Segundo o Instituto, das dez amostras de água coletadas em 29 de outubro, quatro apresentaram resultado positivo para a presença do parasita Cryptosporidium spp.. Os resultados positivos foram identificados nos bairros Centro, Jardim Maringá, Vila Nova e Bairro de Cima.
🔎 O protozoário Cryptosporidium spp. afeta as células do intestino delgado e pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de humanos ou animais infectados. Ele causa diarréia intensa, cólicas, náuseas, vômitos e febre.
Segundo o Instituto Adolfo Lutz, o parasita é resistente ao cloro utilizado convencionalmente no tratamento da água. Sua remoção depende da eficiência dos processos de filtração, que precisam ser adequados para reter esses microrganismos.
Instituto Adolfo Lutz encontrou o protozoário Cryptosporidium spp. em quatro de dez amostras coletadas em Itapeva (SP) — Foto: TV TEM
De acordo com a prefeitura, a rede pública de saúde registrou 4.366 atendimentos de pacientes com sintomas de gastroenterite entre 13 de setembro e 31 de outubro. O período com maior procura ocorreu entre os dias 4 e 10 de outubro, quando 1,5 mil pessoas buscaram atendimento nas unidades de saúde.
Santa Casa de Itapeva (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Segundo a companhia, serão investidos R$ 50 milhões no pacote de ações. Entre as iniciativas está a criação de uma Comissão Técnica Independente, coordenada pelo médico infectologista David Uip e integrada pela especialista Ângela Di Bernardo e pelo microbiologista Daniel Cerqueira.
O grupo será responsável por avaliar os processos de tratamento e distribuição de água, aprofundar as análises técnicas e recomendar eventuais medidas adicionais.
Para ampliar o acesso à água potável, a Sabesp também instalará 10 pontos gratuitos de abastecimento em diferentes regiões da cidade. Cada estrutura contará com um reservatório de 5 mil litros. A distribuição dos pontos deverá priorizar equipamentos públicos e famílias em situação de vulnerabilidade.
A companhia também afirmou que distribuirá kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade, acompanhados de material informativo com orientações sobre cuidados de higiene e prevenção de doenças gastrointestinais.
A Sabesp anunciou, nesta quinta-feira (5), seis novas medidas para reforçar o tratamento e o monitoramento da água em Itapeva (SP) — Foto: TV TEM
Suspensão da cobrança das tarifas
Entre 6 de novembro e 5 de dezembro, a Sabesp suspenderá a cobrança das tarifas de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto no município. A medida, segundo a Sabesp, será aplicada automaticamente às contas emitidas no período, sem necessidade de solicitação por parte dos moradores.
Segundo a Sabesp, as medidas abaixo já estão em andamento:
- Ampliação da capacidade de filtração da água e intensificação dos processos de desinfecção, incluindo o reforço da cloração;
- Intensificação das descargas de rede para promover a renovação da água no sistema de distribuição;
Realização de quatro coletas diárias em diferentes pontos da cidade, além de análises adicionais em laboratórios próprio e independente; - Fornecimento de água potável por caminhões-pipa em locais indicados pelo poder público municipal;
- Instalação de caixas d’água em escolas para aumentar a capacidade de armazenamento.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) participou, nesta quarta-feira (4), de uma reunião com vereadores de Itapeva para discutir o histórico do problema, as providências adotadas pelo poder público e as ações da Sabesp diante dos casos de gastroenterite.
Segundo o órgão, ainda são aguardados os resultados dos laudos mais recentes. O MPSP também informou que instaurou um inquérito civil para apurar as causas do problema e eventual responsabilização pelos danos.
Aulas suspensas na rede municipal
As aulas já haviam sido suspensas em 29 de outubro e foram retomadas na terça-feira (3), devido aos feriados.
A decisão do cancelamento foi informada por meio das redes sociais da prefeita Adriana Duch Machado (MDB), na noite da terça-feira.
Segundo o comunicado, a medida tem como objetivo preservar a saúde de estudantes, professores e demais servidores. A prefeitura informou que as caixas-d'água das escolas foram abastecidas, mas, de acordo com a prefeita, os reservatórios têm capacidade limitada, o que poderia provocar falta de água nas unidades.
Já as escolas da zona rural são abastecidas por poços, sem ligação com o sistema da Sabesp. Por isso, as aulas nessas unidades estão mantidas.
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Source: G1
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