Enquanto algumas regiões registraram índices de ausência abaixo de 20%, o bairro Santa Cecília apresentou a maior taxa da cidade: 32,68%. Os dados são dos resultados das zonas eleitorais da cidade disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na outra ponta da lista, o bairro São Cristóvão, na região mais central de Uberaba, apresentou a menor taxa de abstenção: 13,51%. Seguido por Fabrício (20,07%) e Mercês (20,24%).

Segundo o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Moacir de Freitas Júnior, há uma relação histórica entre os maiores índices de abstenção e regiões com população de renda mais baixa, embora não seja possível afirmar uma causa única para o fenômeno.

"O eleitorado de menor renda, historicamente, é o que mais se abstém. Existem fatores como dificuldades de deslocamento, questões cadastrais e obstáculos da vida cotidiana que podem influenciar essa decisão", explicou.

Distância passa de 13 pontos percentuais

Os números revelam uma distância de 13,23 pontos percentuais entre o bairro com maior e o de menor abstenção. Enquanto um em cada três eleitores deixou de votar no Santa Cecília, no São Cristóvão a participação foi de quase nove em 10 eleitores.

Para Moacir de Freitas Júnior, além das dificuldades práticas, há uma percepção de distanciamento entre a política e os problemas do dia a dia de parte da população. Segundo ele, muitos eleitores acreditam que o voto não terá impacto concreto em suas vidas, o que contribui para o afastamento do processo eleitoral.

"Ele pensam: não importa se eu for votar ou não, porque no dia seguinte eu tenho que trabalhar do mesmo jeito, então eu não vou. E aproveitam o domingo com a minha família e não vão. Se desconectam da política."

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O que explica as diferenças?

Para Moacir de Freitas, a concentração da abstenção em determinados territórios pode estar associada a fatores socioeconômicos e de acesso, embora pesquisas específicas sejam necessárias para confirmar as causas.

Segundo ele, historicamente os maiores índices costumam aparecer em regiões onde vivem pessoas com menor renda e escolaridade. O professor aponta que mudanças de endereço, pendências eleitorais e dificuldades de deslocamento frequentemente entram na equação.

"Tudo isso provavelmente são fatores que vão influenciar. Pode acontecer de a pessoa morar hoje em um lugar diferente daquele onde está cadastrada e acabar não votando por causa do deslocamento ou por questões burocráticas", disse.

Desinteresse e sensação de distância da política

Além dos obstáculos práticos, o especialista avalia que parte da abstenção está relacionada ao afastamento dos eleitores do debate político.

"Quanto mais pressionadas pelas dificuldades do dia a dia as pessoas estão, mais podem se desconectar da política. Muitas vezes chega-se à conclusão de que votar ou não votar não muda a rotina imediata, embora isso não seja verdade", afirmou.

Para ele, existe uma dificuldade em associar decisões políticas aos impactos concretos na vida da população.

"É difícil conectar a política com quem está preocupado em resolver problemas urgentes, como pagar contas ou sustentar a família. Mas a vida real e a política são uma coisa só".

O que observar no segundo turno

Na avaliação de Moacir, disputas equilibradas tendem a mobilizar mais eleitores, o que pode ajudar a reduzir a abstenção no segundo turno.

"Quando a eleição está acirrada, as pessoas tendem a participar mais porque já tomaram partido e fazem questão de demonstrar essa escolha nas urnas", afirmou.

O especialista pondera, porém, que a ausência de uma disputa estadual em segundo turno pode atuar no sentido contrário. "Como não haverá segundo turno para governador, isso reduz o volume da campanha. Algumas pessoas podem até esquecer que há votação. Ainda assim, a tendência é de uma participação semelhante à observada em eleições muito disputadas".

O professor avalia que o cenário atual se assemelha ao observado em 2022, quando o segundo turno registrou maior engajamento do eleitorado em relação ao primeiro dia de votação.

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Source: G1

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