Anos depois, um dos condenados pelo crime foi considerado inocente após passar 14 anos preso. A filha do casal, acusada de mandar matar os pais e condenada a mais de 60 anos de prisão, também teve a sentença anulada.
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Adriana Villela no documentário 'Crime da 113 Sul' — Foto: TV Globo
Relembre o caso
As vítimas eram José Guilherme Villela, advogado que havia sido ministro do TSE, a mulher dele, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, e Francisca Nascimento, que trabalhava como doméstica para o casal.
José Guilherme e Maria foram vistos pela última vez em 28 de agosto de 2009, uma sexta-feira, quando trabalharam normalmente no escritório de advocacia que mantinham em Brasília.
Como não deram notícias durante o fim de semana e não apareceram para trabalhar na segunda-feira, uma neta do casal decidiu ir até o apartamento deles, na 113 Sul, área nobre da capital federal.
Com a ajuda de um chaveiro, ela entrou no imóvel e encontrou os três mortos. Os corpos já estavam em estado de decomposição e apresentavam sinais de violência. Não havia sinais de arrombamento.
Segundo informações divulgadas durante a investigação, os assassinos teriam permanecido por mais de duas horas no apartamento, onde teriam trocado as roupas sujas de sangue, eliminado provas e procurado dinheiro.
Fontes da Secretaria de Segurança afirmaram, na época, que cerca de US$ 1,5 milhão foi levado.
Os primeiros meses da investigação foram conturbados. Cerca de três meses depois do crime, três homens foram presos.
A delegada Martha Vargas, que inicialmente comandava o caso, chegou aos suspeitos depois de ser procurada por Rosa Maria Jacques, uma mulher que se apresentava como vidente e dizia ter recebido “do além” a missão de ajudar a polícia.
A polícia também passou a investigar Adriana Villela, filha de José Guilherme e Maria. A suspeita divulgada inicialmente era de que os assassinatos teriam sido cometidos a mando dela por causa de desavenças com os pais e de um patrimônio avaliado em R$ 10 milhões.
Adriana sempre negou participação. Pouco mais de um ano depois do crime, com a investigação já sob responsabilidade de outro delegado, a polícia chegou a Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio.
Ele confessou participação e disse que decidiu roubar o casal depois de pedir emprego ao ex-ministro e não gostar da resposta recebida. Na ocasião, Leonardo negou que alguém tivesse encomendado o crime.
O sobrinho dele, Paulo Cardoso Santana, também foi preso. Um terceiro homem, Francisco Mairlon Aguiar, acabou envolvido no caso depois de ser apontado por Leonardo como participante do crime.
Ao longo da investigação, porém, as versões mudaram.
Com a decisão, o processo contra Adriana voltou à fase de instrução. Ela continua ré, mas responde aos processos e recursos em liberdade.
O caso da 113 Sul, que começou com três corpos encontrados dentro de um apartamento em Brasília em agosto de 2009, atravessou mais de uma década entre confissões retiradas, acusações de tortura, mudanças nas versões dos envolvidos, a prisão de um inocente e a anulação da condenação da mulher apontada como mandante.
Source: G1
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