Natural de Rifaina, Bolelli é pecuarista. Em 2023, ele deu entrevista à EPTV sobre a vaca Poesia, da raça holandesa, que alcançou uma marca anunciada como recorde mundial de produção de leite durante uma competição agropecuária.
Na ocasião, o pecuarista afirmou que já havia conquistado 76 torneios, mas nunca tinha alcançado uma produção semelhante.
João Roberto Bolelli, de 62 anos, é suspeito de matar a tiros Priscila Lacerda Custodio em Rifaina, SP — Foto: Reprodução/EPTV
O pecuarista é investigado pela morte de Priscila, baleada na noite de terça-feira (27), às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina. Segundo o boletim de ocorrência, ele fugiu após o disparo e desde então não foi localizado. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio.
Ao g1, a defesa de João disse que analisa o caso e ainda não teve contato com ele. Até a última atualização desta reportagem, não havia informação sobre mandado de prisão contra Bolelli.
Prisão por descumprimento de medida protetiva
O histórico judicial de Bolelli inclui procedimentos relacionados a ameaças, violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas.
Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli, segundo o boletim de ocorrência — Foto: Arquivo pessoal
Em fevereiro de 2018, a Justiça concedeu medidas de proteção a uma ex-companheira com quem o pecuarista havia mantido um relacionamento de cinco anos.
A decisão o proibia de se aproximar da mulher e de manter contato com ela.
Em junho daquele ano, a Justiça decretou a prisão preventiva de Bolelli em um procedimento relacionado ao descumprimento da medida protetiva.
Ele foi preso em 21 de junho e encaminhado à Penitenciária de Franca. A prisão preventiva foi revogada cinco dias depois, e o pecuarista foi solto em 27 de junho.
Em setembro de 2018, a ex-companheira voltou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca.
Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli — Foto: Arquivo pessoal
Ela relatou que Bolelli continuava fazendo ligações telefônicas e a seguindo de carro, apesar da determinação judicial.
Segundo a investigação, o pecuarista também apareceu em uma casa onde a mulher estava.
O Ministério Público apresentou denúncia por descumprimento de medida protetiva.
Durante o processo, Bolelli negou as acusações. Ele afirmou que a ex-companheira também telefonava para ele e que havia procurado uma amiga dela para tentar reatar o relacionamento.
A Justiça não acolheu a versão apresentada pela defesa.
Em dezembro de 2021, o juiz Orlando Brossi Júnior, da 3ª Vara Criminal de Franca, condenou Bolelli a três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto.
A defesa recorreu, mas a 9ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP manteve a condenação por unanimidade, em abril de 2022. A decisão se tornou definitiva em maio daquele ano.
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Outros processos por ameaças e violência
A sentença de 2021 também menciona uma condenação anterior relacionada a ameaça e vias de fato, em um processo envolvendo acontecimentos de dezembro de 2017.
Segundo a certidão judicial, Bolelli foi condenado em outubro de 2020 a 15 dias de prisão simples pela contravenção de vias de fato, com suspensão condicional da pena.
A condenação foi confirmada pelo TJ-SP em janeiro de 2021.
A documentação também registra outros procedimentos relacionados a ameaças e violência doméstica, incluindo uma ação penal de 2018 encerrada com extinção da punibilidade e um procedimento de 2014 arquivado sem condenação.
Nem todos os registros resultaram em condenação.
Natural de Perdizes (MG), Priscila foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos — Foto: Arquivo pessoal
Suspeito de matar companheira 38 anos mais nova
Priscila Lacerda Custodio, natural de Perdizes (MG), mantinha um relacionamento com Bolelli havia quase quatro meses, segundo o boletim de ocorrência.
Na terça-feira (27), a jovem foi a Rifaina para devolver uma caminhonete do pecuarista.
O irmão e uma amiga acompanharam Priscila porque, segundo relataram à Polícia Civil, ela estava apreensiva e havia contado que sofreu agressões e ameaças feitas pelo suspeito dias antes.
Em depoimento, a amiga afirmou que Priscila relatou ter sido agredida na sexta-feira (23), quatro dias antes do crime. A testemunha também disse que viu lesões apresentadas pela jovem.
Segundo o boletim de ocorrência, Priscila encontrou Bolelli próximo a uma propriedade rural, às margens da Rodovia Cândido Portinari.
Caminhonete que Priscila foi a Rifaina devolver ao suspeito. Segundo o boletim, Bolelli fugiu no veículo após o crime — Foto: Câmera de segurança
O irmão da vítima contou à polícia que a jovem disse que queria ir embora e não desejava continuar o relacionamento.
Ainda segundo as testemunhas, houve uma discussão envolvendo aparelhos celulares. Durante o desentendimento, Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila.
O irmão afirmou que o pecuarista também apontou a arma na direção dele antes de fugir.
A jovem foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu ao ferimento.
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Source: G1
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