Segundo a pesquisadora Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do Inca, as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, aos exames de detecção precoce e ao tratamento ajudam a explicar esse cenário.

“A gente sabe que, historicamente, a população negra tem menos acesso aos serviços de saúde, menos acesso aos exames de detecção precoce e ao tratamento. O diagnóstico precoce tem uma importância fundamental”, afirmou.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, mais de 61% das mulheres brancas realizam mamografias de rastreamento. Entre mulheres pretas e pardas, o índice varia de 54% a 56%.

Mais de 61% das mulheres brancas realizam mamografias de rastreamento. Entre mulheres pretas e pardas, o índice varia de 54% a 56%. — Foto: Reprodução/ TV Globo

Diagnóstico precoce

A empresária Solange Barbosa de Freitas descobriu o câncer de mama em 2019, durante um exame de rotina. Segundo ela, o diagnóstico precoce foi fundamental para o sucesso do tratamento.

“Eu tinha 51 anos. Quando recebi o diagnóstico, meu chão se abriu. É muito importante a prevenção. Independentemente de você estar sentindo dor ou não, acho que é bom fazer o autoexame e procurar um médico. Eu achava que o câncer seria um fim, e não é. Eu escolhi reagir e deu tudo certo. Está dando”, contou.

A recepcionista Joyce do Nascimento recebeu o diagnóstico há quase dez anos, quando tinha 23 anos. Ela passou por quimioterapia e, depois de um ano, fez uma mastectomia total da mama esquerda e retirou parte do tecido das axilas.

“É importante procurar tratamento, pois o câncer é uma doença ingrata”, disse.

Joyce não enfrentou dificuldades para ter acesso ao tratamento, mas essa não é a realidade de muitas mulheres negras diagnosticadas com câncer de mama, segundo os dados apresentados pelo Inca.

A empresária Solange Barbosa de Freitas descobriu o câncer de mama em 2019. Para ela, o diagnóstico precoce foi fundamental — Foto: Reprodução/ TV Globo

Tumores mais agressivos

A publicação também aponta que mulheres pretas e pardas são diagnosticadas com câncer de mama em estágios mais avançados e em idades mais jovens. Além disso, apresentam com maior frequência tumores mais agressivos.

Segundo o diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil, um deles é o chamado câncer de mama triplo-negativo.

“A gente chama de triplo-negativo, que não expressa nenhum marcador de membrana. Esses tumores evoluem mais rapidamente, proliferam mais, dão mais metástase. Por isso, precisam ter uma abordagem mais urgente e um tratamento específico no seu reconhecimento”, explicou.

Para Gil, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso ao diagnóstico precoce.

“Esse corte desse tipo de estudo traz a necessidade de a gente ter um olhar para a produção de políticas públicas que favoreçam o maior acesso dessa população a um diagnóstico precoce”, afirmou.

Mortalidade de câncer de mama é quatro vezes maior nas mulheres negras, diz Inca — Foto: Reprodução/ TV Globo

Source: G1

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