Psicanalista de profissão, Pablo tem a observação da natureza como hobby e estilo de vida. Para ele, as duas atividades, por mais diferentes que pareçam, têm algo em comum: exigem escuta e observação refinadas, paciência e atenção aos detalhes.

Morador de Campinas (SP), Pablo dedica parte do tempo a explorar a Serra do Japi, um dos grandes remanescentes de Mata Atlântica do estado.

Localizada entre os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar, a serra ocupa uma área de 350 quilômetros quadrados. Desse total, 191 quilômetros quadrados foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

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História curiosa

Em parceria com a Fundação Serra do Japi, Pablo desenvolve um projeto para transformar em livro o acervo fotográfico de insetos que registrou na região. Uma história que começou de maneira curiosa.

"Confesso que meu interesse pelos insetos não sempre me acompanhou, anos atrás era mais medo e incômodo o que sentia em sua presença. Conhecê-los de perto e apreciar sua variedade e riqueza de detalhes me fascinou, finalmente. A simulação, na luta pela vida, é uma estratégia muito presente no reino animal. Desfruto muito de retratar bichinhos camuflados, comum em aranhas, lagartas, esperanças, e também em louva-a-deus, claro".

Louva-a-deus de espécie descrita em 2020 é flagrado em 'transformação' — Foto: Pablo Levinsky

Foi durante uma dessas andanças pela Serra do Japi que Pablo conseguiu registrar a fêmea de Vates phoenix. A identificação contou com a ajuda de especialistas, entre eles integrantes do Projeto Mantis, grupo dedicado ao estudo desses insetos e responsável pela descrição científica da espécie em 2020.

"Nestes anos, fiz amizade e me relacionei com aficionados, biólogos e estudantes, que às vezes compartilham alguma trilha ou me ajudam a identificar alguns bichos. Tenho quase nenhum conhecimento de entomologia, mas os insetos me cativaram e é um grande prazer poder fotografá-los. No caso da Vates Phoenix, foi Leo Lanna, do projeto Mantis, quem me ajudou identificá-la completamente. Também César Favacho e Pedro Álvaro colaboraram, neste caso", explica Pablo Levinsky.

Pablo registrou predação do louva-a-deus durante o acompanhamento; VEJA O VÍDEO:

Caçador em ação! Louva-a-deus captura inseto em flagrante na mata

Caçador em ação! Louva-a-deus captura inseto em flagrante na mata

Paciência

Para captar os detalhes dos pequenos animais, o fotógrafo utiliza lentes macro, projetadas para registrar objetos pequenos em tamanho real. Em algumas situações, também recorre à câmera do celular.

No caso do louva-a-deus, a paciência foi fundamental. Pablo passou horas observando o inseto para acompanhar a muda, processo em que o animal troca o exoesqueleto.

"Estive várias horas durante a madrugada acompanhando a muda, assim, consegui registrar o exoesqueleto rígido".

Argentino, Pablo chegou ao Brasil em 2009. O interesse pela fotografia de animais surgiu depois que se mudou para Campinas. Primeiro, começou a observar os bichos no quintal de casa. Depois, passou a frequentar parques ecológicos e matas da região.

"Na Argentina, não praticava a fotografia de animais, mas sim gostava de ver eles em livros e documentários. Argentina tem uma fauna enorme, mas infelizmente ainda não a conheço. Tenho família em Campinas há muitos anos, minha filha é daqui e também ama os animais, ela não os fotografa mas sim faz desenhos deles", explica.

Louva-a-deus: da mitologia à biodiversidade

Na Grécia Antiga, o louva-a-deus era considerado um animal capaz de indicar o caminho a alguém que estivesse perdido.

A palavra mantis, de origem grega, está associada aos significados de "aquele que adivinha", "vidente" e "profeta". O termo também aparece na nomenclatura científica desses insetos.

De acordo com os especialistas, existem pelo menos 2.500 espécies de louva-a-deus no planeta. Dessas, 474 são neotropicais e 250 ocorrem no Brasil, país que concentra a maior biodiversidade desses insetos no mundo.

Apesar da diversidade, os louva-a-deus compartilham características. São carnívoros, alimentam-se de presas menores e apresentam camuflagens que auxiliam tanto na caça quanto na defesa.

Ao longo da vida, que pode chegar a dois anos na natureza, dependendo da espécie, esses insetos também passam por mudas, nas quais trocam o exoesqueleto.

Pablo Levinsky ainda não contabilizou quantas fotografias reúne em seu acervo, mas espera ter material suficiente para produzir o livro dedicado aos insetos da Serra do Japi.

"Tenho compartilhado bastantes fotos no Instagram (@pablolevinsky) e em menor medida no Inaturalist, essa plataforma considero muito útil para amantes da natureza, aficionados ou pesquisadores" conclui o fotógrafo de natureza.

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Source: G1

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