Segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, muitas das prisões ocorreram após buscas preventivas que também resultaram na apreensão de itens que poderiam ser usados ​​como armas. Entre eles, bolas de metal, chumbinhos, fogos de artifício, estilingues, balas de aço, armas improvisadas, uma katana e armas de airsoft.

"Temos que ser extremamente ágeis. Recebemos muitos pedidos de interrupção por parte de grupos políticos e, simplesmente, de criminosos. Vai ser um dia longo", afirmou ele a repórteres.

Centenas de pessoas reunidas em manifestação em Paris neste sábado (24) — Foto: REUTERS/Abdul Saboor

Até o começo da tarde deste sábado, apenas um pequeno tumulto foi registrado na cidade de Lyon. A polícia disparou várias granadas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo que protestava perto de uma faculdade universitária e da delegacia de polícia da cidade quando os manifestantes tentaram bloquear a rua.

Em Paris, a manifestação autorizada para acontecer começou de forma pacífica, com centenas de pessoas reunidas nas ruas da capital francesa.

Protesto em Lyon, no sudoeste da França — Foto: REUTERS/Lisi Niesner

Museus fechados e lojas com barricadas

O Louvre, o Museu d'Orsay, o Museu Picasso e o Grand Palais — onde está em cartaz uma importante exposição de Cézanne —, entre outros, decidiram fechar aos turistas. A Art Basel, uma das feiras de arte contemporânea mais prestigiadas do mundo, cancelou parte de sua programação e abriu ao público apenas nesta sexta-feira (23).

Aviso de fechamento na porta do Louvre — Foto: REUTERS/Dylan Martinez

Há uma semana, cerca de 3.000 lojas em toda a França foram danificadas ou saqueadas. Nos últimos dias, com a convocação para novas manifestações neste sábado, comerciantes barricaram suas lojas.

As manifestações contra o alto custo de vida já reuniram mais de 500 mil pessoas, segundo estimativas da imprensa do país. Elas foram acompanhadas por repressão policial e cerca de 1.800 pessoas foram presas no sábado passado (17).

Barricada sendo montada na porta de loja — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Na quinta-feira (22), o presidente Emmanuel Macron recomendou que a população não participasse de manifestações nos próximos dias. Ele afirmou, após uma reunião do Conselho de Segurança francês, que apenas atos organizados por sindicatos seriam autorizados neste sábado.

A decisão provocou reação de partidos de esquerda. Sete legendas recorreram ao Conselho de Estado, a mais alta instância da Justiça administrativa francesa, para contestar as declarações do presidente.

Governo mobiliza 70 mil policiais

Alunos da França fazem protestos com foto em Saint-Denis, próximo a Paris. — Foto: Abdul Saboor/Reuters

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou na última sexta-feira (23) que 70 mil policiais e agentes especiais estarão mobilizados em todo o país. O efetivo é cerca de 15% maior do que o empregado na semana anterior, quando 60 mil integrantes das forças de segurança foram destacados.

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Segundo Nuñez, as autoridades identificaram nas redes sociais convocações para atos violentos e saques. O esquema de segurança contará com unidades especializadas, veículos blindados e equipamentos para dispersão de multidões.

O governo também pediu às plataformas digitais, como Meta, Snap e TikTok, que mantenham vigilância reforçada durante o fim de semana.

França vai mobilizar polícia antiterrorismo para conter novos protestos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Manifestações têm restrições em grandes cidades

As autoridades autorizaram atos em pelo menos oito grandes cidades, segundo um levantamento da AFP. As regras, porém, variam de município para município .

Em Paris, a polícia havia aprovado um percurso entre as praças da Bastilha e da Nação, organizado por sindicatos. A manifestação de coletivos estudantis e de integrantes dos coletes amarelos, entre a Bastilha e a Ópera de Paris, foi proibida.

Na sexta, uma coalizão sindical afirmou que a polícia determinou uma mudança no trajeto, que passaria a ligar a Porte de Vincennes à Porte d'Italie. Karl Ghazi, um dos dirigentes da agremiação, criticou a alteração e afirmou que o novo percurso dificulta o controle.

  • Em Marselha, a segunda maior do país, um protesto sindical foi autorizado excepcionalmente, depois que as autoridades locais haviam proibido manifestações na cidade.
  • Em Lyon, a prefeitura proibiu atos em áreas centrais entre as 10h e as 23h, incluindo regiões comerciais e locais onde ficam prédios públicos importantes.

⛓️‍💥 A medida foi adotada após mais de 150 lojas serem depredadas e algumas saqueadas na cidade. O escritório de turismo local também foi incendiado durante os episódios de violência.

  • Em Bordeaux, sindicatos pretendem contestar judicialmente a proibição dos protestos
  • Em Estrasburgo e Mulhouse, atos só poderão ocorrer em áreas próximas ao centro histórico.

Edifício histórico da prefeitura de Limoges pega fogo após protestos violentos que tomaram a França — Foto: Pascal Lachenaud/AFP

Protestos contra extrema direita aumentam tensão em Orléans

A cidade de Orléans também deve concentrar manifestações neste fim de semana. O município recebe um congresso do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), da cindata à presidência Marine Le Pen, previsto para sábado e domingo (25).

O governo estima que entre 20 mil e 30 mil pessoas de diferentes regiões da França participem de atos contrários ao partido no sábado. A programação do congresso prevê cerca de 5 mil participantes no primeiro dia e 10 mil no domingo.

O percurso da manifestação foi alterado na sexta. O protesto, que inicialmente passaria pelo centro da cidade, começará pela manhã na região norte de Orléans.

O governador do estado de Loiret, Hugues Moutouh, proibiu manifestações no domingo por razões de segurança. Cerca de 3 mil agentes deverão ser mobilizados para acompanhar os eventos do fim de semana.

Policiais entram em confronto com manifestantes durante um protesto de estudantes do ensino médio e universitários em Paris, em um dia nacional de manifestações e bloqueios apoiados por professores e pais de alunos para exigir melhores condições nas escolas da França. — Foto: Abdul Saboor / Reuters

Museus fecham e partidas de futebol são adiadas

As medidas de segurança também provocaram mudanças na programação cultural e esportiva da França.

Em Paris, museus como o Louvre, o Museu d'Orsay, o Grand Palais, o Petit Palais e o Museu Picasso ficarão fechados neste sábado, segundo o Ministério da Cultura francês. A Ópera de Paris também suspenderá as atividades.

A feira internacional de arte contemporânea Art Basel cancelou a abertura prevista para sábado e domingo.

No futebol, a partida entre Paris Saint-Germain e Lyon, do campeonato francês, foi remarcada de domingo para segunda-feira a pedido da polícia de Paris.

Outros jogos também tiveram mudanças de data ou horário em razão das manifestações.

Homem e mulher conversam e bebem em bar durante atos violentos perto do Arco do Triunfo, em Paris, na França, em 17 de outubro de 2026. — Foto: Reuters

Source: G1

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