Moradores relatam dificuldades para respirar e redução da visibilidade nas ruas. A cidade faz fronteira com a Guiana Francesa, está também no centro das discussões da exploração de petróleo e abriga aldeias indígenas.
Imagens feitas recentemente mostram a proporção das chamas, o que antes era verde, atualmente está tomado por uma espécie de nevoeiro. Outra imagem mostra a entrada da ponte binacional coberta por fumaça.
Segundo a prefeitura, nos últimos dias mais de 200 focos de incêndio foram registrados na cidade. O prefeito, Inácio Maciel (PDT), trata a situação da cidade como de calamidade.
Em um vídeo postado nas redes sociais ele destacou que é necessário uma ação integrada para combater a crise climática na cidade.
"Existe uma sala de situação onde várias instituições estão reunidas discutindo o plano de trabalho que está em via de ser aprovado pelo ministério da integração e pela defesa civil nacional. Os vários entes municipais junto com os federais e estaduais para que em conjunto possamos fazer um enfrentamento dessa situação de calamidade com inúmeros focos de incêndio", disse o prefeito.
Imagem aérea mostra a cidade em chamas durante a noite — Foto: Divulgação
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, publicou nas redes sociais que está acompanhando a situação do município, e que por meio do Governo Federal destinou mais de R$ 800 mil para ajuda humanitária.
“Hoje fizemos uma reunião bem prolongada com a equipe do prefeito Inácio e nossa do Governo Federal, e acabei de informá-los que a gente está repassando R$ 816 mil referente a ajuda humanitária e estiagem”.
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Além disso, uma reunião realizada neste sábado (7) pelo governo do estado definiu um plano de ação para reforçar o combate no município.
O projeto faz parte das ações de proteção à Amazônia e foca na redução dos impactos das queimadas e focos de calor durante o período de estiagem na região.
A atuação do programa é dividida em três eixos centrais: prevenção, combate e fiscalização. Na prevenção, são realizadas campanhas educativas, reuniões comunitárias e orientação sobre o manejo correto do solo.
No combate direto, equipes de bombeiros militares atuam no apagamento de incêndios florestais em áreas urbanas e rurais. Já a fiscalização combate crimes ambientais, como o desmatamento e as queimadas não autorizadas.
Combate à fumaça em Oiapoque após incêndio em lixão. — Foto: Defesa Civil/Divulgação
Fogo subterrâneo e estiagem
Equipes de combate atuam no lixão de Oiapoque, mas a natureza subterrânea do incêndio exige resfriamento constante e dificulta o trabalho dos bombeiros. A situação é agravada por um período atípico de estiagem rigorosa na região.
A mudança na direção dos ventos tem levado para o centro da cidade não apenas a fuligem do lixão, mas também a fumaça de queimadas urbanas e rurais. O hábito de queimar folhas e lixo nos quintais no fim da tarde, prática comum na região, tem piorado a qualidade do ar durante a seca.
Após fumaça tóxica atingir casas, Oiapoque estuda novo terreno para transferir lixão. — Foto: Girlane Duarte/Rede Amazônica
Aumento de casos hospitalares
O Hospital Estadual de Oiapoque registrou um aumento na busca por atendimento médico, principalmente por complicações respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais afetado.
Durante a noite, o ar denso e frio faz com que a fumaça se concentre nas ruas e seja visível inclusive em pontos turísticos, como a Ponte Binacional Franco-Brasileira. Moradores relatam que o odor e a fuligem entram nas residências mesmo com portas fechadas ou aparelhos de ar-condicionado ligados.
A administração municipal reforça que a conscientização comunitária é indispensável. Sem a interrupção das queimadas domésticas, as ações do poder público não serão suficientes para controlar a crise ambiental e sanitária no município.
Cidade está coberta por fumaça — Foto: Divulgação
Emergência climática e recomendações
O município também aguarda a homologação do pedido de reconhecimento de emergência climática junto ao Governo Federal, motivado pela severa estiagem que afeta os poços de água e compromete a agricultura familiar da região.
A medida permitirá a captação de recursos para ampliação do fornecimento de água potável e suporte humanitário.
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Source: G1
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