O problema é que, muitas vezes, o isolamento social acaba sendo confundido com solidão e são duas coisas bem diferentes.

Ao g1, o psiquiatra Renan Maekawa, coordenador do Pronto Atendimento de Saúde Mental (PAM) de Ribeirão Preto (SP) e também do Serviço de Psiquiatria Intervencionista do Hospital das Clínicas, disse que isolamento social não significa simplesmente estar sozinho.

Segundo ele, é mais uma condição objetiva, quando a pessoa tem poucos contatos ou interação social. Já a solidão, é algo subjetivo do sentimento.

"Uma pessoa pode morar sozinha e se sentir bem, enquanto outras podem ter várias pessoas em volta e ainda se sentirem desconectadas, e aí sentir essa solidão. Mas é algo que vem aumentando, e isso aumenta o risco de transtornos psiquiátricos e até de quadros de demência".

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Maekawa afirma que, muitas vezes, é justamente o bullying o motivo para uma pessoa tomar a decisão de se isolar.

"O bullying ou algum outro trauma, acaba que traços da personalidade, às vezes associado, também podem aumentar o risco de a pessoa querer se isolar. Transtornos psiquiátricos, depressão, acabam fazendo a pessoa se isolar. E aí ela acaba entrando em um círculo vicioso, porque, ao mesmo tempo que o isolamento aumenta o sintoma depressivo, quanto mais a pessoa se isola, mais deprimida fica".

Isolamento social pode piorar quadros de ansiedade e depressão. — Foto: Freepik

A mulher, que não teve a identidade divulgada, ainda era adolescente quando resolveu se isolar da sociedade e, por isso mesmo, o psiquiatra ouvido pelo g1 faz questão de alertar que esta questão está presente tanto em todas as faixas etárias.

"O idoso aposenta, os familiares, às vezes, acabam se distanciando. Ele mesmo, às vezes, acaba evitando, com algum sentimento de não querer dar trabalho pros familiares. Mas isso também acontece na população mais jovem, a gente acaba percebendo que crianças, adolescentes têm se isolado mais. Um dos fatores disso é o bullying e também a questão da internet. Eles acabam ficando muito em questão de jogos on-line, comunidades virtuais e deixando de ter esses vínculos reais".

Sinais pré-isolamento

Segundo o psiquiatra, as pessoas podem dar alguns sinais antes de decidirem se isolar socialmente. Entre os principais estão a falta de interesse em interagir e o aumento da irritabilidade.

"A pessoa que começa a querer evitar contatos sociais, sair de casa, começa a deixar de fazer coisas que antes gostava de fazer, começa a ficar mais irritada, mais entristecida. Tudo isso são sinais que a gente precisa tomar cuidado que, talvez, ela esteja caminhando para um isolamento".

Familiares e amigos podem ajudar incentivando a pessoa a ter relações sociais de qualidade e vínculos reais. E as redes sociais, neste momento, também devem ser evitadas.

"A rede social conectou pessoas distantes fisicamente, mas ela dá uma falsa sensação de conexão. Então, eu acho que tomar cuidado com esse tempo de acesso à rede social, sair de casa, participar de grupos, procurar um hobby, uma atividade física, tudo isso ajuda".

Os jovens com depressão foram percebidos como menos expressivos. — Foto: Freepik

Reintegração na sociedade

A mulher que ficou 18 anos em isolamento social contou aos policiais que se isolou por vontade própria. Ela negou ter sofrido agressões ou maus-tratos da mãe, com quem vive. As duas estão morando com uma parente.

Elas devem receber acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico e retomarão o convívio social de maneira gradual.

Pobreza eleva em 3 vezes risco de surgimento de ansiedade e depressão — Foto: Canva

Para Maekawa, neste momento, estimular os vínculos é a melhor forma de ressocialização.

"Nós, seres humanos, somos seres sociais. A gente evoluiu, cresceu, tendo os vínculos entre nós. Então é importante, sim, é válido. Só que, neste caso em específico, como é um caso grave, a pessoa estava em isolamento social por muito tempo, a gente tem que estimular os vínculos, sair em grupo, participar de atividades. Mas, nesse caso, essa ressocialização é gradual, então vai ser conforme tem que ser, aos poucos ser reinserida na sociedade. Porque também, se a gente expor demais, pode até ser pior para ela".

"O medo vai ter que ser trabalhado em terapia, vai ter uma reexposição. Aos poucos, ela vai tendo contato, para começar a sentir confiança e ir aumentando essa exposição".

Casa da mulher encontrada vivendo em isolamento social em Cristais Paulista, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil

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Source: G1

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Health
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