Antes, o empresário negava ter consumido álcool naquela noite e afirmava que só tinha bebido água.
Em sua fala no júri, pediu para esclarecer que "jamais foi indiferente" ao ocorrido. "Eu sofro muito com isso até hoje", disse, chorando. Depoir afirmou que nunca queria ter provocado aquele acidente. E que queria aproveitar o momento para "pedir com todo respeito, perdão para as vítimas, para as famílias". "Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica".
O júri começou na quarta (28) e, no total, 14 testemunhas serão ouvidas. O Ministério Público (MP) quer que o réu seja condenado a uma pena de mais de 20 anos de prisão.
O julgamento acontece no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. O MP acusa Fernando de dirigir embriagado o Porsche e bater o carro esportivo de luxo a 136 km/h na traseira do Renault Sandero da vítima, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. O limite da via é de 50 km/h.
Primeiro dia
Nove pessoas foram ouvidas na quarta-feira (28), no primeiro dia do julgamento de Fernando Sastre, que dirigia um carro de luxo em alta velocidade na Avenida Salim Farah Maluf e matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana na madrugada de 31 de março de 2024.
Testemunhas confirmaram que Sastre havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir. O filho da vítima relatou as dificuldades financeiras e psicológicas enfrentadas pela família após a morte do pai.
O primeiro a prestar depoimento foi Marcus Vinícius Rocha, amigo de Fernando, que estava no carro no momento do acidente. Ele foi ouvido como testemunha e vítima, porque também se machucou na colisão.
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Marcus confirmou que Fernando estava alterado por causa da bebida. Ele também afirmou que foi com o amigo no carro porque não queria deixá-lo sozinho.
O depoimento seguinte foi o de Lucas, filho de Ornaldo. Ele contou sobre os problemas psicológicos e financeiros enfrentados por ele, pela mãe e pelos dois irmãos após a morte do pai.
Segundo o relato, a família chegou a receber cestas básicas de parentes e de uma igreja evangélica. Os familiares ainda são cobrados pelo banco, porque o carro de Ornaldo era financiado.
Deois, por videoconferência, foi a vez ex-namorada de Marcus. Ela também confirmou que Fernando havia bebido e estava cambaleante antes de dirigir.
A mãe do réu foi a última a ser ouvida.
A promotoria pede a condenação de Fernando Sastre a 20 anos de prisão. O julgamento deve terminar nesta quinta. A defesa de Fernando Sastre sustenta que houve homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Acidente matou motorista de aplicativo e feriu passageiro
Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo
Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, morreu depois que o Renault Sandero que dirigia foi atingido na traseira pelo Porsche conduzido por Fernando, na madrugada de 31 de março de 2024.
A batida ocorreu na Avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste de São Paulo, e foi registrada por câmeras de segurança (veja imagem acima).
Segundo a acusação, Fernando dirigia após consumir bebida alcoólica e em velocidade muito acima do limite da via. Laudo do Instituto de Criminalística apontou que o Porsche estava a cerca de 136 km/h no momento do impacto, em um trecho com limite de 50 km/h.
Ornaldo foi socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu. O filho dele, Luam Silva, escreveu nas redes sociais: “Um sentimento de injustiça gigantesco dentro de mim”. Ele também pediu que a Justiça fosse feita.
Fernando deixou o local da batida e se apresentou à polícia no dia seguinte. Ele está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.
O que diz a defesa
Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo.
"Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão.
"Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado.
Source: G1
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