Na noite de quarta-feira (28), a mãe de Fernando, Daniela de Medeiros Andrade, já havia dito em depoimento ao Tribunal do Júri que uma análise feita por peritos de sua confiança mostrou uma falha mecânica no Porsche. “O carro não respondeu como deveria responder”, disse ela, na ocasião.

O especialista a quem ela se referiu prestou depoimento um dia depois, na quinta (29), e apresentou uma análise particular do acidente envolvendo o Porsche dirigido pelo réu.

Alfredo tentou justificar a dinâmica da colisão com base em imagens do acidente e levantou a possibilidade de haver falhas no veículo. A avaliação, no entanto, foi questionada pelo assistente do Ministério Público, que apontou o uso de imagens diferentes das utilizadas na análise pericial.

O assistente pediu a instauração de um inquérito por falsidade ideológica contra o especialista. O próprio Ministério Público também se manifestou a favor da investigação e anunciou que vai instaurar o inquérito, por entender que o perito trocou as imagens para fundamentar sua avaliação particular.

Após responder a perguntas encaminhadas por um dos jurados, o depoimento de Neves foi encerrado. No fim, ele foi questionado se o acidente teria sido evitado caso o Porsche estivesse dentro do limite de velocidade permitido na via. A resposta do perito foi afirmativa. Segundo ele, quanto menor a velocidade, menor o risco de acidente.

Segundo a acusação, Fernando dirigia embriagado e em alta velocidade. Laudo do Instituto de Criminalística apontou que o Porsche estava a cerca de 136 km/h no momento do impacto, em um trecho da Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, onde o limite de velocidade é de 50 km/h.

Namorada é multada por tumultuar júri

Giovana Pinheiro Silva, namorada de Fernando, terá de pagar uma multa de 10 salários mínimos por tumultuar a sessão do julgamento. Além disso, o Ministério Público informou que vai denunciá-la por falso testemunho.

No último dia de julgamento, na quinta, Giovana foi expulsa do plenário depois de fazer comentários e expressões de deboche durante os depoimentos de testemunhas de acusação.

Segundo a TV Globo apurou, ela foi a segunda pessoa a ser retirada da sessão pelo mesmo motivo. Antes, uma tia de Fernando também havia sido expulsa por fazer comentários durante o júri.

A namorada do réu havia comparecido ao primeiro dia de julgamento e conseguiu acompanhar parte dos depoimentos. Já na quinta, porém, foi barrada na entrada da sala.

Segundo a apuração da TV Globo, o Ministério Público pediu a aplicação de uma multa contra Giovana, no valor de 10 salários mínimos.

O Ministério Público informou que também pretende denunciá-la por falso testemunho. Ela sempre afirmou que Fernando não havia bebido antes do acidente. A versão, no entanto, foi desmentida pelo próprio motorista durante o julgamento.

Condenação

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Fernando deve cumprir a pena inicialmente em regime fechado. A Justiça também determinou a inabilitação de Fernando Sastre para dirigir veículos automotores. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a sentença não estabelece um prazo para a restrição. O condenado não poderá recorrer em liberdade.

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O julgamento começou na quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 14 testemunhas foram arroladas no processo, das quais 11 foram ouvidas durante os dois dias de julgamento.

O segundo dia do júri começou por volta das 11h desta quinta-feira. Duas pessoas foram ouvidas no começo: a policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que liberou Fernando do local do acidente sem que ele fizesse o teste do bafômetro, e o perito criminal contratado pela família do empresário.

Durante o depoimento, a policial militar afirmou que foi enganada pela mãe de Fernando. Segundo Daisy, a mulher disse que levaria o filho para receber atendimento médico por causa de um pequeno sangramento no nariz, mas os dois foram para casa.

Fernando Sastre Filho — Foto: Jornal Nacional/Reprodução

Segundo Daisy, a mãe do empresário pediu autorização para levá-lo ao hospital. A policial afirmou que permitiu a saída porque o Samu já havia deixado o local e não havia atendimento médico disponível naquele momento. Questionada sobre a presença dos bombeiros, confirmou que eles ainda estavam na ocorrência.

A policial disse que Fernando estava confuso, mas não afirmou que ele aparentava estar alcoolizado. Ela também declarou que não solicitou escolta para acompanhar o deslocamento até o hospital.

Após a saída, um policial militar, que trabalhava com Daisy, telefonou para a mãe do empresário porque Fernando não havia sido encontrado no Hospital São Luiz para onde ela disse que o levaria. A mulher indicou outra unidade de saúde, mas eles também não foram localizados no local.

Questionada sobre o motivo de ter liberado o empresário sem o teste do bafômetro, Daisy inicialmente não respondeu e depois afirmou que a equipe não tinha um etilômetro na viatura. Ela disse não se lembrar se a carteira de habilitação de Fernando foi recolhida.

Confissão do empresário

Antes, o empresário negava ter consumido álcool naquela noite e afirmava que só tinha bebido água. No início de sua fala no júri, Fernando disse:

"Eu poderia inventar mil desculpas, mas estou aqui entregue a esse plenário, eu acredito na Justiça. Hoje quero dizer a verdade".

Ele ainda pediu para esclarecer que "jamais foi indiferente" ao ocorrido. "Eu sofro muito com isso até hoje", disse, chorando. Depois afirmou que nunca queria ter provocado aquele acidente. E que queria aproveitar o momento para "pedir com todo respeito, perdão para as vítimas, para as famílias".

"Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica."

O réu ainda lamentou ter provocado o acidente que matou Ornaldo: "Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentido e toda a devastação".

Como foi o primeiro dia do julgamento

Na quarta, primeiro dia do júri, nove pessoas foram ouvidas. Os depoimentos incluíram relatos de pessoas que confirmaram que Fernando havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir.

O primeiro a depor foi Marcus Vinícius Rocha, amigo de Fernando que estava no Porsche no momento da colisão. Ele foi ouvido como testemunha e vítima, já que também ficou ferido no acidente.

Marcus confirmou que o empresário havia bebido e estava alterado. Também afirmou que entrou no carro com o amigo porque não queria deixá-lo sozinho.

A ex-namorada de Marcus, ouvida por videoconferência, também confirmou que Fernando havia consumido bebida alcoólica e estava cambaleante antes de dirigir.

Outro depoimento foi o de Lucas, filho de Ornaldo. Ele relatou as dificuldades financeiras e psicológicas enfrentadas pela família após a morte do pai.

Segundo o relato, Lucas, a mãe e os dois irmãos chegaram a receber cestas básicas de parentes e de uma igreja evangélica. A família também continuou sendo cobrada pelo banco pelas parcelas do Renault Sandero, que era financiado.

O que diz a defesa

Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo.

"Todos os réus nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso da bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão.

"Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado.

Source: G1

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