“Foi muito rápido, numa fração de segundos”, afirmou Geovane Santana, irmão de Priscila Lacerda Custodio, natural de Perdizes (MG). Ele é uma das testemunhas do crime e diz acreditar que o assassinato possa ter sido premeditado.

Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli — Foto: Arquivo pessoal

A defesa de João disse ao g1, na quarta-feira (28), que analisava o caso e que ainda não havia tido contato com ele.

O que o irmão contou

Geovane disse que estava em casa, em Perdizes, quando a irmã o chamou para acompanhá-la até Rifaina.

“Ela falou assim: ‘Vai comigo, eu preciso levar uma caminhonete’. Peguei e fui”, afirmou.

Segundo ele, Priscila foi com uma amiga em outro carro, e ele dirigiu a caminhonete. No local, a irmã desceu para conversar com o pecuarista.

Antes de ser morta por pecuarista, jovem de MG relatou ter sofrido ameaças

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Geovane contou que ouviu a irmã dizer que só tinha ido devolver a caminhonete e que não queria mais nada com o homem. Ele disse que a ouviu acusá-lo: “Você me agrediu, você me bateu”. De acordo com o irmão, o pecuarista respondeu que não tinha batido nela.

A discussão passou para os celulares. Segundo Geovane, o pecuarista pediu de volta um iPhone 17, e Priscila respondeu que devolveria se recebesse o iPhone 16 dela. O irmão disse que o homem recusou: “Não vou devolver não, você já tem muito telefone”.

À esquerda, Priscila ao lado de Fabyana; à direita, a empresária com a amiga Juliana — Foto: Arquivo pessoal

Segundo Geovane, o pecuarista então levou a mão à cintura e atirou. Ele disse que tudo aconteceu em 10 a 15 segundos. De acordo com o irmão, Priscila foi atingida no abdômen, e não na cabeça, como chegou a circular.

O irmão contou que, em seguida, o pecuarista apontou a arma para ele. Geovane disse que estava desarmado, se afastou alguns passos em direção à rodovia e, ao olhar de novo, viu o suspeito correndo.

Ele afirmou que socorreu a irmã e que um jovem que acredita ser neto do pecuarista os levou ao hospital de Rifaina. Segundo Geovane, Priscila chegou “praticamente sem vida”.

Geovane disse que não sabe o que o pecuarista pensava: “Eu não sou um detetive e não sei o que está no coração das pessoas”.

“Eu vou passar o resto da minha vida com aquela cena na minha cabeça”, afirmou. “Eu quero justiça da forma certa.”

O que dizem o boletim e os depoimento

Segundo o boletim de ocorrência, Bolelli chegou à entrada de uma propriedade rural em Rifaina em um carro branco. De acordo com os depoimentos do irmão e da amiga, outras pessoas chegaram em veículos diferentes, mas não foram identificadas. Geovane disse à EPTV que o suspeito estava acompanhado de duas pessoas.

O boletim registra que o pecuarista exigiu a devolução de um celular que havia entregado a Priscila, e que ela respondeu que só devolveria o aparelho depois de receber de volta o próprio telefone.

A amiga disse à polícia que o pecuarista também questionou uma viagem de Priscila a Sacramento (MG) e a acusou de estar se encontrando com outro homem.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

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Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli, segundo o boletim de ocorrência — Foto: Arquivo pessoal

O relacionamento com o pecuarista

Em depoimento à polícia, a amiga que acompanhou Priscila disse que a jovem mantinha um relacionamento casual com Bolelli desde julho deste ano.

Segundo a amiga, Priscila contou que o pecuarista desconfiava que ela estivesse envolvida com outro homem e dizia que não permitiria que ela voltasse a Perdizes. Ainda de acordo com o relato, ele ameaçou dar um tiro na cabeça dela e contratou pessoas para monitorá-la.

A amiga também afirmou que Priscila relatou ter sido agredida pelo pecuarista na sexta-feira (23) e que viu as lesões. Por causa das ameaças, orientou a jovem a não ir sozinha a Rifaina.

Geovane contou à EPTV que a irmã voltou de Rifaina para Perdizes na quinta-feira (22), na caminhonete do pecuarista. Segundo ele, só depois do crime soube de relatos de que ela havia sido agredida e ameaçada antes de sair de lá.

Natural de Perdizes (MG), Priscila foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos — Foto: Arquivo pessoal

Priscila namorava Samuel Ramos, de 26 anos. Em entrevista ao g1, ele disse que os dois estavam juntos desde junho e moravam havia cerca de um mês em Perdizes. O casal se aproximou por meio da mãe dele, a psicóloga Fabyana Oliveira, amiga e cliente da jovem, e planejava se mudar para Uberlândia (MG).

Segundo Samuel, Priscila já tinha encerrado os encontros com o pecuarista antes de os dois se conhecerem, mas Bolelli não aceitava que ela se relacionasse com outra pessoa. Ele afirmou que o pecuarista chegou a contratar um detetive para segui-la.

“Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”, disse o namorado.

O delegado Fábio Branquinho disse que os dois estavam em desacordo sobre o desfecho do relacionamento.

Linha do tempo

  • 2018 a 2022: o pecuarista é preso e, depois, condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.
  • Junho de 2026: Priscila e Samuel Ramos começam a namorar, segundo ele.
  • Julho: começa o relacionamento casual de Priscila com o pecuarista, segundo o depoimento da amiga.
  • Cerca de um mês antes do crime: Priscila e Samuel passam a morar juntos em Perdizes, segundo ele.
  • Quinta-feira (22 de outubro): Priscila volta de Rifaina para Perdizes na caminhonete do pecuarista, segundo o irmão.
  • Sexta-feira (23): data da agressão relatada por Priscila, segundo a amiga.
  • Terça-feira (27): Priscila vai a Rifaina com o irmão e a amiga para devolver a caminhonete. À noite, é baleada e morre.
  • Quarta-feira (28): a Justiça decreta a prisão preventiva do pecuarista. Priscila é velada e sepultada em Perdizes.
  • Quinta-feira (29): até a última atualização desta reportagem, o suspeito não havia sido encontrado.

Histórico do suspeito

Em junho de 2018, Bolelli foi preso preventivamente por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. Ficou preso por seis dias e foi solto depois de pagar fiança.

Em dezembro de 2021, a Justiça de Franca (SP) o condenou a três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, por descumprir a medida. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação, e a decisão se tornou definitiva em maio de 2022.

A condenação foi por descumprimento de medida protetiva. O caso atual ainda está em investigação.

VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Source: G1

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