A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão no Tocantins e em São Paulo. Em Paraíso do Tocantins, foram cumpridas quatro ordens de prisão e nove de busca e apreensão. A ação foi realizada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins.

Segundo apuração da TV Anhanguera, a polícia identificou que os celulares entravam nas celas de forma discreta, puxados por fios. Imagens obtidas pelos investigadores mostram o momento em que os aparelhos são levados para dentro da unidade prisional.

Ainda conforme as investigações, o acesso aos celulares se tornou uma espécie de comércio entre os próprios detentos. Áudios interceptados com autorização judicial revelaram a insatisfação de internos com os valores cobrados e as restrições impostas pelos responsáveis pelo esquema.

Em uma das gravações, um detento reclama do limite de tempo para fazer ligações. Em outro diálogo, um preso afirma ter pago R$ 500 para usar o telefone durante meia hora.

A apuração da TV Anhanguera também identificou uma conversa em que um criminoso de São Paulo repreende um detento em Paraíso do Tocantins e cobra que ele tenha mais "visão de bandido" em suas ações. (Assista no vídeo acima).

Operação cumpriu mandados nesta quinta-feira — Foto: João Guilherme Lobasz/Governo do Tocantins

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O homem apontado como responsável por operar a rede de comunicação é integrante de uma facção criminosa paulista e foi localizado em Cotia, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, o suspeito tentou fugir ao perceber a aproximação dos agentes, mas foi alcançado e detido.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, por isso, o g1 não conseguiu contato com as defesas.

O investigado, de 35 anos, integra setores da cúpula da facção conhecidos internamente como "Sintonia da Fora do Ar" e "Pé Quebrado". As investigações apontam que ele era responsável por garantir o suporte logístico para que detentos tocantinenses continuassem atuando no tráfico de drogas mesmo dentro da prisão. Ele também mantinha comunicação frequente com presos de outras cidades do Tocantins e de São Paulo.

Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que a Polícia Penal participou das buscas de forma integrada com a Polícia Civil, em Paraíso do Tocantins. A pasta afirmou ainda que mantém rotinas contínuas de segurança, com revistas minuciosas nas celas e controle rigoroso de visitantes, para impedir a entrada de itens proibidos e coibir a atuação de facções criminosas no sistema prisional. (Confira a nota na íntegra ao final da reportagem).

As investigações da 6ª DEIC começaram em 2025, após a Polícia Civil constatar que o grupo criminoso utilizava a comunicação ilegal para ordenar roubos, tráfico de drogas, cobranças violentas de dívidas e ataques armados em Paraíso do Tocantins.

Ainda conforme apuração da TV Anhanguera, para colocar os planos em prática, os presos contavam com a ajuda de companheiras e familiares que estavam em liberdade. Fora da cadeia, esses parentes executavam as determinações, movimentavam os valores ilícitos e organizavam a distribuição de drogas.

'Tribunal do crime' determinava punições

Outro ponto identificado pela investigação foi a existência de um sistema interno de punições conhecido como "tribunal do crime". Segundo a Polícia Civil, o mecanismo era utilizado para aplicar sanções contra integrantes da facção e pessoas que descumprissem regras impostas pelo grupo.

De acordo com os elementos investigativos, o investigado de São Paulo atuaria como uma espécie de juiz, analisando pedidos encaminhados por membros presos e decidindo sobre a aplicação de punições.

Entre as medidas identificadas pelos investigadores estavam ameaças, agressões físicas, chamadas pelos integrantes de "madeirada", e até determinações de morte contra pessoas que desrespeitassem as ordens da organização criminosa.

Drogas apreendidas pela Polícia Civil durante operação em Paraíso do TO — Foto: Divulgação/PCTO

Nota da Seciju na íntegra

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informa que atuou de forma integrada com a Polícia Civil, por meio da Polícia Penal, nas buscas realizadas na manhã desta quinta-feira, 29, em Paraíso do Tocantins.

A pasta esclarece que para coibir o ingresso e a circulação de itens proibidos no sistema penitenciário, a Polícia Penal realiza rotinas contínuas de segurança, incluindo revistas estruturais minuciosas, periódicas e aleatórias em todas as celas e alas, além de rigoroso controle de acesso de visitantes.

A Secretaria reitera seu compromisso com a legalidade e a transparência, mantendo cooperação permanente com os demais órgãos de segurança e de inteligência no combate qualificado a organizações criminosas.

Source: G1

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