Após sair da prisão, Ademar foi recebido por amigos e familiares. Vídeos publicados nas redes sociais do salão de beleza Belle Femme mostram o momento em que ele cumprimenta Verônica da Costa Seixas, também condenada no processo relacionado à Operação Mandrágora, e falou com a imprensa.

Em uma das gravações, Ademar afirma que pretende apresentar sua versão sobre o caso, mas que vai conversar com os advogados antes de dar mais detalhes.

"Agora é a minha vez de mostrar o outro lado da moeda. Toda história tem três versões: a do lado deles, a minha e a verdadeira. Somente eu sei a verdade, então estou disposto a falar sobre isso com muita cautela, muita calma. Eu acabei de sair da cadeia, passei dois anos, dois anos e meio, basicamente sem visita, sem nada. Passei esses anos todos estudando, meditando, orando e estou praticamente preparado para qualquer tipo de pergunta. Não vai ser agora, então ainda vou conversar com meus advogados", afirmou.

Ademar também agradeceu aos advogados, amigos e familiares pelo apoio durante o período em que esteve preso. Em outra declaração, voltou a contestar a prisão.

"Eu vou simplesmente destrinchar tudo para vocês, porque fui preso, na minha opinião, ilegal e arbitrariamente", declarou.

Reencontro com a mãe

Depois da recepção, Ademar foi para casa, onde reencontrou a mãe, Cleusimar Cardoso. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela aparece na porta da residência com um buquê de girassóis e uma caixa de bombons. Os dois se abraçam.

Progressão de regime

A decisão que autorizou a progressão de pena de Ademar foi proferida pela juíza Sabrina Cumba Ferreira nesta sexta-feira (23). Ele cumpre pena de 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Pelo cálculo inicial da execução penal, Ademar só teria direito à progressão para o semiaberto em outubro de 2027. No entanto, a data foi antecipada para outubro de 2026 após a Justiça reconhecer o abatimento de 364 dias da pena.

Segundo a decisão, ele cumpriu os requisitos de tempo de prisão e bom comportamento exigidos pela Lei de Execução Penal. A redução da pena considerou a participação em atividades de trabalho, leitura e estudo na unidade prisional, incluindo a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025.

O exame criminológico, realizado por uma comissão multiprofissional, também apontou capacidade de autocontrole, discernimento e aptidão para o retorno gradual à sociedade. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) emitiu parecer favorável à progressão.

Regras do regime semiaberto

Para cumprir a pena em regime semiaberto, Ademar deverá usar tornozeleira eletrônica e seguir as condições estabelecidas pela Justiça.

Entre as determinações estão:

  • Recolhimento noturno: permanecer em sua residência das 22h às 6h nos dias úteis, podendo sair apenas para trabalhar, estudar ou fazer tratamento de saúde;
  • Fins de semana e feriados: recolher-se integralmente em casa;
  • Viagens e mudança: não mudar de endereço nem se ausentar de Manaus sem autorização prévia da Justiça;
  • Proibições: não ingerir bebidas alcoólicas, não usar drogas ilícitas e não portar nenhum tipo de arma.

Condenação no caso Djidja

Também foram condenados Cleusimar Cardoso, José Máximo Silva de Oliveira, Hatus Moraes Silveira, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima.

As penas dos sete condenados variaram de oito anos e seis meses a 10 anos e 11 meses de prisão.

Outros três réus — Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas — foram absolvidos por falta de provas suficientes.

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Nova sentença

Depois da regularização das provas periciais, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para confirmar os crimes e a responsabilidade dos condenados.

Morte de Djidja

Djidja Cardoso, empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido que morreu por suspeita de overdose — Foto: TV Globo/Reprodução

Segundo o laudo preliminar citado na investigação, ela morreu após sofrer um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração. O documento não apontou o que teria causado o edema.

A principal linha de investigação da polícia foi a possibilidade de uma overdose de cetamina.

Durante as investigações, policiais encontraram frascos da substância enterrados no quintal da casa de Djidja. Também foram apreendidas caixas de cetamina, seringas, frascos, bulas e cartelas de medicamentos.

Djidja Cardoso com a mãe Cleusimar Cardoso e o irmão Ademar Cardoso. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Source: G1

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