silva, afirmou que as justificativas apresentadas pelos investigados não encerram o caso e que a apuração seguirá até a conclusão do inquérito.

"Tentaram desqualificar a seriedade da ameaça, alegando que não teriam condição de fazer, que teria sido algo fruto de uma bebedeira ou algo parecido. Mas tudo isso vai ser apurado. A Polícia Federal já ouviu os dois e nós vamos, assim que a Polícia Federal concluir o expediente, detalhar a motivação e as alegações deles."

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Entenda o caso

Nas mensagens, os autores defendem ações violentas contra moradores da Aldeia Sassoró. Um dos trechos menciona a possibilidade de contaminar a água consumida pela comunidade indígena.

Após a repercussão do caso, um dos servidores foi afastado das funções. A PF instaurou investigação para apurar possíveis crimes relacionados às ameaças, enquanto forças de segurança estaduais e federais passaram a monitorar a situação na região.

Em visita a Mato Grosso do Sul neste sábado (31), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena afirmou que ataques contra indígenas serão tratados com rigor e disse que episódios de violência motivados por disputas políticas não serão tolerados.

Insegurança marca rotina de indígenas em aldeia de MS — Foto: Arte g1

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Source: G1

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