O fungo estava sozinho, entre as folhas caídas no chão, sob árvores de grande porte, em uma área de mata próxima à divisa com Águas de São Pedro.

Thiago havia ido ao local para fotografar ninhos de japu, ave que encontrou por acaso alguns dias antes, durante um passeio de carro com a esposa.

Na ocasião, reconheceu o canto característico da espécie e decidiu voltar com o equipamento fotográfico. As chuvas, porém, adiaram a visita.

Quando retornou, registrou os japus, os ninhos e uma iraúna-grande tentando invadi-los. Depois, resolveu explorar a mata em busca de outras aves.

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Após quatro dias de chuva, cogumelo gigante surpreende fotógrafo em mata de SP — Foto: Thiago D'Alkmin

Durante a caminhada, fotografou espécies como alma-de-gato, ariramba-de-cauda-ruiva, peitica e sovi. Ao seguir os cantos de uma gralha-do-campo e de um tucano-toco, encontrou algo que nunca havia visto.

"Me deparei com o que parecia uma com uma haste e um chapeuzinho, que o sol iluminava por feixe de luz, parecia uma luminária de jardim, de uns 40 cm. Nunca tinha visto um cogumelo como este, registrei com o celular, pois achei inusitado e muito bonito", contou.

Segundo Thiago, a haste comprida e a iluminação natural destacavam o cogumelo entre as folhas e o tronco de uma árvore. Ele também observou uma estrutura semelhante a uma gola, poucos centímetros abaixo do chapéu, cuja parte inferior apresentava coloração clara.

'Parecia uma luminária de jardim': professor encontra cogumelo 'gigante' em mata de SP — Foto: Thiago D'Alkmin

Qual é a espécie do cogumelo?

Intrigado com a descoberta, o professor pesquisou imagens na internet e encontrou semelhanças com a espécie Macrolepiota capelariae. Trata-se de um fungo descoberto em 2022, na América do Sul, com ocorrências registradas na Mata Atlântica.

O Terra da Gente entrou em contato com especialistas, mas não foi possível identificar com precisão a espécie do cogumelo apenas pelas imagens do vídeo.

Cogumelo que parecia brilhar no meio da mata surpreende professor no interior de SP — Foto: Thiago D'Alkmin

Um guia científico publicado em 2025, intitulado Pieczarka — Cogumelos Comestíveis do Planalto Norte Catarinense, descreve a Macrolepiota capelariae como um cogumelo de grande porte, que pode atingir 30 centímetros de altura.

A espécie apresenta chapéu de 10 a 15 centímetros de diâmetro, com coloração que varia do marrom-claro ao alaranjado, além de lamelas brancas e uma estrutura em forma de anel na haste.

Segundo a publicação, esses cogumelos podem ocorrer no interior e nas bordas de matas nativas, principalmente no fim do verão e durante o outono.

Apesar de algumas características semelhantes às observadas por Thiago, não há confirmação de que o exemplar encontrado em São Pedro pertença a essa espécie.

A identificação de cogumelos exige atenção a diferentes características, como formato, tamanho, coloração, estruturas reprodutivas e ambiente onde se desenvolvem. Em alguns casos, também é necessário analisar os esporos, estruturas microscópicas relacionadas à reprodução dos fungos.

O guia destaca ainda que a umidade favorece o aparecimento de diferentes espécies de cogumelos, tornando os períodos após as chuvas especialmente interessantes para observá-los.

Os fungos desempenham funções importantes nos ecossistemas. Entre elas está a decomposição de matéria orgânica, processo que contribui para a ciclagem de nutrientes na natureza.

'Parecia uma luminária de jardim': professor encontra cogumelo 'gigante' em mata de SP — Foto: Thiago D'Alkmin

Uma descoberta inesperada

Instrutor de formação profissional do Senai há pouco mais de um ano, Thiago trabalhou durante mais de 19 anos com automação e eletrônica. Apaixonado pela natureza, dedica-se há mais de 15 anos à fotografia de aves. Nas caminhadas, porém, também costuma registrar plantas, insetos e outros animais.

Cogumelo de 40 centímetros surpreende professor durante observação de aves no interior de SP — Foto: Thiago D'Alkmin

Mesmo acostumado a explorar ambientes naturais, nunca havia encontrado um cogumelo semelhante.

Para ele, a possibilidade de descobrir algo diferente é justamente o que torna essas experiências especiais.

"Acho que a descoberta de algo novo, que nunca tinha visto, a beleza de algo que nos surpreende, me sinto como uma criança que descobre sensações novas, como as gotículas de orvalho trazidas pela brisa e trocando a pele do rosto", relatou.

Atenção: Apesar da aparência curiosa, cogumelos encontrados na natureza não devem ser coletados. Algumas espécies são tóxicas e podem provocar intoxicações graves, inclusive fatais. Como cogumelos venenosos podem ser facilmente confundidos com espécies comestíveis, a aparência não é suficiente para determinar se são seguros. A recomendação é evitar o manuseio, não consumir exemplares desconhecidos e, sempre, apenas observar e fotografar os fungos em seu ambiente natural.

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Source: G1

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