A investigação apura suspeitas de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos que chegam a quase R$ 200 milhões. Segundo a PF, há indícios de superfaturamento, direcionamento e fraude em licitações.

O g1 entrou contato com a assessoria do parlamentar e para a Câmara dos Deputados, mas ainda não obteve retorno.

Nascido no Rio de Janeiro em 3 de novembro de 1984, Queiroz tem 41 anos. É advogado formado pela PUC-Rio, mestre em Economia pelo Ibmec-RJ e pós-graduado em Direito Fiscal pela PUC-Rio e em Gerência e Gestão de Projetos pela UFRJ.

Queiroz também estudou no Colégio Santo Inácio, no Rio, e cursou o programa Strengthening Political Youth Organizations, da Fundação Friedrich Naumann Stiftung, na Alemanha.

Marcelo Queiroz durante votação na última eleição para prefeito. No colo, a cachorrinha Rufina. — Foto: Reprodução/ TV Globo

Sua trajetória política começou na Câmara Municipal. Em 2012, foi eleito vereador do Rio de Janeiro. Entre 2015 e 2016, ocupou o cargo de secretário municipal de Administração.

Em 2018, assumiu mandato de deputado estadual. Depois, na gestão de Marcelo Crivella, passou pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio e presidiu a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma Brasil).

Entre 2020 e 2022, entre a gestão Wilson Witzel/Cláudio Castro, Queiroz comandou a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio, pasta onde foram celebrados contratos que entraram na mira da Polícia Federal.

Entre 2025 e 2026, na gestão de Eduardo Paes/Eduardo Cavaliere, Queiroz voltou a ocupar a Secretaria Municipal de Administração do Rio.

Depois, retomou o mandato de deputado federal para concorrer à reeleição.

Causa animal

Ao longo da carreira, Queiroz fez da causa animal uma de suas principais bandeiras políticas. Ele se apresenta como idealizador de programas gratuitos de castração e vacinação de cães e gatos e afirma ter destinado recursos para políticas de proteção e bem-estar animal.

Esse vínculo com a pauta também aparece no centro das investigações da Operação Castratio.

Na primeira fase, a PF afirmou ter encontrado indícios de que o parlamentar teria se engajado na causa animal diante da possibilidade de obter benefícios políticos ou financeiros com os contratos investigados.

Um dos focos da apuração é a Consuvet, empresa responsável por serviços de castração de animais. Segundo informações da investigação divulgadas pelo g1, a empresa foi criada em julho de 2021, com capital social de R$ 20 mil, e, nos quatro meses seguintes, firmou contratos com a Secretaria de Agricultura que somavam mais de R$ 8,3 milhões.

Considerando contratos firmados até 2023, os valores ultrapassaram R$ 193 milhões, segundo decisão judicial citada na primeira fase da operação.

Patrimônio entrou na mira da PF

Além dos contratos, a Polícia Federal passou a analisar a evolução do patrimônio de Marcelo Queiroz.

Segundo a investigação, os bens declarados pelo parlamentar à Justiça Eleitoral tiveram crescimento de cerca de 665%. A evolução patrimonial passou a ser considerada pelos investigadores no contexto da apuração sobre o suposto esquema.

A PF busca esclarecer o papel de Queiroz no caso e investiga se houve enriquecimento ilícito relacionado aos contratos.

Source: G1

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