Batizada de Operação Chave Mestra, a ação cumpre 28 ordens judiciais em Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

De acordo com a investigação, os suspeitos invadiram a conta corporativa de um funcionário de um banco de desenvolvimento com atuação no estado. Segundo a polícia, os criminosos assumiram o controle da linha telefônica da vítima para acessar e-mails e arquivos internos. Entenda abaixo como funcionava o golpe.

A Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra seis investigados e dez mandados de busca e apreensão. Também foram determinados bloqueios de contas bancárias e de criptoativos vinculados a pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Linha telefônica foi transferida para outro chip

A investigação começou depois que um funcionário do banco relatou que a linha de celular dele havia deixado de funcionar repentinamente, em dezembro de 2025. Na mesma manhã, o número foi transferido remotamente para um chip instalado em um aparelho controlado pelos criminosos.

Com o domínio da linha, o grupo passou a receber códigos de verificação enviados por SMS e conseguiu redefinir a senha da conta corporativa do funcionário. Segundo a Polícia Civil, o invasor acessou e baixou arquivos internos, incluindo documentos sobre a infraestrutura de tecnologia e segurança da instituição.

Por meio de um aplicativo corporativo de mensagens, o invasor também entrou em contato com oito funcionários da área de tecnologia e solicitou privilégios de acesso aos sistemas bancários centrais.

Os pedidos foram negados. A credencial permaneceu sob controle do invasor por cerca de 48 horas, mas, conforme a polícia, nenhuma movimentação financeira chegou a ser realizada nesse período.

Funcionário de operadora é investigado

A Polícia Civil afirma que a troca do chip foi realizada por um funcionário de uma operadora, que faria parte do esquema. Segundo a investigação, ele e um familiar receberam cerca de R$ 44,7 mil em transferências via Pix, por meio de uma pessoa jurídica, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

A investigação também identificou a comercialização de serviços clandestinos para a derrubada e a transferência de linhas telefônicas. O grupo teria acesso a dados pessoais das vítimas, como nome, CPF, data de nascimento e endereço.

Ainda de acordo com a polícia, os investigados vendiam serviços de manipulação de chips, acesso indevido a sistemas internos de operadora de telefonia e exclusão clandestina de registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão.

Para dificultar a identificação, os criminosos usavam um serviço estrangeiro de rede virtual privada, conhecida pela sigla VPN, além de aparelhos celulares com frequentes trocas de chips. Um dos dispositivos esteve vinculado a cerca de 38 linhas telefônicas de titulares de diferentes estados desde janeiro de 2025.

Movimentações financeiras

A análise financeira identificou movimentações bancárias atípicas que, somadas, superam R$ 3,7 milhões nas contas dos principais investigados. A polícia também localizou um depósito em criptoativos estimado em aproximadamente R$ 5 milhões.

Conforme a investigação, o grupo era dividido entre um núcleo operacional, operadores financeiros, o funcionário da empresa de telefonia e um núcleo que comprava as informações obtidas ilegalmente para aplicar golpes, incluindo invasões de instituições financeiras.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e responsabilizar os autores.

Operação Chave Mestra teve mandados cumpridos em quatro estados nesta quarta-feira (4) — Foto: Polícia Civil do RS/Divulgação

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Source: G1

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