César Henrique de Souza Peroba, supervisor direto do motorista, foi absolvido.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o veículo, que transportava etanol, apresentava problemas no sistema de freios e continuou a viagem. Na descida da Serra do Mar, o caminhão bateu contra uma mureta de proteção, invadiu a pista contrária e atingiu outros 11 veículos. Nove deles pegaram fogo.

A tragédia aconteceu em 3 de julho de 2016. Segundo a acusação, o motorista havia avisado o supervisor sobre os problemas nos freios, mas a viagem foi mantida. Laudos periciais apontaram que o caminhão trafegava entre 116 km/h e 132 km/h no momento do impacto, em um trecho em que o limite para veículos pesados era de 60 km/h.

O Ministério Público ofereceu denúncia contra os dois por seis homicídios, três lesões corporais graves e sete lesões corporais leves, e sustentou que eles assumiram o risco de provocar as mortes e os ferimentos.

Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná — Foto: Reprodução/RPC

O que dizem as defesas?

Por meio de nota, a defesa de José do Nascimento Pacheco lamentou a condenação e afirmou que a pena é desproporcional ao caso.

"A defesa ingressará com todos os recursos cabíveis nas instâncias superiores com a finalidade de alcançar a justiça", diz a nota.

O advogado Márcio Dal Piva, responsável pela defesa do supervisor César Henrique de Souza Peroba, classificou a decisão como "acertada e justa". Leia a nota:

"A decisão reconhece aquilo que a defesa sustentou ao longo do processo, a ausência de qualquer participação ou omissão de Cesar Henrique Peroba nos fatos que deram origem ao trágico e lamentável acidente.

A defesa manifesta seu profundo respeito e solidariedade às vítimas e aos seus familiares, reconhecendo a dimensão da dor e das perdas decorrentes dessa tragédia.

Contudo, é fundamental ressaltar que a Justiça não se concretiza apenas por meio de condenações, mas também, e sobretudo, quando se reconhece a inocência de quem não contribuiu para os fatos e se assegura sua liberdade.

A decisão dos jurados reafirma a importância de um julgamento justo, pautado nas provas e na responsabilidade individual, demonstrando que a busca pela Justiça deve sempre prevalecer sobre qualquer expectativa de condenação."

Relembre o acidente

Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná — Foto: Reprodução/RPC

O acidente aconteceu por volta das 17h50 de domingo, 3 de julho de 2016, no quilômetro 34 da BR-277, no sentido Curitiba-Paranaguá.

O caminhão-tanque transportava 44 mil litros de etanol quando bateu contra a mureta que divide as pistas. Depois do impacto, a carreta invadiu a pista contrária e atingiu outros veículos. O combustível inflamável provocou um incêndio de grandes proporções.

Na época, as duas pistas da rodovia chegaram a ficar totalmente interditadas para que as equipes controlassem as chamas e atendessem as vítimas.

O motorista do caminhão-tanque não se feriu e ficou preso por dois dias. Ele foi solto após pagar fiança de R$ 8,8 mil.

Quem são as vítimas

Pedro Idalgo Filho; Caroline Fernanda Grassmann Martins e Luiz Carlos Silva; Anderson Cunha e Gabriel Cunha; Ana Carolina Novacoski — Foto: Reprodução/Facebook

Também morreram Caroline Fernanda Grassmann Martins, de 22 anos, e Luiz Carlos da Silva, de 26, pais de uma bebê que sobreviveu à tragédia.

A bebê Maria Fernanda tinha 17 dias de vida na época. Ela foi encontrada com vida nas proximidades do acidente e levada ao Hospital Evangélico, em Curitiba. Segundo testemunhas ouvidas na época, o pai conseguiu retirá-la do carro da família. A criança recebeu alta médica dois dias depois.

A sexta vítima foi Pedro Idalgo Filho, de 55 anos. Ele foi resgatado com vida e encaminhado ao Hospital Evangélico, em Curitiba, com cerca de 90% do corpo queimado, mas morreu dois dias depois.

O que diz a acusação

Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná — Foto: Reprodução/RPC

Segundo o MPPR, o caminhão apresentava problemas no sistema de freios antes do acidente. Em depoimento à polícia, o motorista relatou que o veículo havia apresentado falhas na semana anterior e que, na véspera da tragédia, o painel indicou um problema no sistema de ar.

A denúncia afirma que Pacheco comunicou as falhas ao supervisor por WhatsApp, mas continuou a viagem. Para o Ministério Público, Peroba também tinha conhecimento dos problemas e teria determinado que o transporte prosseguisse.

Laudos periciais apontaram que o caminhão trafegava entre 116 km/h e 132 km/h no momento do impacto. No trecho, o limite de velocidade para veículos pesados era de 60 km/h.

Para o Ministério Público, os dois assumiram o risco de provocar as mortes e os ferimentos, o que caracteriza dolo eventual. A denúncia inclui seis homicídios, três lesões corporais graves e sete lesões corporais leves.

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Source: G1

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