Beatriz Santos Pereira afirma que sofreu ferimentos em várias partes do corpo, precisou ser internada e atualmente enfrenta dificuldades até para cuidar da filha, uma bebê de 1 ano e 8 meses.
Ela prestou queixa após as agressões. O g1 procurou a Polícia Civil para apurar se o suspeito foi localizado e o status da investigação, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Em entrevista ao portal, Beatriz contou que estava na praça para buscar a criança, que havia passado o dia com o pai. Segundo ela, os dois tinham combinado que a menina seria entregue às 19h, mas, por volta das 18h, o ex-companheiro enviou mensagens dizendo que precisava devolvê-la antes porque estava em uma festa de aniversário.
A mulher explicou que estava trabalhando em uma faxina em uma escola e pediu que ele aguardasse. Como o homem insistiu, ela interrompeu o serviço e solicitou um carro por aplicativo para buscar a filha.
Ao chegar à praça do Limoeiro, Beatriz percebeu que o ex-companheiro estava acompanhado da atual namorada. Ela afirmou que não sabia que os dois ainda estavam juntos, pois ele havia dito anteriormente que não mantinha mais o relacionamento.
"Eu vi uma mulher com minha filha no colo. Olhei para ela e perguntei: 'Boa noite, você é a atual do pai da minha filha?'. Ele já começou a me empurrar, e ela ironicamente respondeu que sim", contou.
Agora no g1
De acordo com Beatriz, após a resposta, ela jogou a bebida que havia comprado no rosto da mulher e as duas começaram a trocar tapas. Nesse momento, o ex-companheiro teria dado um soco no rosto dela, enquanto estava com a filha no colo. Em seguida, Beatriz também deu um tapa nele.
A mulher relatou que o homem conseguiu entrar no carro, fechar a porta e arrancar com o veículo enquanto ainda a segurava pelo braço. Para evitar que a filha também fosse arrastada durante a movimentação, ela conseguiu retirar a criança do colo e deixá-la na avenida.
"Eu ainda ouvi os gritos dela enquanto gritava por socorro. Até ele passar no quebra-molas e eu ser arremessada, batendo a cabeça no chão. Desmaiei".
Segundo Beatriz, o veículo também passou por cima de suas pernas. Pessoas que estavam na praça acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e ela foi encaminhada ao Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).
Beatriz contou que passou por exames de raio-X e tomografia durante o atendimento médico. Apesar de não terem sido identificadas fraturas, ela afirma que sofreu lesões musculares na região das costelas e ferimentos nos ombros, braços, mãos, joelhos, pernas e pés.
Atualmente, a mulher precisa de cadeira de rodas e muletas para se locomover. Desempregada e sem familiares em Feira de Santana, ela conta que recebe ajuda de vizinhos para cuidar de si e da filha.
"É triste ver minha bebê pedir colo e eu não conseguir sequer amamentá-la. Não consigo cuidar de mim e nem dela. Isso é muito devastador para uma mãe", desabafou.
Histórico de violência durante relacionamento
Beatriz afirmou que o relacionamento com o ex-companheiro sempre foi conturbado e que já havia sofrido agressões físicas, psicológicas e patrimoniais durante a convivência.
Segundo ela, o homem quebrava objetos, colocou fogo em suas roupas e chegou a queimar a certidão de nascimento da filha. Em um dos episódios, quando a criança tinha quatro meses, o ex-companheiro teria se trancado dentro de casa com a bebê e ateado fogo nos pertences da mulher.
Na ocasião, Beatriz afirma que foi agredida com uma barra de ferro e quase teve o braço quebrado.
A mulher disse ainda que já havia sofrido violência em São Paulo, onde chegou a conseguir uma medida protetiva. No entanto, o documento perdeu a validade.
Vítima pede justiça
Após o episódio em Feira de Santana, Beatriz informou que solicitou uma nova medida protetiva, mas ainda não recebeu o documento. Ela disse que não sabe como está o andamento do caso e que não se sente segura.
"Estou viva porque Deus permitiu e vou fazer jus ao que me aconteceu. Quantas mulheres hoje estão engavetadas porque não tiveram a chance que eu tive? Peço encarecidamente: não o deixem solto. Aconteceu comigo, amanhã pode ser outra. E será que vai sobreviver?", questionou, de forma retórica.
Em meio a isso, Beatriz não sabe se o suspeito sequer foi detido. Ela disse que prestou queixa, mas não tem detalhes sobre a investigação.
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Source: G1
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