A descoberta foi anunciada nesta quarta-feira (27) pelo Centro de Planetas Menores (MPC, na sigla em inglês), da União Astronômica Internacional. Apesar das estimativas iniciais, ainda são necessárias observações no infravermelho para determinar o tamanho exato do objeto e confirmar se ele pode ser classificado como planeta anão.

Se a classificação for confirmada, o ED138 se juntará aos cinco planetas anões reconhecidos pela União Astronômica Internacional: Plutão, Ceres, Éris, Haumea e Makemake.

O objeto foi identificado por Matthew Holman, integrante da equipe de operações do Observatório Rubin e pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, nos Estados Unidos.

VEJA TAMBÉM:

Agora no g1

Agora no g1

Ele encontrou o corpo ao analisar dados coletados pelo observatório no início de 2026, utilizando um código desenvolvido com o colega Kevin Napier para identificar objetos em movimento a partir de bilhões de registros.

🪐Ao perceber que o brilho e a distância do objeto indicavam que ele poderia ser excepcionalmente grande, Holman iniciou uma investigação para verificar a descoberta.

Em uma busca detalhada nos catálogos e nas imagens do Rubin, o cientista Mario Jurić, da Universidade de Washington e responsável científico pela área de Sistema Solar no observatório, encontrou outras 20 observações do ED138, que remontam a 4 de março de 2026.

Ao todo, o telescópio de levantamento Simonyi, do Rubin, observou o objeto 30 vezes, em 20 noites, entre 4 de março e 11 de julho. Imagens de arquivo de outro instrumento, a Câmera de Energia Escura (DECam, na sigla em inglês), também permitiram rastrear registros do corpo até 2016. Com esses dados, a equipe conseguiu reconstruir mais de dez anos de sua órbita.

Objeto está além de Netuno

➡️Atualmente, o ED138 está a cerca de 46 unidades astronômicas do Sol. Uma unidade astronômica corresponde à distância média entre a Terra e o Sol. Para comparação, Plutão tem uma distância média de 40 unidades astronômicas.

Por estar mais distante do Sol do que Netuno, o ED138 é classificado como um objeto transnetuniano, categoria que reúne corpos que orbitam o Sol além da órbita do planeta.

Sua órbita tem inclinação de quase 25 graus em relação ao plano do Sistema Solar. Essa característica o classifica como um objeto transnetuniano clássico quente e sugere que ele pode ter sido deslocado de sua órbita original por interações gravitacionais com Netuno.

Os objetos transnetunianos são estudados pelos cientistas para compreender como o Sistema Solar se formou, como os planetas gigantes migraram ao longo do tempo e como corpos menores foram dispersos durante esse processo.

Por que ele ainda não é considerado um planeta anão?

Nem todo objeto transnetuniano é um candidato a planeta anão. Uma das características necessárias para essa classificação é que o corpo tenha massa suficiente para que sua própria gravidade o torne aproximadamente esférico.

Com base na distância, no brilho e na estimativa de refletividade da superfície do ED138, a equipe calculou que ele pode ter entre 600 e 1.500 quilômetros de diâmetro. Segundo os pesquisadores, espera-se que corpos gelados desse tamanho sejam arredondados pela própria gravidade.

A estimativa inicial coloca o objeto entre os maiores candidatos a planetas anões já descobertos além de Netuno. No entanto, observações adicionais no infravermelho são necessárias para restringir a estimativa de tamanho e confirmar sua natureza.

Região com milhões de estrelas dificultava a descoberta

O ED138 foi encontrado em uma região do céu próxima ao plano da Via Láctea, onde há milhões de estrelas. Segundo a equipe do observatório, o objeto provavelmente não havia sido descoberto antes porque ficava perdido entre as inúmeras fontes de luz ao fundo.

O monitoramento contínuo do céu do Hemisfério Sul pelo Rubin, combinado com algoritmos capazes de analisar milhões a bilhões de pontos luminosos e identificar objetos em movimento, permitiu localizar o corpo.

Depois da identificação, os pesquisadores também conseguiram encontrar registros anteriores do ED138 em imagens nas quais ninguém sabia que deveria procurá-lo. Essa estratégia permite reconstruir a trajetória de objetos recém-descobertos e compreender melhor suas órbitas.

O ED138 faz parte de um conjunto crescente de objetos do Sistema Solar identificados pelo Rubin durante a preparação para o Levantamento Legado do Espaço e do Tempo (LSST, na sigla em inglês), iniciado em junho de 2026.

Em abril, antes do início oficial do levantamento, a equipe do Sistema Solar do Rubin já havia enviado ao Centro de Planetas Menores observações de mais de 11 mil novos asteroides, incluindo cerca de 380 objetos transnetunianos.

O observatório continuará a registrar repetidamente imagens de todo o céu do Hemisfério Sul durante dez anos. Segundo Matthew Holman, caso o ED138 seja confirmado como planeta anão, ele passará a integrar uma pequena família de mundos. O monitoramento também poderá revelar outros objetos que permaneceram escondidos em regiões não exploradas por levantamentos anteriores.

Source: G1

At a glance

Topic
World
Country
🇧🇷 BR
Publisher language
PT
Added to Allnira