Segundo um novo estudo da World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de cientistas que investiga a influência do aquecimento global em eventos climáticos extremos, havia cerca de 9% mais vapor d'água na atmosfera do que haveria em um clima sem o aquecimento causado pelas atividades humanas.

Esse aumento é importante porque representa mais água disponível para cair na forma de chuva. Quanto mais quente fica a atmosfera, maior é sua capacidade de armazenar vapor d'água.

Os pesquisadores também concluíram que as águas do oceano por onde o Dujuan passou antes de atingir sua intensidade máxima estavam entre 2°C e 3°C mais quentes do que estariam em um clima pré-industrial.

O oceano mais quente fornece energia e umidade para tempestades tropicais e pode favorecer chuvas mais intensas.

O Dujuan atingiu a região de Kantō, no Japão, em setembro, provocando chuvas torrenciais, enchentes e deslizamentos. Segundo o estudo, 17 pessoas morreram, principalmente em deslizamentos na província de Chiba, e quase 45 mil residências ficaram sem energia.

Os cientistas analisaram dados meteorológicos e diferentes modelos climáticos para investigar a influência do aquecimento global sobre o episódio.

Os resultados indicam que extremos de chuva estão se tornando mais prováveis e intensos à medida que o planeta aquece.

No caso específico do Dujuan, porém, as incertezas dos dados e dos modelos não permitem determinar com precisão quanto da chuva pode ser atribuído à mudança climática.

Tufão Dujuan atinge o Japão com ventos de até 194 km/h

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Uma análise complementar, baseada em simulações de tempestades semelhantes ao Dujuan, encontrou volumes de chuva entre 20% e 40% maiores nas áreas mais atingidas no clima atual em comparação com condições pré-industriais.

Os autores ressaltam, no entanto, que esse resultado foi obtido por uma metodologia diferente e que ainda existem incertezas importantes na atribuição direta das chuvas do tufão.

A influência do aquecimento global sobre o próprio sistema foi menor. As simulações apontaram apenas um pequeno aumento na intensidade dos ventos e não encontraram mudança estatisticamente significativa na frequência de tufões semelhantes.

Para os autores, o episódio também mostra os limites das medidas de adaptação a eventos extremos.

O Japão possui sistemas avançados de previsão, alertas de emergência e estruturas de proteção contra enchentes. Mesmo assim, o tufão provocou centenas de deslizamentos, alagamentos e danos à infraestrutura.

“Mesmo em um país como o Japão, com extensas defesas fluviais e sistemas avançados de previsão, uma chuva dessa intensidade pode causar danos graves”, afirmou Yukiko Imada, pesquisadora da Universidade de Tóquio e uma das autoras do estudo.

O trabalho reuniu cientistas do Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Irlanda e Holanda ligados à World Weather Attribution e ao Weather Attribution Center Japan, um centro de pesquisa independente lançado em maio de 2025.

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Source: G1

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