Em entrevista ao g1, a mãe do garoto, Maria Hozana Silva Fagundes, contou que ele tem autismo e epilepsia e pegou o medicamento sem ninguém ver depois que ela saiu para buscar o almoço. A criança passou mal na manhã da sexta-feira (6) e recebeu alta no fim da tarde do sábado (7). Segundo a família, Anthony tomou uma dose 36 vezes maior do que a recomendada.
Ele passou por um quadro muito grave e reagiu muito bem a tudo. Quando eu cheguei no Hospital de Igarassu, depois da parada cardíaca, eu pensei, mesmo, que ia enterrar meu filho. [...] Só que, depois que foi para o HR, ele teve um quadro de melhora muito grande
O medicamento que Anthony tomou tem como princípio ativo a periciazina, substância indicada para quadros de agitação e irritabilidade. Segundo Hozana, ele usa esse medicamento para dormir, em formato de conta-gotas. Ainda de acordo com ela, o menino tinha ficado em casa com a irmã mais velha, uma adolescente de 13 anos. Ele tomou a medicação por volta das 11h.
"Dei banho nele e disse assim (para a filha): 'é coisa de 20 minutos, vou pegar o almoço aqui na beira da pista, deixa as portas fechadas para ele não ir para a caixa d'água'. Ele achou a medicação e, quando ela viu, ele já tinha tomado mais da metade de um frasco. É um remédio que ele toma todo dia, mas ele só toma seis gotas", afirmou.
De acordo com a mãe, Anthony tem picacismo, transtorno alimentar que faz as pessoas ingerirem substâncias não alimentares ou nutritivas.
"Ele come sabonete, se deixar fácil. Desde novinho que ele tem essa síndrome. Então, o remédio, para ele, não é coisa ruim, é coisa boa. Tudo que for de arder, para a gente é ruim, mas para ele é bom. [...] Sempre sou muito ativa, não deixo essas coisas fácil e de repente ele achou o remédio que eu não sabia onde estava, estou me mudando de casa", explicou.
Hozana disse que, quando a irmã adolescente viu que o menino tinha tomado o frasco, ligou para ela, que correu de volta para casa e encontrou o garoto ainda acordado. A mãe pediu um carro de aplicativo e os dois foram para o Hospital de Igarassu.
"Fui voando para Igarassu, para a emergência de lá. Quando eu cheguei, ele já estava desacordado. Na hora em que eu cheguei, eles já pegaram o meu filho, levaram direto para a Sala Vermelha, fizeram uma lavagem nele, tentaram tirar tudo o que tinha dentro dele, só que já tinha feito mais de uma hora que ele tinha tomado a medicação. Depois dele 'dopadinho', ele teve uma piora. Não abria mais os olhos e não respondia. Aí tiveram que entubá-lo", disse.
Anthony Heitor, de 2 anos, ficou internado após tomar superdose de remédio controlado em Itamaracá, no Grande Recife — Foto: Acervo pessoal
Transferência de helicóptero
Menino de 2 anos é socorrido após tomar dose de medicamento 36 vezes maior que a recomendada
Segundo a mãe do menino, após a intubação, a equipe médica resolveu transferir o paciente e encontrou uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração, localizado a cerca de 30 quilômetros de Igarassu, no bairro do Derby, na área central do Recife.
Para fazer a transferência, foi acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas, como o trânsito na região estava muito intenso, a instituição solicitou um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para transportar o garoto.
"Não conseguiram me levar, porque ele estava mal e não tinha vaga para mim com ele. Voltei para o hospital e me levaram de ambulância para onde ele estava, para o HR", detalhou Hozana.
O voo começou por volta das 15h40 e durou seis minutos até o desembarque no Campo do Derby, que fica a poucos metros do Hospital da Restauração. À noite, por volta das 20h, o menino foi desintubado.
"Sedaram bastante ele lá no Hospital de Igarassu e ele também foi sedado lá no HR. Só que ele estava respondendo à sedação, não estava conseguindo ficar sedado totalmente. Estava tentando fazer muito esforço com os pés, com as mãos, tentando gritar, só não conseguia mexer a cabecinha e nem abrir os olhos. Eles decidiram tentar desintubar para ele não ficar acostumado com a ventilação do tubo. Conversaram comigo e eu disse: 'se for pelo melhor do meu filho, eu aceito'. Ele (Anthony) foi reagindo muito bem à desintubação", contou.
Depois disso, o garoto dormiu no hospital e acordou no início da tarde do sábado (7). Após algumas horas sob observação, foi liberado e voltou para casa.
"Depois do almoço, ele veio acordar. E ele sempre muito forte. Graças a Deus. Ele está brincando. Ele só ainda está um pouco 'grogue', mas está bem. Respiração 100%.
Menino de 2 anos é socorrido após tomar dose de medicamento 36 vezes maior que a recomendada no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp
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Source: G1 · — Maria Hozana Silva Fagundes, mãe de Anthony Heiror
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