"No final da noite de sábado, enquanto olhava fotos de crianças antes de ir dormir, esqueci a primeira regra do Twitter — nunca, jamais espere uma conversa cheia de nuances — e reagi ao que considerei uma linguagem degradante sobre as mulheres. Desde então, venho pagando o preço. Fui chamada de transfóbica, de 'cunt' (vagabunda/canalha), de 'bitch' (vadia), de TERF [feminista radical trans-excludente]. Disseram que eu merecia ser cancelada, espancada e morta. 'Você é o Voldemort', disse uma pessoa, claramente achando que essa era a única linguagem que eu seria capaz de entender", contou a autora.
"'Pessoas que menstruam'. Tenho certeza de que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude? Wumben? Wimpund? Woomud? [modificações propositais da palavra 'woman', que significa mulher em inglês]", disse Rowling.
"Minhas opiniões não mudaram, mas o cenário, sem dúvida, mudou; além disso, meu próprio envolvimento com a questão tornou-se tanto prático quanto teórico, por isso achei que era hora de uma atualização", afirmou a autora, citando o apoio de seu instituto, o J.K. Rowling Women’s Fund, em ações judiciais de grupos feministas.
No novo texto, Rowling ainda cita que existem, "sem dúvida", pessoas trans em situação de vulnerabilidade. "Pessoas trans deveriam ser discriminadas no que diz respeito a moradia ou emprego? É claro que não. Pessoas trans deveriam ser privadas de seus direitos humanos ou ter sua segurança pessoal negada? Mais uma vez: é claro que não".
Ela ainda afirma que “há uma década ou mais, ativistas trans e seus seguidores em posições de influência têm insistido — e agido — como se os direitos das mulheres fossem ultrapassados e até mesmo sem sentido. Eles criaram um clima de medo e intimidação no qual um simples pronome usado de forma ‘inadequada’ poderia levar uma mulher a sofrer sanções disciplinares”.
“No que diz respeito aos direitos civis, aos direitos de gays e aos direitos das mulheres, pessoas comuns — que tinham pouco ou nenhum poder individual — organizaram-se na base para desafiar instituições poderosas, incluindo o governo, confrontando seus preconceitos arraigados e fazendo campanha para mudar tratamentos nocivos e discriminatórios.”
“O ativismo trans do século XXI é exatamente o oposto desses movimentos. É, em sua essência, elitista”, aponta J.K. Rowling.
A autora finalizou seu texto afirmando que não o escreveu "na esperança de que alguém sinta pena de mim — nem um pouquinho sequer".
"Tudo o que peço — tudo o que quero — é que uma empatia e uma compreensão semelhantes sejam estendidas aos muitos milhões de mulheres cujo único "crime" é desejar que suas preocupações sejam ouvidas, sem que, para isso, precisem sofrer ameaças ou abusos."
Source: G1
At a glance
- Topic
- World
- Country
- 🇧🇷 BR
- Publisher language
- PT
- Added to Allnira