Aos 86 anos, o cantor segue incansável nos palcos com o projeto "Modas & Memórias", turnê conjunta ao lado de seu amigo de longa data Almir Sater.

Juntos, eles imortalizaram sucessos nas rádios e na teledramaturgia nacional, marcando época em produções como "Pantanal", "A História de Ana Raio e Zé Trovão" e na TV Globo com a inesquecível dupla Saracura e Pirilampo em "O Rei do Gado". O próximo show da turnê "Modas & Memórias" acontece neste sábado (31), em Bauru (SP). (Saiba mais ao final da reportagem).

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Em entrevista ao g1, Sérgio Reis falou sobre a amizade de décadas com Almir Sater, os bastidores do projeto e até sobre a alta hospitalar recente após tratar uma pneumonia. Ele garantiu que a palavra "aposentadoria" segue fora do seu vocabulário. Confira a entrevista na íntegra:

g1: Sérgio, muito obrigado por conversar com a gente. Você e o Almir têm uma história que passa pelos palcos e também pela televisão. Como começou essa união artística entre vocês?

Sérgio Reis: É, realmente foi uma coisa boa que eu consegui fazer: levar o Almir pra novela Pantanal. E aí ele decolou de jeito, depois fez A História de Ana Raio e Zé Trovão, fizemos O Rei do Gado, e ele virou esse grande violeiro, esse grande irmão, baita compositor. Então, estar junto com ele é sempre agradável.

Almir Sater e Sérgio Reis encarnaram uma dupla caipira na novela Pantanal da TV Manchete (1990) e repetiram a parceria em O Rei do Gado, da Rede Globo (1996-1997) — Foto: Reprodução

g1: E vocês, apesar de estarem juntos há muito tempo, nunca tinham feito uma turnê de shows pelas cidades, em dupla. Como está sendo se apresentarem os dois, já com nomes consolidados no cenário musical brasileiro?

Sérgio Reis: É gostoso. Eu já fiz esse trabalho com o Renato Teixeira, né? Amizade Sincera 1, Amizade Sincera 2, o meu filho ganhou dois Grammy Latino como produtor, foi um trabalho muito interessante. E mexer com o Renato Teixeira e o Almir Sater não tem muito erro, né?

g1: Sim, é o trio mágico da música caipira, né?

Sérgio Reis: Com certeza, o Renato é o nosso poeta, graças a Deus.

g1: E como está sendo dividir o palco, estarem juntos frente ao público?

Sérgio Reis: Nós somos como irmãos. São muitos anos juntos, nós somos vizinhos aqui na Serra da Cantareira, onde a gente mora, estamos sempre juntos. Então, quando os contratantes falam: "Ah, queremos vocês dois", eu digo: "Almir, vamos fazer!". Chamo ele de "Mirão", né? "Mirão, vamos fazer!". Às vezes eles querem que eu cante primeiro, depois o Almir em segundo; tudo bem, faço como querem. E vai ser gostoso, tenho a certeza de que o povo de Bauru não vai se arrepender de ver esse show, com certeza.

g1: E o que a gente pode esperar do repertório desse show?

Sérgio Reis: Nós temos o nosso repertório já pronto. Alguma coisa a gente coloca no meio, a gente cria... Mas cada um tem o seu repertório. É uma forma da gente fazer um show com várias músicas, com várias emoções. A música é emoção, né? A verdade é essa.

g1: E quais são as mais pedidas?

Sérgio Reis: Ah, "Tocando em Frente", pra começar. "Pinga Ni Mim", "Panela Velha", "Filho Adotivo"... Tem tanta música, nossa senhora.

g1: Imagino, deve ser difícil até lembrar a letra, né?

Sérgio Reis: Ah, não, não esqueço, não!

g1: E, no show, tem algum momento especial em que vocês interagem entre si, uma música que representa mais a amizade de vocês?

Sérgio Reis: Ah, tem. Qualquer uma que a gente cantar representa a nossa amizade. Porque é uma doação: o Almir confia em mim, me dá a música pra gravar, sabe? "Enquanto este velho trem atravessa o Pantanal...", "Trem do Pantanal". São clássicos que ele fez com o Paulo Simões, um parceiro dele de Campo Grande. Eu gravei, é um sucesso. Então a gente vai cantando.

g1: Essa ligação de vocês também foi celebrada no remake de 'Pantanal' e remete a grandes obras. Como você enxerga a importância do Benedito Ruy Barbosa para a trajetória de vocês e o remake para a difusão da viola caipira entre os jovens?

Sérgio Reis: O Benedito Ruy Barbosa merecia esse carinho. Eu e o Almir Sater devemos a nossa carreira ao Benedito Ruy Barbosa, com um texto maravilhoso, uma cabeça pensante maravilhosa. Criou os personagens, Saracura, Pirilampo. E, sobre isso, eu conheço tanta gente jovem que canta nas orquestras de viola que nós temos aí... Meninos de 12, 14 anos, que já leem partitura e tocam lendo partitura. Essa é a nova geração, a nova geração que gosta da moda de viola mesmo, da moda caipira. Eu acho que é a nossa cultura, e eu fico feliz com isso.

g1: E no show com o Almir, imagino que além de música tem algumas histórias no meio do show?

Sérgio Reis: Se a gente começar a contar, nós ficamos três horas lá dentro.

g1: Então o pessoal da produção dá uma segurada em vocês?

Sérgio Reis: Ah, tem que segurar, senão vamos longe. Eu gosto de falar, já viu, né? O Almir é mais quietão, né? O negócio dele é abaixar a cabeça e tocar a viola, e muito bem, né? Claro.

g1: O senhor está com mais de 80 anos e não abandonou a estrada. Teve uma internação recente também, não é?

Sérgio Reis: Saí do hospital ontem. Fiquei nove dias internado tratando uma pneumonia. Cheguei ontem em casa.

g1: Mas curado agora, pronto para o show em Bauru?

Sérgio Reis: Curado, graças a Deus. Já estou bom, garganta boa, vai dar pra fazer o show bem direitinho.

g1: A idade e a rotina não fazem o senhor pensar em parar?

Sérgio Reis: Eu vou fazer uma pergunta para você: você gostou quando Elvis Presley morreu? Não. Eu também não, ele nos abandonou. Eu conheci em Los Angeles a Whitney Houston, aquela cantora excepcional... De repente, essa cantora morre. É um abandono isso. Nós não podemos abandonar o nosso povo. Não podemos. Seria uma traição, e eu não posso fazer essa traição com o meu povo. Porque onde eu vou tem público, muita gente. Então nós temos que cuidar da vida, cuidar da saúde, pra que a gente possa cantar mais pra eles. O povo precisa da gente, nos acompanha, nos dá carinho, amor, tudo.

g1: Muito amor pela música, né?

Sérgio Reis: Isso chama-se amor ao público. Você vê o Tony Tornado: mais de 90 anos e ainda canta. É brincadeira isso? Eu tenho profundo respeito e admiração pelo Tony Tornado, pela pessoa que ele é. Assisti a ele esses dias na televisão, bonitão, cabelo branco, o filho dele cantando junto... Deram um show! Não podemos parar. Quem para cedo é jogador de futebol que não tem mais fôlego; nós ainda temos.

g1: Sérgio, muito obrigado pela conversa. Um prazer falar com o senhor.

Sérgio Reis: Use e abuse desse seu amigo quando quiser. Um abraço!

Modas & Memórias em Bauru

Almir Sater e Sérgio Reis se apresentam na turnê "Modas e Histórias" — Foto: Divulgação

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Source: G1

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