Às 6h, a concentração de partículas finas em Itacoatiara chegou a 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Às 8h15, o índice caiu para 148,8 µg/m³, mas a qualidade do ar permaneceu na categoria péssima. No primeiro horário, o município tinha um dos piores índices entre as localidades monitoradas no país.
Os dados são do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A plataforma monitora a concentração de partículas finas suspensas no ar. Essas partículas estão presentes na fumaça das queimadas e podem penetrar profundamente nos pulmões.
Além de Itacoatiara, Barreirinha e Autazes também registraram qualidade do ar péssima nesta sexta-feira. Os índices eram de 143,7 µg/m³ e 133,5 µg/m³, respectivamente.
Em Manaus, a situação era diferente. Por volta das 7h, todos os sensores da capital indicavam qualidade do ar moderada. As concentrações de partículas suspensas variavam entre 27,1 e 37 µg/m³.
Incêndio em Itacoatiara já dura 54 dias
Na zona rural de Itacoatiara, o incêndio na região do Rio Urubu já dura 54 dias. As chamas atingiram mais de 4 mil hectares de vegetação, área equivalente a quase 5,6 mil campos de futebol.
O fogo também avançou sobre parte da Terra Indígena Paraná do Arauató, território do povo Mura.
As equipes realizam lançamentos de água sobre as áreas atingidas. Mesmo com a atuação dos órgãos, ainda há focos ativos.
Outro incêndio preocupa os moradores da região. Na área da Vila de Lindóia, as chamas também atingem a vegetação. Segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a área de influência desse incêndio ultrapassa 800 hectares.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) afirma que a fumaça que encobre Itacoatiara também vem de incêndios em outros municípios do Baixo Amazonas e do oeste do Pará.
Segundo a secretaria, a fumaça produzida pelas queimadas em Itacoatiara também é levada pelo vento para outras cidades. Ela pode chegar até Manaus.
Fumaça cobre município de Itacoatiara, no Amazonas, na manhã desta sexta-feira (23) — Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Outros municípios do Amazonas também registraram altos níveis de poluição na manhã desta sexta-feira, segundo o Selva.
Na Região Metropolitana de Manaus, cinco municípios apresentavam qualidade do ar muito ruim por volta das 7h:
- Iranduba: 80,8 µg/m³;
- Autazes: 113,7 µg/m³;
- Urucurituba: 100,3 µg/m³;
- Silves: 83,9 µg/m³;
- Itapiranga: 94,7 µg/m³.
Em Parintins, a qualidade do ar também era péssima nos três pontos monitorados. Por volta das 7h, o sensor da região central registrava 204,6 µg/m³.
Na Vila Amazônia, a concentração era de 199,6 µg/m³. Na região da Comunidade do Maranhão, o índice chegava a 160,2 µg/m³.
Governo federal atua no combate a incêndios no AM
O apoio federal se concentra principalmente em regiões isoladas e de difícil acesso.
Atualmente, a estrutura federal conta com 17 aeronaves. São seis aviões Air Tractor, dois aviões KC-390, oito helicópteros e uma aeronave Caravan. A operação também utiliza nove embarcações e 66 veículos. Os equipamentos são usados no transporte de equipes e materiais, além do combate direto às chamas.
A força-tarefa reúne 474 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Também participam 54 militares da Força Aérea Brasileira (FAB) e 41 integrantes da Força Nacional.
Além disso, o governo federal custeia as diárias de 116 bombeiros do Amazonas.
Fumaça das queimadas encobre Itacoatiara, no interior do Amazonas, nesta sexta-feira (23) — Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Fumaça encobre Itacoatiara, no interior do Amazonas, nesta sexta-feira (23), em meio a incêndios florestais que atingem a região — Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Source: G1
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